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Bill Ackman quer combater a desigualdade social para salvar o capitalismo

Gestor do fundo Pershing Square Capital defendeu, em carta aos investidores, algumas soluções para melhorar a distribuição de renda. Criação de conta de investimento a todos os bebês nascidos nos EUA e sistema de investimento obrigatório, similar ao australiano, foram explorados no memorando

 

Bill Ackman tem fortuna avaliada em US$ 2 bilhões, pela Forbes

O investidor americano Bill Ackman figura na lista de bilionários da Forbes desde 2013, nove anos após fundar a sua empresa de hedge fund Pershing Square Capital. A fama do empresário cresceu junto com o portfólio de seu fundo, que saltou dos US$ 54 milhões iniciais para os atuais US$ 7,7 bilhões. Sua fortuna particular, hoje, é de US$ 2 bilhões.

Considerado um investidor agressivo, Ackman é favorável a correr riscos nos negócios e nos discursos – tanto que não é um homem de meias-palavras. Em sua última carta a parceiros e acionistas da Pershing Square Capital, o gestor foi direto ao ponto: “o Sonho Americano se transformou em uma decepção ou pior para muitas pessoas”, escreveu.

Nos parágrafos dedicados a analisar o cenário atual, o magnata expressou sua preocupação com a desigualdade social e disse que, caso esse problema não seja solucionado, talvez se torne um “cisne negro” – como são chamados os riscos imprevisíveis, de grandes impactos.

Embora admita que o capitalismo não é um sistema perfeito, ele reconhece que esse modelo econômico é, “de longe”, o melhor para maximizar o tamanho da “torta econômica”. Por outro lado, o empresário salienta que os salários não acompanharam a criação de riqueza a longo prazo, o que “favoreceu desproporcionalmente os ricos e a classe média alta”.

Para explicar a dimensão do problema que essa má distribuição de renda pode gerar, Ackman escreveu: “assim como aqueles que alugam suas casas não nutrem afeto pelos proprietários dos imóveis, os cidadãos americanos que não participam com propriedade do sucesso do capitalismo, e sofrem economicamente, tendem a se virar para o socialismo ou outras alternativas.”

O gestor afirmou que há várias possíveis soluções para esse desafio e citou duas delas. A primeira pediria que o governo criasse e financiasse uma conta de investimento para cada criança nascida nos EUA. “Esses investimentos seriam feitos em índices a custo zero e o resgate só seria autorizado na aposentadoria. Numa taxa histórica de retorno de 8% ao ano, uma conta de US$ 6.750 estabelecida ao nascer, ofereceria uma aposentadoria de US$ 1 milhão 65 anos depois”, explicou.

Ackman calcula ainda que o financiamento desse projeto custaria US$ 26 bilhões por ano, caso a taxa de natalidade se mantenha a mesma. Uma outra hipótese para reduzir a desigualdade social seria obrigar que as empresas dediquem uma parte do salário de seus funcionários a contas de investimento livres de impostos.

Essa conta, de novo, só poderia ser acessada mediante aposentadoria, num sistema bastante parecido com o praticado pelo governo australiano. “Desde o lançamento deste modelo, em 1991, a Austrália gerou US$ 2,7 trilhões em ativos – duas vezes mais que o PIB do país”, defende. Ackman lembra ainda que, com isso, a Austrália criou o quarto maior sistema de pensão do mundo.

Por fim, Ackman lembrou que a bolsa de valores reflete as maiores e mais fortes companhias, e não a economia como um todo. “Se existisse um índice para pequenas empresas privadas, ele possivelmente estaria caindo 50% ou mais. E a falência dos pequenos negócios vai piorar a desigualdade social”.

Paralelo à sua preocupação com o estado da economia global, Ackman e a Pershing Square Capital entregaram um bom resultado no primeiro semestre deste ano, com suas ações subindo 23,7% e 37,3% nos primeiros dois trimestres de 2020, respectivamente.

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