Negócios

“As empresas vão perder dinheiro se não fizerem a coisa certa”, diz CEO da Microsoft Brasil

Em entrevista ao NeoFeed, Tania Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, fala sobre diversidade, conta como mudou a política de recrutamento para incluir mais mulheres e negros e diz que a questão ambiental está pegando no bolso e no crescimento do País

 

Tania Cosentino, presidente da Microsoft Brasil

A executiva Tania Cosentino não gosta de ficar em cima do muro. E de forma corajosa não foge às perguntas e se posiciona sobre todos os temas, por mais que o assunto possa parecer que não tenha nada a ver com a companhia que ela preside no Brasil: a todo-poderosa Microsoft, avaliada globalmente em US$ 1,6 trilhão.

Desmatamento na Amazônia? Cosentino tem uma opinião. Racismo? A executiva responde com clareza o que pensa. Inclusão de mulheres e negros? Ela discorre sobre o que tem feito na Microsoft. E o fato de se posicionar tem um motivo.

“As empresas precisam tomar uma decisão e ver de que lado elas querem ficar. Se você for contra ou a favor de um tema, você vai levar pancada. Mas a gente não deve ter medo de se expor”, afirmou Cosentino, em entrevista ao NeoFeed.

Mas a exposição não é feita de forma inconsequente. Ao contrário. Como a própria Consetino diz, citando um relatório do World Economic Forum, dos dez principais riscos aos negócios, nos próximos dez anos, sete deles são ambientais e sociais.

“O uso irracional do planeta pode levar a uma próxima pandemia, a escassez de água, a fome e ao aquecimento global”, diz a presidente da Microsoft Brasil. “As empresas vão perder mercado e dinheiro se não fizerem a coisa certa.”

Nesta entrevista, Cosentino também fala dos investimentos da Microsoft em um novo data center no Brasil e comenta sobre sua perspectiva para 2021. Leia os principais trechos:

Você anunciaram um novo data center no Brasil durante a pandemia. A crise econômica e sanitária acelerou a migração das empresas para a nuvem?
Independentemente da crise sanitária, um estudo do fim do ano passado já apontava que 86% das empresas tinham um projeto de transformação digital. Com a pandemia, todo mundo pegou o que tinha pela frente, um computador, um notebook ou um celular, foi para a casa e o chefe falou: ‘agora, trabalha de casa.’ A sobrecarga na infraestrutura de todas as empresas, inclusive nos provedores de nuvem e de software, foi muito grande. Para você ter uma ideia, há um ano tínhamos 25 milhões de usuários ativos e recorrentes de Teams (ferramenta de videoconferência) no mundo. Em abril, atingimos 75 milhões de usuários ativos. Em outubro, 115 milhões. Outra corrida foi transformar seu computador em uma máquina virtual, como se fosse uma extensão do servidor da empresa. Neste caso, você precisa também de infraestrutura de nuvem e de segurança. Não só eu tive de expandir meu data center antigo, trazendo novos serviços e aumentando a capacidade para atender a demanda do Covid, mas tive que criar uma nova região para atender o que a gente chama de missão crítica, porque cada vez mais o cliente está migrando o core para a nuvem.

Com o novo data center, em quanto a capacidade foi aumentada?
Não posso falar. Essa é a informação que meu concorrente vai ler só para pegar. Mas posso dizer que amplia para a gente abraçar nossa ambição de conquista de mercado, que não é pouca. Esse é um investimento que a gente vem fazendo há mais de 10 anos e não vai parar mais. É um investimento crescente.

A pandemia trouxe uma série de desafios às empresas. Antes, elas tinham que prestar contas aos acionistas. Agora, elas precisam também prestar contas à sociedade?
Eu não atribuo isso à pandemia. Empresas responsáveis já deviam prestar contas à sociedade sobre suas ações sociais, seu impacto e sua situação ambiental. O que acontece? O mundo digital aproxima as pessoas. O digital permite não só que a informação trafegue em tempo real, mas também permite uma rápida amplificação. Não é que a empresa tem mais responsabilidade social agora, mas ela fica mais exposta agora. E tem que dar respostas a certos problemas que antes ficavam dentro da cozinha empresa. E a sociedade não quer mais ouvir isso. Veja esse caso recente de racismo e olha as grandes discussões que vêm vindo em torno disso. As empresas precisam tomar uma decisão e ver de que lado elas querem ficar. É mais uma forma de como a empresa se comunica com o seu público. E o público está cobrando de uma forma implacável. Se você for contra ou a favor de um tema, você vai levar pancada. Mas a gente não deve ter medo de se expor.

