Brasileira Semantix chega à Nasdaq e testa humor de investidores com ativos tech

Em meio a uma forte correção de valores de ativos tech, a Semantix, que atua com big data e inteligência artificial, abre o capital na Nasdaq com a fusão com SPAC Alpha Digital e os recursos da Innova Capital

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Veronica Serra, da Innova Capital, Leonardo Santos (centro), da Semantix, e Rafael Steinhauser, da Alpha Capital

Em um raro momento para um empreendedor brasileiro em 2022, o fundador e CEO da Semantix, Leonardo Santos, toca o sino da Nasdaq nesta manhã de quinta-feira, 4 de agosto, após concluir sua fusão da companhia com o Alpha Capital, a SPAC que tem como sponsors Alec Oxenford e Rafael Steinhauser.

O IPO da Semantix, uma empresa de big data e inteligência artificial, tem também como âncora a Innova Capital, gestora de investimentos de Veronica Serra, que fez um PIPE de US$ 94 milhões que assegurou a abertura de capital. O Bradesco, que já é um dos sócios da empresa, está aumentando sua aposta através da SPAC da Alpha Capital. A Crescera Capital, que detém uma fatia da companhia, também está fazendo um novo cheque.

A Semantix, a primeira deep tech brasileira a abrir o capital nos EUA, chega ao mercado público em um momento em que as cotações das principais empresas de tecnologia estão em queda livre, em uma grande correção de valor dos ativos com a aversão dos investidores a risco. Soma-se a isso fatores macroeconômicos, como o aumento de juros no mundo e a guerra da Ucrânia.

“Não estamos olhando o mercado de curto prazo, somos uma companhia de crescimento acelerado e lucrativa”, diz Santos, em entrevista ao NeoFeed. “Para uma companhia que tem esses fatores é uma baita de uma oportunidade.”

A Alpha Capital, que captou US$ 230 milhões em seu SPAC, definiu seu alvo em novembro do ano passado. A valuation era de US$ 1 bilhão, se todos os investidores do veículo não fizessem resgates. Mas o NeoFeed apurou que apenas entre 10% e 15% seguiram com o investimento. Com isso, a Semantix deve chegar a Nasdaq valendo aproximadamente US$ 900 milhões (post-money), incluído o recurso do PIPE.

A partir de agora, a Semantix, fundada em 2010 por Santos, vai ter de provar aos investidores sua tese de que os dados são o novo petróleo. “O setor de data analytics e inteligência artificial é uma das categorias mais interessantes para um futuro próximo”, diz Rafael Steinhauser, da Alpha Capital, ao NeoFeed, ao justificar a fusão da SPAC com a Semantix. “Todas as empresas vão se tornar uma empresa de dados. É só uma questão de tempo.”

A Semantix projeta uma receita líquida de US$ 58 milhões para 2022, com 46% de margem. O índice de retenção de receita (NRR) é de 133% e o crescimento médio anual estimado de 2021 a 2023 é de 39%. São mais de 300 clientes, distribuídos em 15 países. Entre eles, os quatro maiores bancos do Brasil, os principais birôs de tecnologia e as maiores companhias de telefonia. Mais de 80% dos contratos são de longa duração.

“Estamos preparados para bastante volatilidade neste começo”, diz Veronica Serra, sócia da Innova Capital, ao NeoFeed. “Não somos um investidor de curto prazo. O mercado está cíclico e nesses momentos de baixa são os melhores para se investir. Inclusive para fazer aquisições.”

A Semantix vai usar os recursos do IPO para expansão geográfica na América Latina. Mas a companhia quer ganhar espaço também nos Estados Unidos, para onde o fundador Santos se mudou – ele está atualmente baseado em Miami. A Europa é outra região que deve receber atenção da companhia brasileira. O dinheiro também será investido em M&As pontuais, bem como para atrair talentos.

Antes mesmo do IPO, a companhia brasileira reforçou a sua equipe. Mathias Rech, ex-iFood, Kraft Heinz e DIAM Group, foi contratado como diretor de recursos humanos. Chegou também Marcela Bretas, ex-B3, como diretora de estratégia. Cerca de 100 novos funcionários foram contratados – atualmente são 650 empregados espalhados pelo mundo. A companhia tem escritórios em São Paulo, Miami, Cidade do México e Bogotá.

O modelo da Semantix é o de SaaS (software as a service), no qual ela ganha uma receita recorrente com a assinatura de sua plataforma, uma espécie de “one-stop-shop” para as empresas que querem extrair valor de seus dados. “Entregamos toda a jornada: da gestão até a monetização dos dados”, diz Santos.

De acordo com Santos, o que a Semantix faz é realizado por diversos fornecedores. Em uma apresentação entregue a investidores, um slide compara a Snowflake, Databricks e Fivetran com a deep tech brasileira e avalia que ela integra, em um único lugar, todos os recursos das três empresas.

Nesta mesma apresentação, a Semantix diz o mercado em que atua deve atingir US$ 89 bilhões em 2024. Agora, como uma empresa pública, terá de mostrar que será capaz de extrair valor dos dados não só para seus clientes. Mas para si própria.

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