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Ainda sem resultado definido, eleição dos votos por correio causa tensão nos EUA

Joe Biden segue na frente, mas Donald Trump já declarou vitória. Favorito em alguns estados-pêndulos, o republicano não quer esperar pelas cédulas enviadas pelos correios

 

Trump (esq.) já declarou vitória sobre Biden

A corrida pelos 270 delegados um total de 538 que formam o Colégio Eleitoral americano segue acirrada nos Estados Unidos, com o democrata Joe Biden gozando de uma ligeira vantagem sobre o republicano Donald Trump, com 227 votos contra 213.

Esse placar pode virar a qualquer momento, uma vez que a apuração nos estados-pêndulos, como Carolina do Norte e Pensilvânia, ainda estão em andamento e são lideradas pelo republicano. 

Ainda com o resultado indefinido, o presidente Donald Trump fez um discurso na Casa Branca em que declarou vitória e afirmou que a contagem de votos deveria parar.

“Eles sabiam que não poderiam vencer e disseram ‘Vamos à Suprema Corte'”, afirmou Trump, em referência aos opositores democratas. Para Trump, os seus adversários tentam fraudar a eleição com o estímulo ao voto por correio, que bateu recorde neste ano por causa da pandemia.

“Isso é uma enorme fraude. É uma vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos esta eleição”, afirmou Trump. “Nós vamos à Suprema Corte, queremos que todos os votos parem, não queremos que os votos sejam encontrados até as 4 da manhã. É um momento triste.” Apesar do discurso de Trump, não é comum o resultado da eleição americana ser divulgado na noite do pleito.

Nós nunca tivemos um resultado oficial divulgado no mesmo dia da eleição. O que acontece é que alguns veículos de comunicação que acompanham a apuração anunciam o vencedor quando a margem é segura. Certamente, nesta eleição, não vai ser o caso, então teremos de aguardar para saber quem vai ser o próximo presidente dos Estados Unidos”, disse ao NeoFeed o professor de ciência política da Reed College, Paul Gronke, autor do livro “The Electorate, the Campaign, and the Office”. 


Trump, que por vezes se declarou contra o voto por correio, acreditando se tratar de uma modalidade vulnerável a fraudes, disse a jornalistas que tomaria providências legais para anular essas cédulas e exigir que o presidente fosse anunciado no mesmo dia da eleição.

“Desde a eleição de 2000, quando George W. Bush e Al Gore protagonizaram uma batalha pela contagem dos votos na Flórida, esse tipo de manifestação jurídica se tornou recorrente. As decisões sempre dão margem para polêmicas e, caso trilhemos esse caminho, não espero nada diferente”, afirmou Gronke. 

Quem tem pressa para saber o resultado é o deputado democrata pelo estado da Califórnia Mark Takano. Em conversa com o NeoFeed, o representante americano disse que uma mudança no cenário político americano deve “servir de exemplo” a outros países – inclusive o Brasil.

Embora reconheça a proximidade do presidente Jair Bolsonaro com o atual presidente americano, Takano defende a aliança entre os países, independentemente do resultado da eleição. “Tenho certeza que os dos países continuarão próximos e dialogando. O Brasil é um importante aliado e a Casa Branca sabe disso”, afirmou Takano.

Embora não arrisque palpites sobre o rumo econômico da aliança entre os países, o deputado acha que “arrumar a casa” deve ser a prioridade do candidato eleito, independentemente se for Trump ou Biden. “Num primeiro momento, acho que teremos mais novidades na política interna, do que externa”, disse Takano.

E não é para menos. De acordo com o Fed, o Banco Central americano, a economia dos EUA deve retrair 3,5% em 2020, ano em que a dívida pública do país superou a marca dos US$ 26 trilhões.

Além dos desafios financeiros, os Estados Unidos ainda precisam “acertar as contas” com a pandemia. Mais de 230 mil americanos morreram em decorrência da Covid-19 e alguns estados, como a Califórnia, mantêm algumas restrições e comércios fechados, como academias, bares e outros espaços que não tenham área ao ar livre. 

Acusado de má gestão da crise, Trump enfrentou forte pressão durante toda a campanha eleitoral e as pesquisas indicavam que o democrata levaria a melhor.

Por enquanto, o mapa da apuração parece repetir o cenário de 2016, quando a então candidata democrata Hillary Clinton cedeu o favoritismo ao republicano. Antes de seu discurso na Casa Branca, Trump já havia usado o Twitter para se declarar vitorioso. “Eu vou fazer um discurso esta noite. Uma grande VITÓRIA”, escreveu.

Os democratas, entre eles a jovem deputada Alexandra Ocasio-Cortez, se apressaram a desmentir o presidente, lembrando que a eleição ainda não acabou. Só na Pensilvânia, mais de um milhão de votos precisam ser contabilizados.

A corrida pelo Senado também está sendo disputada ponto a ponto, com republicanos e democratas empatados em 47 – tem o controle do Congresso quem passar dos 50. Já a Câmara dos Deputados deve seguir “nas mãos” dos democratas, que estão com 187 nomes eleitos, contra 178 dos republicanos. 

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