Após desacelerar investimentos, SoftBank também corta salário de executivos

Fundo japonês reduz vencimentos de diretor financeiro e de responsável pelas operações de telecomunicações depois de registrar pior resultado em quatro décadas

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Masayoshi Son, fundador do Softbank

Depois de registrar o pior resultado em sua história de quatro décadas no ano passado, o SoftBank Group decidiu dar o exemplo e reduzir os salários de seus principais executivos. 

Segundo documentos regulatórios enviados à Bolsa de Valores de Tóquio, vistos pelo jornal britânico Financial Times, os vencimentos do diretor financeiro, Yoshimitsu Goto, atingiram 293 milhões de ienes (US$ 2,3 milhões) no último ano fiscal, encerrado em 31 de março, abaixo dos 480 milhões de ienes (US$ 3,7 milhões) do ano anterior. 

Ken Miyauchi, responsável pelas operações de telecomunicações do SoftBank, ganhou um total de 593 milhões de ienes no período (US$ 4,6 milhões), um recuo ante os 635 milhões de ienes do ano anterior (US$ 5 milhões). 

Já os ganhos do fundador do SoftBank, o bilionário Masayoshi Son, permaneceram estáveis, em 100 milhões de ienes (US$ 786,4 mil). Os documentos não fazem referência aos vencimentos de Rajeev Misra, que comanda o Vision Fund. 

O SoftBank reportou um prejuízo líquido de 1,7 trilhão de ienes (US$ 13,3 bilhões) no ano fiscal passado, revertendo o lucro líquido de quase 5 trilhões de ienes (US$ 39,3 bilhões) registrado no ano anterior. 

As dificuldades do cenário internacional tiveram um impacto pesado sobre o Vision Fund, principal veículo de investimentos do SoftBank em tecnologia, com 450 empresas em seu portfólio. O fundo de US$ 100 bilhões fechou o ano com prejuízo de 2,6 trilhões de ienes (US$ 20,4 bilhões), revertendo o lucro de 4 trilhões de ienes (US$ 31,4 bilhões) no ano anterior. 

O fundo sofreu duras perdas com a forte queda apurada nas ações de empresas ligadas à tecnologia, com o mercado buscando ativos maduros em tempos de juros e inflação em alta. 

Ele também sentiu particularmente as consequências do endurecimento dos reguladores chineses contra empresas de tecnologia, que veem essas empresas ganhando muita força entre a população e muito expostas aos Estados Unidos, com quem Pequim trava uma nova “guerra fria”. 

Este cenário pegou em cheio as companhias chinesas e asiáticas. As ações da gigante chinesa de e-commerce Alibaba, em que o fundo detém uma fatia de quase 25%, acumularam uma perda de 49% em 2021. Os papéis da Coupang, companhia sul-coreana de e-commerce em que o SoftBank é dono de quase 30% do capital social, recuaram 39,4% no ano passado. 

Fora dos Estados Unidos, o fundo sentiu a queda de quase 20% do Uber em 2021 e de 16,2% da WeWork.

O SoftBank também teve que fazer remarcações nos valores de empresas de capital fechado em que investe, de setores que vão desde consumo, fintech e transportes. 

Mas isso não tem sido suficiente para estacanar a sangria. O jornal americano The Wall Street Journal publicou, em maio, uma estimativa de que o SoftBank pode ter uma perda US$ 25 bilhões no primeiro trimestre deste ano, levando-se em conta apenas os investimentos em empresas com capital aberto.

Desacelerando

A situação levou o SoftBank a adotar medidas para lidar com o novo momento do mercado, até então acostumado a ver o fundo japonês investir pesado em novas empresas. Além da atitude simbólica de reduzir os vencimentos dos executivos, o fundo desacelerou os aportes em companhias diante da volatilidade dos mercados.

O SoftBank também está avaliando as participações em ativos que podem ser liquidadas, mas vem encontrando dificuldades em operacionalizar as vendas. No início de março, o fundo contratou o Goldman Sachs para vender um bloco de ações da empresa de e-commerce sul-coreana, por US$ 1 bilhão. A cota acabou vendida por menos de US$ 21 por ação, perda de 40% em relação ao preço do IPO da companhia, em 2021. 

Essa pisada no freio ocorreu após um ano no qual o SoftBank mostrou sua voracidade em realizar negócios. Em 2021, o Vision Fund fechou investimentos em 195 empresas e se consolidou como um dos maiores ativos no setor. 

Junto com as iniciativas de controle de gastos e investimentos, o SoftBank está em campanha para tranquilizar o mercado. No começo do mês, quando os resultados ficaram conhecidos pelo público, Son ressaltou que a dívida da companhia está em um patamar administrável. 

Alguns investidores e analistas demonstraram preocupação a respeito das finanças do SoftBank, por conta da forma com que a empresa utiliza participações em investidas, como a Alibaba, para obter empréstimos e levantar novos recursos para investimentos. 

Segundo afirmou Son na ocasião, o índice que mede a relação entre empréstimos e ativos dados em garantia está em 20,4%, abaixo do limite de 25% que a companhia se compromete a não cruzar “em tempos normais”.

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