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A Universidade de Berkeley e sua obsessão pela ciência dos dados

A famosa universidade da Califórnia repensa seu sistema educacional de olho no estudo dos dados

 

Campus da Universidade de Berkeley, na Califórnia

Califórnia – Como a análise de dados pode nos ajudar a melhor compreender o mundo? Essa pergunta tão “simples” tem feito a Universidade de Berkeley, na Califórnia, passar a limpo 151 anos de história e a sua forma de se relacionar com a educação.

Para responder aos anseios trazidos pela questão, a instituição colocou à disposição de seus alunos um curso pioneiro intitulado “As Fundações da Data Science”, que basicamente condensa três perspectivas: pensamento inferencial, pensamento computacional e relevância no “mundo real”.

O curso ensina conceitos e habilidades relativos a programação de computadores e aplicação estatística, em conjunto com a análise prática de dados econômicos, geográficos e até sociais, passando por questões ligadas à privacidade e design.

“Eu diria que essa foi a mudança mais profunda que a Berkeley promoveu nos últimos 30 ou 40 anos”, diz Anthony Suen, diretor de programa do recém-criado Departamento de Data Science da universidade, ao NeoFeed.

A fala assertiva de Suen tem a ver com o fato de que, agora, o estudo da ciência de dados está ao alcance de todos os alunos chamados undergrads, semelhante ao nosso bacharelado. “Data science é um campo que diz respeito a todas as áreas do conhecimento”, afirma Suen.

Em tempos em que os dados têm sido chamados de “o novo petróleo”, é mais do que compreensível o interesse dos alunos de Berkeley. “Dois anos atrás, tínhamos menos de 100 alunos inscritos no curso. Hoje são mais de 1,5 mil”, diz.

Os alunos não têm um perfil único: há os que buscam o diploma de engenharia, matemática, estatísticas, programação e outros ligados a áreas de exatas, mas há também aqueles que percorrem o caminho das ciências sociais e áreas da biologia.

Essa pluralidade de interesses que tem como denominador comum o estudo de dados é mérito de um currículo inovador, que se desdobra em “módulos”, conectando data science a cursos tradicionais, como os já mencionados, e outros considerados complementares, como ética e contexto humano.

A iniciativa de Berkeley despertou o interesse de outras universidades americanas, como Yale, Cornell e Universidade de Washington

A iniciativa de Berkeley despertou o interesse de outras universidades americanas, como Yale, Cornell e Universidade de Washington, que incorporaram alguns módulos do programa da instituição californiana em seus próprios currículos.

O crescente interesse das maiores e mais respeitadas instituições de ensino dos Estados Unidos e, consequentemente, de seus alunos também, é um indicativo de que, num futuro próximo, essa habilidade será requisitada no mercado de trabalho. Para Suen, “gurus” e doutores em data science serão disputados por grandes corporações – que já oferecem salários generosos a quem domina minimamente a área.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela Burtch Works Executive Recruiting, 82% das organizações entrevistadas disseram que planejam contratar analistas de dados ou profissionais do gênero e 70% das empresas destacaram que pretendiam ampliar seu time de data science ainda no primeiro semestre de 2019.

O aumento da demanda, obviamente, diminui a oferta: o salário médio inicial para profissionais juniores ligados a essa área, nos Estados Unidos, é de US$ 78,6 mil. Para fins comparativos, a última média salarial familiar americana divulgada pelo Census local, em 2017, é de US$ 61,3 mil.

Suen destaca que os principais desafios do novo departamento em Berkeley continua sendo o espaço físico e a arrecadação de fundos para que as aulas acompanhem a constante (re)volução do mundo e do mercado, e encontre seu caminho para a base de outros currículos.

Embora admita que essas preocupações têm mais a ver com o futuro, o diretor de programas sinaliza que uma barreira mais importante a ser vencida no presente é a desmistificação dessa área de estudo.

“Muita gente acha que data science é algo extremamente difícil e que diz respeito exclusivamente à computação, estatísticas ou matemáticas, mas nada disso é verdade. A ciência dos dados está, ou deveria estar, presente em todas as áreas do conhecimento. E é por isso que, agora, a Berkeley que organizar seu sistema educacional ao redor da órbita do data science, e não o contrário.”

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