“Não é que a empresa tem mais responsabilidade social agora, mas ela fica mais exposta agora”

Já que você citou o caso de racismo no Carrefour, que lições foram apreendidas que valem para o mundo corporativo?
Uma primeira lição é que temos práticas, processos e ferramentas dentro de uma grande empresa que são impecáveis. Quando você conhece o Carrefour e o Noël (Prioux, CEO do Carrefour Brasil), a gente sabe o compromisso dele com diversidade e inclusão. Mas você tem de fazer com que o seu compromisso com a agenda social e ambiental permeie a sua própria organização. Aqui tem muito treinamento, conscientização e canais de denúncia. Você tem de fazer também com que a sua cadeia de fornecedores abrace os mesmos valores. E isso não é uma coisa tão simples. Mas você tem de ter um olhar nisso, porque claramente é o que aconteceu: você se descuidou da sua cadeia de fornecedores. E quando acontece uma situação dessas dentro das suas instalações, você é responsável.

E como resolver essa questão?
Estava discutindo esse tema hoje na ICC (International Chamber of Commerce), na qual sou a líder do conselho de CEOs. Nós lançamos um manual de práticas e de integridade para pequenas e médias empresas. Estamos falando aqui muito de fraude, mas isso se estende para diversidade, inclusão, questão ambiental e direitos humanos. Como é que eu faço que a minha cadeia de suprimentos seja aderente aos meus valores? Aqui tem uma transformação cultural, de desenho de negócios e de processos que precisam ser implementados. Não basta mandá-los fazer. Eu preciso ajudá-las a fazer essa transição para que a gente evite esse tema no futuro.

A sigla da vez é ESG (Environmental, social and corporate governance). Alguns criticam dizendo que muitas empresas fazem marketing com isso. Outras efetivamente praticam. O que a Microsoft tem feito nessa área?
Hoje, muitas empresas fazem greenwashing. Muitas empresas fazem também blackwashing. Você pode até colocar num relatório de sustentabilidade que tem compromisso com o planeta e que abraça árvores e tudo mais. Só que hoje a informação chega ao público-alvo. E o público tem capacidade de julgamento. Então, não adianta você simplesmente escrever no seu relatório de sustentabilidade que você tem as melhores práticas de compliance e depois você aparece num escândalo de corrupção. Ou você dizer que tem as melhores práticas ambientais e está jogando o seu esgoto a céu aberto. Ou afirmar que tem práticas trabalhistas na sua empresa, mas contrata subfornecedores que têm trabalho escravo e infantil. Você tem que se preocupar com isso. Isso não é uma coisa ‘nice to have‘. É um imperativo de negócio.

“Não adianta você simplesmente escrever no seu relatório de sustentabilidade que você tem as melhores práticas de compliance e depois você aparece num escândalo de corrupção”

Por quê?
Quando se fala em risco de negócios, um relatório que foi divulgado no início do ano, no World Economic Forum, em Davos, apontou que dos dez maiores riscos de negócios, nos próximos dez anos, sete deles são ambientais e sociais. O uso irracional do planeta pode levar a uma próxima pandemia, a escassez de água, a fome e ao aquecimento global. As empresas vão perder mercado e dinheiro se não fizerem a coisa certa.

Você citou que causas ambientais e socais podem impactar os negócios. A Microsoft foi uma das signatárias, em julho, de uma carta ao vice-presidente, Hamilton Mourão, pedindo ações contra o desmatamento da Amazônia. De lá para cá, algo mudou?
Essa carta, que começou com um grupo de 30 empresas e hoje somos quase 80, não foi cobrando ações. Foi uma carta dizendo que nós, do setor privado, estamos aqui para ajudar. Para ajudar com tecnologia, com investimentos, com estudos e com conhecimento. Estamos aqui para ajudar o governo na pauta ambiental que vai além da floresta. Estamos falando de desmatamento, que é um dos temas, mas falamos também de reforma fundiária, em créditos de carbono e em certificação de cadeia de suprimentos. Estamos em um momento que não dá mais para ficar apontando o dedo. Vamos juntos resolver o problema? Esse é o propósito da carta. Até porque sustentabilidade é um imperativo de negócios. Essa narrativa e ações desencontradas está diminuindo a credibilidade internacional do Brasil. E isso está impactando nas nossas exportações e nos nossos negócios. Está pegando no bolso do País e do crescimento econômico. Não temos ainda ações concretas, mas estamos discutindo e temos propostas.

“Sustentabilidade é um imperativo de negócios. Essa narrativa e ações desencontradas está diminuindo a credibilidade internacional do Brasil”

Que propostas?
Nós, da Microsoft, temos projetos ambientais. Tenho um projeto de monitoramento de água na Mata Atlântica. Estamos lançando com a Imazon e com a Vale o projeto de monitoramento da floresta para saber, através de inteligência artificial, as áreas propensas ao desmatamento. O que era impossível de fazer há dois ou três anos, não é mais impossível.

