Assaí é o preferido do “carrinho” da XP. Mas com ressalvas

Em relatório, a XP destacou questões como os testes para um posicionamento de loja mais premium da rede de atacarejo. Mas reduziu o preço-alvo da ação sob um “cenário macro mais desafiador”

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Nos primeiros nove meses de 2021, o lucro líquido do Assaí cresceu 54,1%, para R$ 1,08 bilhão

Na semana passada, Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday, analistas da XP, decidiram visitar uma das lojas do Assaí no Rio de Janeiro. E o “passeio” pela unidade foi uma das bases para um relatório publicado pelos três analistas da XP.

A rede de atacarejo segue sendo a preferida do setor no “carrinho” dos três analistas. Eles mantiveram a recomendação de compra para o papel da empresa. Mas reduziram o preço-alvo da ação, de R$ 23 para R$ 21.

“Estamos ajustando nossos números para incorporar os resultados recentes, assim como um cenário macro mais desafiador”, escreveu o trio, que ressaltou: “Continuamos construtivos com a companhia, pois vemos perspectivas de um crescimento sólido à frente, com a recuperação do B2B, inflação estável e o andamento do plano de expansão.”

A nova avaliação veio acompanhada da revisão das estimativas de Ebtida e lucro líquido da operação para 2022 e 2023. No primeiro indicador, a XP reduziu suas projeções em 4% e 3,3%, respectivamente. E na última linha do balanço, em 5,8% e 4,7%.

Ao mesmo tempo, o relatório destacou os testes que estão sendo realizados pelo Assaí em determinadas lojas, com a proposta de tornar essas unidades mais aderentes a locais mais premium e consumidores de maior poder aquisitivo.

“Isso traz uma leitura para as conversões das lojas do Extra, uma vez que esperamos que elas tenham uma proposta de valor diferenciada, devido às suas localizações mais centrais”, afirmaram os analistas, em uma referência à compra, em outubro deste ano, de 71 lojas do Extra Hiper, por R$ 5,2 bilhões.

Entre as mudanças que traduzem esse posicionamento e que foram vistas na unidade visitada, o relatório da XP destacou fatores como a adição de marcas premium selecionadas, como massas gourmet; uma seção dedicada a vinhos; balcões de açougue e frango assado; ilha de frios; área de frutas legumes e verduras mais robusta; e uma cafeteria.

Os analistas observaram que esse modelo deve ser bastante competitivo e permitir que a rede ganhe participação sobre os hipermercados, dado que o formato oferece uma alternativa one stop shop, a preços mais atrativos.

E apontaram outros dois fatores positivos na comparação com o modelo de hipermercados: o fato de o Assaí também atender à demanda do B2B, o que amplia o seu mercado endereçável e tíquete médio. E, ainda, a otimização logística, com 70% dos itens de menor valor agregado sendo entregues diretamente nas lojas.

Nos primeiros nove meses de 2021, o Assaí reportou um lucro líquido de R$ 1,08 bilhão, alta de 54,1% sobre igual período, um ano antes. Nesse intervalo, a receita líquida da operação cresceu 20,1%, para R$ 30,3 bilhões.

Desde a cisão do Assaí e do GPA, no início de março deste ano, as ações da rede de atacarejo acumulam uma desvalorização de pouco mais de 3%. O Assaí está avaliado em R$ 18,7 bilhões.

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