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A YVY, uma “Nespresso” da limpeza, brilha na pandemia

Desde o início do isolamento social, a marca de produtos de limpeza naturais, vendidos em cápsulas parecidas com as de café, triplicou seu faturamento. Agora, pretende captar investimentos para entrar em novos nichos

 

Marcelo Ebert, CEO da YVY

Muitos setores têm sido acelerados pela Covid-19. E, em todas as análises sobre o momento atual e o pós-pandemia, os especialistas são unânimes em dizer – chega até a ser cansativo – que o novo coronavírus tornou a transformação digital prioritária e a questão da sustentabilidade mais urgente.

Diante desse cenário, uma startup criada em 2018 dobrou o número de assinantes e viu seu faturamento triplicar desde o início da pandemia. Não porque está “vendendo lenço enquanto outros choram”, mas simplesmente porque seu negócio se encaixa no mundo atual.

A YVY vende planos de assinatura de cápsulas de desinfetantes, lava louças, desengordurantes e multiuso – praticamente uma “Nespresso” da limpeza – e, curiosamente, começou a ser notada com mais atenção quando muitas pessoas partiram para o isolamento social e dispensaram seus funcionários domésticos.

Com os “patrões” em casa, munidos de esponjas e rodos, a ficha caiu ao passo que as mãos começaram a coçar, criar alergia, com os produtos tradicionais que usam ingredientes químicos. “Como os nossos produtos são a base de insumos naturais, acabamos nos beneficiando”, diz Marcelo Ebert, CEO e sócio da YVY.

Somado a isso, as vendas são digitais e os produtos são entregues na porta da casa dos clientes. E, por último, produtos de limpeza, tornaram-se ainda mais essenciais no meio da paranoia causada pelo novo coronavírus. “No fim do ano passado, tínhamos 1 mil assinantes e, só neste ano, conquistamos mais 1,2 mil novos assinantes”, diz Ebert.

Não é, evidentemente, grande em números absolutos, ainda mais se comparados ao tamanho do mercado brasileiro, que movimenta cerca de R$ 20 bilhões ao ano. Mas, relativamente, a empresa se mostra promissora no meio de um ambiente econômico em que as companhias estão perdendo faturamento.

“O coronavírus mudou e ainda vai mudar muito o modo de vida das pessoas”, diz o especialista em marcas Eduardo Tomiya. “A preocupação com a sustentabilidade já era grande e agora ficou enorme”, diz ele. É aí que reside a diferenciação da companhia.

A YVY, que significa terra em tupi-guarani, é uma spin-off TerpenOil, empresa baseada em Jundiaí (SP), que atua no segmento B2B. Os produtos são feitos à base de insumos naturais, como o terpeno, extraído da casca da laranja.

Os produtos, feitos a partir do terpeno, da casca da laranja, são acondicionados em cápsulas

A TerpenOil foi criada em 2007 por José Luiz Majolo, que atuou por muitos anos no mercado financeiro e atualmente é presidente do conselho de administração do BV. Ebert, que havia trabalhado com Majolo no ABN AMRO, entrou na sociedade em 2011.

Enquanto a TerpenOil vende bactericidas, neutralizadores de odor e produtos de limpeza para indústrias, shoppings, hospitais, entre outros grandes clientes, a YVY foi a solução pensada para o consumidor final.

Ebert explica que 90% de um detergente lava louças ou um multiuso é água. Com as cápsulas, diz ele, diminui a quantidade de plástico utilizado, reduz o tamanho dos produtos e também o transporte. Isso porque o cliente recebe um borrifador para apenas adicionar as cápsulas. “Brinco que as empresas de produtos de limpeza tradicionais levam água para passear”, diz ele.

As assinaturas são flexíveis e dependem da quantidade que cada pessoa usa em casa. Partem de pouco mais de R$ 62 e vão até R$ 164,10. Desde o ano passado presente nos EUA, onde conta com uma pequena operação comandada pelo executivo Rodrigo Tostes. Por lá, há apenas uma única assinatura que sai por US$ 25,99.

Os borrifadores usados pela empresa são reutilizáveis

Agora, a empresa se prepara para captar dinheiro – algo entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões – para acelerar os investimentos em marketing, tecnologia e desenvolvimento de produtos. “Estão no radar produtos para desinfecção das mãos, para máquina de lavar louça e bactericidas para tratar o ar de casa”, diz Ebert.

O diretor da consultoria GlobScan no Brasil e autor da coluna “Além do Carbono”, no NeoFeed, Álvaro Almeida, enxerga potencial no negócio. “Ainda é um nicho de mercado no Brasil, mas o potencial é grande. Nos EUA, algumas marcas começaram independentes e depois foram adquiridas por grandes grupos”, diz ele.

A marca americana Seventh Generation, fundada em 1988, foi comprada pela gigante Unilever, em 2016, por cerca de US$ 600 milhões. Outra companhia, a Method foi comprada pela Ecover e, em 2017, as duas foram absorvidas pela gigante SC Johnson, dona de marcas como Glade e Mr. Músculo.

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