Que outras propostas foram apresentadas?
Estamos discutindo como ter um mercado real de carbono e como isso pode impactar a economia. Assim você fomenta práticas sustentáveis. Estamos discutindo como a tecnologia pode ajudar e como podemos trabalhar políticas públicas para fazer toda uma reforma fundiária e que regulamente e monitore as terras e as áreas protegidas. Estamos discutindo como rastrear e certificar a cadeia de suprimentos, principalmente no agro, para a gente não sofrer embargos.

Por que temos tão poucas mulheres CEOs?
Porque o mundo é machista. Simples assim. Aqui não é um crítica. É uma simples constatação da realidade. O mundo corporativo é masculino. As mulheres são machistas e os homens são machistas. Nós precisamos, em primeiro lugar, empoderar as nossas meninas para elas acreditarem nelas. Tem vários estudos que mostram que, por volta dos sete e oito anos de idade, meninos e meninas acreditam que podem tudo. Quando você faz a mesma pesquisa para crianças na faixa de dez a doze anos, as meninas já têm uma falta de autoestima e um problema de acreditar nelas muito maior do que os meninos. O segundo aspecto é que a mulher entrou no mercado de trabalho muito recentemente. E você vê que quem está no comando são homens, brancos e com o mesmo padrão de educação. É muito comum a gente se cercar de iguais. Quem contrata é o homem, quem promove é o homem. O tema diversidade vem sendo falado só há dez anos. A percepção da importância da diversidade como imperativo de negócios é muito recente. Só agora o homem está percebendo que se ele não trouxer mais mulheres, mais negros e pessoas com deficiência, está limitando a capacidade criativa da empresa e de entender certos públicos que são seus consumidores. A percepção está melhorando, o que é importante, mas é uma jornada e não é uma jornada fácil. Algumas empresas estão caminhando bem. Outras ainda têm muito o que aprender.

“Só agora o homem está percebendo que se ele não trouxer mais mulheres, mais negros e pessoas com deficiência, está limitando a capacidade criativa da empresa”

Como a Microsoft está caminhando no Brasil?
Estamos caminhando bem. Metade do meu time de lideranças é de mulheres. No mundo, temos 38% de mulheres presidentes de países. Isso não é fácil e não é natural. No universo de TI, só 17% dos profissionais graduados são de mulheres. Isso requer um esforço adicional da companhia na busca, porque não vem naturalmente. Temos processos altamente inclusivos, mas no nível técnico ainda tenho um nível muito baixo de mulheres. O meu número de negros é também muito baixo. Aqui a gente tem de trabalhar e precisa ser intencional, porque não é só com vontade que você vai mudar. Neste ano, contratamos a “Mais Diversidade” para nos ajudar a trazer currículos que são considerados minorias sub-representadas: mulher na área técnica, negros e negras e pessoas com deficiência. Eu quero ver o ponteirinho do relógio se mover de forma mais rápida do que está se movendo.

Mas o que já existe de concreto nessa área?
Estamos mudando o processo de recrutamento. Recrutávamos os nossos estagiários e trainees em faculdades de primeira linha. Mas você exclui um monte de gente quando faz isso. Costumo dizer que se esse fosse o quesito para contratar a presidente da Microsoft talvez a Tânia não tivesse sido contratada. Eu fiz Engenharia Elétrica num curso noturno, pois trabalho desde os 16 anos. Era uma faculdade boa, mas não era a Top 3 de engenharia em São Paulo. É lógico que educação você tem de buscar de forma constante e recorrente, mas isso não pode ser um impeditivo para entrar e crescer no mercado de trabalho. Tiramos esse requisito: faculdade de primeira linha não existe mais aqui no Brasil. Inglês mandatório para o estagiário? Também não existe mais, porque você limita uma parcela da população que não tem acesso à educação. Não tem mais aquela desculpa de que não tem negro qualificado ou mulher qualificada. Não vem com esse papo, porque temos um monte de currículos.

A Microsoft não cogita fazer algo na linha do Magazine Luiza, que criou um programa de trainee exclusivo para negros?
Não. Eu sigo alguns programas globais. Mas o que a gente faz é ter um olhar intencional para a diversidade. Se no meu programa de trainees ou de seleção de um especialista em nuvem não tiver mulher como finalista, eu não deixo seguir com o programa. Vai barrar em mim e vou ser o gargalo dos processos de recrutamento. Se as mulheres são 50% da população, quero mulheres como 50% dos candidatos. Eu quero também negros na maior representatividade possível. É uma cota indireta, mas não é uma cota explícita.

