Avenue entra em outro jogo para buscar os clientes com “bolsos mais fundos”

A empresa, que até agora oferecia investimentos em equities em bolsa nos EUA, passa a disponibilizar fundos de investimentos de várias casas e carteiras administradas em parceria com a BlackRock. Ela mira um mercado de mais de R$ 100 bilhões

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O empresário Roberto Lee, CEO e fundador da Avenue Securities, faz um balanço sobre a operação da corretora americana voltada a brasileiros e começa a elencar os números. “São mais de 400 mil contas abertas na corretora, R$ 7 bilhões sob custódia e 70 mil clientes no banking”, diz ele sobre a conta bancária lançada no fim de agosto.

O time, que era formado por 40 pessoas em janeiro, acaba de chegar a 270 pessoas. Os dados mostram que a empresa se consolidou com os investidores de varejo, com um tíquete médio de US$ 15 mil. Mas, segundo Lee, a Avenue entra agora em outro jogo. “Chegou a hora de competirmos pelos clientes de bolsos mais fundos”, diz o fundador da corretora ao NeoFeed.

Por bolsos mais fundos, entenda-se contas que vão de US$ 100 mil a US$ 1 milhão. Para isso, a companhia, que até então oferecia a possibilidade de investir em equities em bolsa, está ampliando seu leque. A empresa começa a oferecer fundos de investimentos das principais casas americanas e também carteiras recomendadas em parceria com a gestora BlackRock.

Ao virar essa chave, Lee explica que muitos clientes com contas em bancos americanos começaram a transferir recursos para as contas da Avenue. “O mercado de fundos que acessam offshore no Brasil supera R$ 100 bilhões”, diz ele. A meta da Avenue é fazer uma curadoria de fundos de consagradas casas como J.P. Morgan, Morgan Stanley, BlackRock, entre outras. E abocanhar metade desse naco bilionário.

“Dos milhares de fundos que são oferecidos no mercado americano, vamos filtrar para 150”, diz Alexandre Artmann, sócio e COO da Avenue. “Se colocássemos 7 mil fundos na plataforma, iríamos mais confundir do que ajudar os nossos clientes. Vamos escolher baseados em qualidade.”

Outra estratégia que a empresa vai adotar para levar mais investidores brasileiros aos EUA é oferecer os fundos que são acessados de forma indireta no Brasil, os chamados feeder funds, que, segundo Lee, embutem até 1,2% de cobrança a mais ao ano. “Com a gente, eles serão acessados diretamente, sem a necessidade de intermediários e de pagar pedágio.”

Para aplicar nos fundos, os aportes iniciais são de, em média, US$ 1 mil. Por enquanto, os clientes wealth já estão transferindo suas carteiras montadas em outros bancos para a corretora e têm feito novos aportes com atendentes pelo telefone. Até o fim do ano, poderão fazer pela tela do app, o que estará disponível para todos.

“Estamos virando o patamar da companhia, saindo de uma empresa pure equities para investimentos mais amplos”, afirma Lee. E prossegue. “Vamos competir de verdade com os grandes players, com BTG, XP, Bradesco, por esses clientes de bolsos mais fundos.”

“Vamos competir de verdade com os grandes players, com BTG, XP, Bradesco, por esses clientes de bolsos mais fundos”, diz Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue Securities

A outra tacada da Avenue para atingir esses clientes é a criação das carteiras administradas. A corretora fechou uma parceria com a BlackRock e, baseado no perfil do cliente, seja conservador ou agressivo, a gestora vai sugerindo e balanceando os investimentos em seus ETFs. “Para clientes que não querem, eles mesmos tomarem as decisões.” Outras gestoras deverão entrar na base de carteiras administradas da corretora.

Os dois novos produtos somam as contas PIC (Personal Investment Company), a boa e velha offshore. Quem tem mais patrimônio, costuma montar esse tipo de empresa e a Avenue está ajudando os clientes wealth a ter essa estrutura. “Nossos clientes podem montar uma conta PIC em 24 horas”, afirma Artmann.

A Avenue, afirma Lee, deve fechar o ano com 500 mil clientes e R$ 9 bilhões sob custódia. A corretora tem trazido, em média, R$ 500 milhões por mês, mas aposta alto que, com os novos produtos, essa captação deve dobrar.

“Os grandes investidores investem nos Estados Unidos, nesses produtos, por meio de PICs. Estamos pegando essas estruturas que eram só para esses caras e descendo para alta renda e varejo”, diz Lee. “Agora começamos a competir de verdade.”

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