Bexs investe no PIX como atalho para pagamentos internacionais

O banco de câmbio digital já movimenta mais de um milhão de transações diárias com uma solução que usa o PIX para a liquidação de remessas internacionais de empresas como TikTok e Avenue. O CEO Luiz Henrique Didier Jr. conta os detalhes ao NeoFeed

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Luiz Henrique Didier Jr., CEO do Bexs

Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o PIX já conquistou um bom espaço no dia a dia dos brasileiros. Em maio, o sistema concentrou 649,1 milhões de transações e, desde o seu lançamento, já movimentou mais de R$ 1,5 trilhão.

Na trilha dessa popularidade, o sistema prevê uma série de novas aplicações. Sua evolução passa, por exemplo, pelas discussões sobre o PIX Internacional. Enquanto essa modalidade não se torna realidade, já há quem esteja testando a plataforma do BC como parte de operações envolvendo outras fronteiras.

Esse é o caso do Bexs, banco que atua com câmbio e pagamentos digitais e que tem clientes como a Ebanx, responsável pelo processamento de pagamentos de  serviços como AliExpress e Spotify. A empresa lançou uma opção em seu portfólio que usa o PIX como um atalho para agilizar pagamentos e remessas internacionais.

“Nossa ideia é ter o câmbio 100% digital, mas a regulação ainda não permite isso”, diz Luiz Henrique Didier Jr., CEO do Bexs, ao NeoFeed. “Então, temos usado a evolução do setor de pagamentos para oferecer parte dessa experiência. E, nesse contexto, o PIX traz uma grande oportunidade.”

A solução começou a ser testada no fim de 2020 com dois clientes. O primeiro deles, o TikTok, para o pagamento de usuários locais pelas visualizações de seus vídeos e indicação do app a amigos. E o segundo, a corretora Avenue, para a remessa ou resgate de valores de brasileiros que investem no exterior.

A oferta traduz exatamente a abordagem descrita por Didier Jr. O Bexs usa o PIX dentro do limite permitido hoje pela regulação. Ou seja, quando o dinheiro ainda está ou já chegou ao Brasil. Fora dessa fronteira, a transação segue os ritos e trâmites tradicionais do mercado de câmbio.

“A legislação permite fazer a operação de câmbio e determinar a taxa em qualquer dia, desde que eu a registre no próximo dia útil”, diz Didier Jr. “E eu também posso liquidar o valor da transação em reais em qualquer dia e horário, se houver uma alternativa para que seja feito. E o PIX permite isso.”

Na prática, o PIX substitui o que antes era feito via TED. E com a liquidação por meio do sistema do BC, para o usuário, a operação é instantânea. Os valores são enviados e recebidos imediatamente, sem restrições de dia ou horário da semana.

Segundo o executivo, essa configuração traz outros ganhos na comparação com o processo tradicional. “Eu diria que a operação é três vezes mais fluída e seu custo composto é dez vezes mais barato”, observa.

O Bexs estendeu a solução a todos os seus clientes a partir de abril. Hoje, mais de 15 empresas já usam essa alternativa, entre elas a rede de pagamentos cross border Thunes e a companhia americana de streaming FanHero.

“Já alcançamos o patamar de mais de um milhão de transações diárias com uso do PIX”, conta Didier Jr. Nesse contexto, 75% das operações de remessas internacionais do Bexs já são realizadas via PIX. O tíquete médio dessas transações é de R$ 15.

Com esse volume, o Bexs aguarda outras aplicações do PIX para identificar novas oportunidades a serem exploradas. A grande expectativa, no entanto, recai mesmo sobre o PIX Internacional, que abrirá diversos outros campos para a empresa, entre eles as transações cross border do e-commerce.

Procurado pelo NeoFeed, o Banco Central afirmou, em nota, que “o PIX Internacional está em estudo e faz parte da pauta de avanços do PIX, sem previsão de implementação”. O mercado, porém, trabalha com a perspectiva de que esse recurso esteja disponível entre 2023 e 2024.

Head de produtos da Topaz, empresa de soluções financeiras do grupo Stefanini, Flávio Gaspar também prevê que o PIX Internacional possa entrar em vigor nesse prazo. Mas destaca alguns desafios a serem superados para que isso aconteça.

“Há questões bem complexas em termos de tecnologia e regulação. Os bancos centrais vão ter que orquestrar esse processo”, diz. “E existe uma grande chance de haver lobbies contrários de empresas tradicionais de câmbio e de outros elos da cadeia que podem perder espaço nesse novo cenário.”

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