No começo do ano, a Microsoft lançou um fundo de venture capital para investir em startups fundadas por mulheres. Como evoluiu esse projeto?
Temos várias iniciativas para apoiar startups. Mas com aporte financeiro criamos um fundo em 2014 e investimos em 15 startups. Fui fazer uma avaliação. Quem fundou? Homens. Quem gerencia? Homens. Homem, homem, homem nas 15 startups. Falei que tínhamos que mudar isso. Começamos a conversar. Primeiro constatamos que as mulheres acessam pouquíssimo capital. De todo dinheiro disponível em venture capital, as mulheres acessam só 2,7% no mundo. No Brasil, é 2,2%. Precisávamos mudar isso. Mas a resposta que me deram é que mulher não se interessa por tecnologia. Geralmente, damos respostas simples para problemas complexos. Decidimos montar esse fundo, chamamos algumas empresas para ser nossas parceiras e lançamos com a Flextronics e com o Laboratório Sabin. Agora, a Multilaser está entrando. A gente queria investir em cinco startups, mas, para nossa surpresa, investimos em 18. Recebemos 924 inscrições de startups, todas fundadas por mulheres. Isso mostrou que existe um mercado reprimido e com um monte de mulher que quer trabalhar com tecnologia e que tem o sonho de impactar. Mas ela vê esse sonho sendo abortado por falta de capital.

Como a Microsoft está se preparando para uma possível segunda onda da Covid?
Estamos em trabalho remoto desde 17 de março. Por sorte ou por desenho de negócio, podemos trabalhar de casa. Do ponto de vista tecnológico, tenho todos os recursos para trabalhar de casa de forma segura e produtiva. Nesse aspecto, não é um problema. Não vamos voltar para o escritório esse ano. Existe uma tentativa de voltar para o escritório, de forma gradual, a partir do início do ano que vem. Mas isso depende das condições sanitárias. Estamos olhando para os índices. Do ponto de vista da Microsoft, estamos preparados. Se tivermos que continuar em home office, vamos continuar. O que eu quero é garantir a saúde e a segurança dos meus funcionários: 95% do time está dentro de casa e 5% são as equipes que ficam nos data centers. O que estamos fazendo é reforçando a infraestrutura para que nosso cliente possa seguir trabalhando de forma remota.

Qual a sua expectativa, do ponto de vista econômico, para 2021?
A recuperação econômica já existe. Mas é lógico que não é em todos os setores. Há setores que foram brutalmente impactados. E outros que foram acelerados. Você analisa a construção civil, que está retomando e está em níveis bastante interessantes. Estou fazendo uma reforma na minha casa, você não consegue comprar dobradiça para porta. Mas aqui tem um fator. As empresas não dizem que o caixa é rei? A primeira coisa que você faz é diminuir os estoques. E com isso a cadeia de suprimentos se rompeu e hoje ninguém fornece nada. Percebemos isso como consumidor: está faltando produtos em algumas áreas. Eu acho que tem um crescimento econômico que precisa ser transformado em PIB e em emprego. Esse é o grande desafio.

Mas você está otimista?
Sim, acredito que tenho grandes possiblidades de continuar impactando. O negócio de tecnologia vai ter muito espaço para trabalhar.

Mas a Microsoft está num setor que não sofreu com a crise.
Sim, uma coisa é você ser um hotel, que do dia para a noite suas reservas foram canceladas e o faturamento caiu para zero. Mas os funcionários estão lá e o custo fixo está lá. Isso não aconteceu com a Microsoft. Mas fomos impactados porque tivemos uma sobrecarga na infraestrutura. Eu não posso deteriorar o serviço. Preciso colocar mais dinheiro para acelerar investimentos. Eu tinha expectativa de faturamento de grupos de clientes que se desmantelaram. Mas migraram para outros grupos. Todos os negócios foram impactados, inclusive o nosso. Mas temos muitas oportunidades, porque a transformação dos negócios vai se dar através do uso de tecnologia. E conseguimos desmistificar o tema tecnologia. Até a padaria teve que colocar um aplicativo para fazer delivery.

“O Covid nos obrigou a ser mais empáticos e humildes. Ele mostrou a vulnerabilidade do humano. Isso foi forte e bem chocante”

Empresas e executivos, em geral, não gostam de se posicionar ou de tomar partido. Mas de uns tempos para cá, algumas empresas e alguns executivos resolveram se posicionar. E estão levando pancada por conta disso. Esse é o novo normal?
O Covid nos obrigou a ser mais empáticos e humildes. Ele mostrou a vulnerabilidade do humano. Isso foi forte e bem chocante. É importante que individualmente ou coletivamente empresas levem temas para outro nível de discussão. Sem ideologia, sem negacionismo, sem criticar, sem apontar dedos. Não importa se eu gosto do partido A ou do B. O que importa é que o Brasil tem um problema. E nós brasileiros temos que resolver esse problema. Acho que precisaríamos de mais gente pensando assim.

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