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A nova casa de US$ 165 milhões de Jeff Bezos e a polêmica taxação dos mais ricos

Novo morador de Beverly Hills, o fundador e CEO da Amazon é o protagonista da transação imobiliária mais cara da história da cidade. Em meio a discussões de que no Vale do Silício os mais ricos deveriam pagar mais impostos, o bilionário se viu no centro da polêmica

 

Mansão foi construída em 1937 por um dos fundadores da Warner Bros

Jeff Bezos já pode atualizar o endereço de entregas na sua conta da Amazon Prime: agora, as compras do magnata serão levadas até Beverly Hills, a uma mansão recém-adquirida por US$ 165 milhões. A transação é a mais cara da história do mercado imobiliário de Los Angeles.

Mal Bezos comemorou a aquisição de seu novo lar doce lar e as críticas vieram em doses cavalares. Nos Estados Unidos, muita gente tem usado essa recente transação imobiliária do fundador e CEO da Amazon, homem mais rico do mundo com uma fortuna de US$ 130 bilhões, para atacar, mais uma vez, os benefícios fiscais concedidos a empresas e empresários. 

Segundo a imprensa americana, as taxas aplicadas à Amazon foram de US$ 162 milhões – apenas 1,2% dos US$ 14,5 bilhões lucrados pela gigante, de acordo com o último relatório. Empresas americanas, normalmente, têm de pagar 21% de imposto sobre seus lucros. Até 2017, esse percentual era de 35%.

O “desconto” aplicado à Amazon tem a ver com leis de incentivo fiscais vigentes no país. Certos gastos com infraestrutura e força de trabalho, por exemplo, podem ser deduzidos de impostos.

A situação fica ainda mais curiosa sob uma perspectiva histórica. O jornal americano Chicago Tribune cita documentos do Institute for Taxation and Economic Policy para argumentar que a Amazon não apenas não pagou nenhum imposto em 2018, quando lucrou US$ 12,4 bilhões, como ainda recebeu US$ 129 milhões de reembolso fiscal. Isso os coloca num caso raro de imposto negativo, de -1% – o segundo consecutivo para a empresa, segundo o jornal.

“A Amazon paga todos os impostos que lhes são cobrados, nos EUA e além”, declarou a porta-voz da Amazon, Jodi Seth, ao Chicago Tribune. Ainda de acordo com Seth, a gigante investiu “mais de US$ 260 bilhões no país desde 2011, construindo sua infraestrutura e equipe”. 

Jeff Bezos é o homem mais rico do mundo, com fortuna avaliada em US$ 131 bilhões

Vale lembrar, contudo, que os Estados Unidos, diferente do Brasil, taxa dividendos. Isso significa que, além de pagar o imposto de renda, o lucro repassado aos acionistas também são passíveis de cobranças fiscais. 

Mesmo agindo dentro da lei e respeitando todas as regulações, a Amazon não fica de fora de discussões sobre quanto paga – ou quanto deixa de pagar – em impostos. Bezos, como pessoa física, tampouco escapa do leão. E o da Califórnia é o mais faminto deles: cobra 13,3% das grandes fortunas. Apenas 1,5% da população local é “afetada” por esse imposto, que é aplicado a indivíduos que, sozinhos, ganham mais de US$ 263 mil anuais ou famílias que recebem US$ 526 mil ou mais, por ano.

Embora cumpra com todas suas obrigações tributárias e legais, Bezos é, de certa maneira, confrontado por seus pares. Grandes bilionários, como Bill Gates, da Microsoft; Warren Buffet, da Berkshire Hathaway; e Marc Benioff, da Salesforce, já vieram a público apoiar o aumento dos impostos cobrados de empresários como eles, que ganham fortunas.

No fim do ano passado, Gates, o segundo homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 119 bilhões, escreveu uma polêmica carta publicada em seu blog, o GatesNotes, em que afirma que os que têm mais dinheiro deveriam pagar mais impostos.

“Os ricos devem pagar mais do que pagam atualmente, e isso inclui eu e Melinda Gates”, disse referindo-se a sua esposa. E acrescentou: “A desigualdade está crescendo e a distância entre as menores e maiores riquezas nos EUA é muito maior do que era 50 anos atrás”.

Plataforma de campanha de alguns candidatos democratas que desejam disputar a presidência dos EUA, como Bernie Sanders e Elizabeth Warren, a elevação das taxas aplicadas aos bilionários está, pelo menos por enquanto, longe de se tornar uma realidade.

Enquanto essa pauta não chega, de fato, à Casa Branca, Bezos e sua amada, a jornalista Lauren Sanchez, aguardam a discussão e os acertos no conforto da nova residência. A mansão pertencia ao empresário e produtor americano David Geffen, que arrematou a propriedade por US$ 47,5 milhões, em 1990. 

Com mais de 1.260 metros quadrados, a mansão foi construída em 1937 por Jack Warner, um dos fundadores da Warner Bros. Os novos proprietários terão à disposição uma quadra de tênis, campo de golfe com 9 buracos, duas casas para visitas, enfermaria privativa, piscina e até um posto de gasolina particular. 

Antes dessa se tornar a maior transação imobiliária de Los Angeles, o posto pertencia a Lachlan Murdoch, filho do magnata da mídia Rupert Murdoch, que desembolsou US$ 150 milhões por uma casa na região de Bel Air.

Sem envolver corretores, o negócio fechado entre Bezos e Geffen, que são amigos, é apenas mais um no portfólio do fundador e CEO da Amazon. O executivo já é dono de outras duas casas na cidade de Los Angeles, uma mansão em Washington DC, um rancho no Texas e três apartamentos conjugados em Nova York, avaliados em US$ 80 milhões.

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