Carrefour reforça aposta em preço para ganhar volume e “fechar a conta”

O Carrefour aposta em uma estratégia agressiva de preços para combater os impactos da inflação no bolso do consumidor, escalar as vendas e ganhar market share

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O Carrefour Brasil está avaliado em R$ 37,1 bilhões

Diante da escalada da inflação, encontrar uma estratégia capaz de equilibrar rentabilidade e a necessidade de atender a um consumidor com o poder de compra cada vez mais impactado tem sido um desafio diário para os varejistas.

Entretanto, o Carrefour parece ter encontrado uma fórmula para “fechar essa conta”. Ao menos no segundo trimestre deste ano. Na manhã desta quarta-feira, 27 de julho, ao divulgar seu resultado referente ao período, a operação brasileira do grupo superou boa parte das estimativas de analistas.

Para reportar resultados acima das expectativas do mercado, a rede apostou em uma estratégia de preços mais agressiva para ganhar volume e participação de mercado, dando sequência aos esforços adotados no primeiro trimestre de 2022.

“Fizemos um investimento em preços no primeiro trimestre, que teve uma consequência positiva e que foi bem recebido pelos clientes e asseguramos volumes positivos”, disse Stéphane Maquaire, CEO do Carrefour Brasil, em conferência com analistas.

O executivo acrescentou: “Estamos acompanhando esse momento de cenário inflacionário e de poder aquisitivo corrompido. Nós ajustamos no segundo trimestre e vamos continuar dessa forma nos próximos meses. Não vejo uma mudança forte nessa dinâmica até o fim do ano.”

O grupo destacou algumas mudanças no comportamento de compra dos consumidores. Entre eles, o aumento na frequência de visitas dos clientes e a diminuição dos tíquetes médios e dos itens por compra, além de um aumento da penetração dos produtos de marca própria, de 20% no trimestre.

Nesse cenário, entre maio e junho, o Carrefour apurou um lucro líquido de R$ 690 milhões, o que representou um crescimento de 10,6% sobre igual período em 2021. O lucro líquido ajustado, por sua vez, foi de R$ 600 milhões, alta anual de 1,3%.

Já a receita líquida cresceu 35,9%, para R$ 24 bilhões. Tradicional carro-chefe da operação, o Atacadão reportou uma receita líquida de R$ 16,6 bilhões, um salto de 29,8%, enquanto o Carrefour Varejo registrou R$ 5,6 bilhões no indicador, alta de 16,1%.

“O que vimos no segundo trimestre é parte do modelo do Atacadão”, afirmou David Murciano, CFO do Carrefour Brasil. “Temos capacidade financeira no balanço e se temos um momento em que podemos apoiar e fazer uma ação mais forte, iremos fazer. Vamos seguir assim.”

O grupo também citou dados da consultoria Nielsen para destacar um ganho de 1,2 ponto percentual em participação de mercado no período. A dinâmica foi acompanhada, no entanto, da piora nas margens da operação, na comparação com igual período de 2021.

A margem bruta no trimestre foi de 19%, contra 20,4%, há um ano, enquanto a margem Ebitda recuou de 7,8% para 7,1%. A rede ressaltou, porém, que essa queda foi acompanhada por uma forte diluição nas despesas de vendas, gerais e administrativas, que ficaram em 12%, contra 12,7% há um ano. Outro ponto destacado foi o Ebtida ajustado recorde de R$ 1,71 bilhão, alta anual de 24,5%.

“Sabemos que o segundo semestre tem uma sazonalidade mais favorável, então, não temos nenhuma preocupação de evolução das margens”, disse Murciano. “Ainda observamos um downtrade em algumas categorias e regiões, mas também teremos a ajuda do auxílio do governo que irá entrar e ajudar no crescimento das vendas e do tíquete médio.”

Olhando para o segundo semestre, o Carrefour também enxerga perspectivas de melhoras em categorias que vêm apresentando um desempenho em vendas inferior nos últimos trimestres, entre elas, a de eletrodomésticos.

“Em junho, já tivemos um aumento nas vendas da categoria, que está se recuperando”, disse Maquaire. “E estamos nos preparando fortemente para a Copa do Mundo e também para a Black Friday com outros elementos de dinâmica comercial para termos vendas mais fortes.”

O executivo também vê boas oportunidades de ganho de escala a partir da integração do grupo BIG, cuja aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio e foi concluída no início de junho.

Uma primeira onda de conversões das bandeiras do BIG, envolvendo 13 lojas do Atacadão e três do Carrefour, deve ser finalizada até meados de novembro. E uma segunda trilha dessa estratégia terá início em setembro.

Em relatório, o Itaú BBA ressaltou os primeiros ganhos e sinergias dessa integração, além da contribuição inicial do BIG para os resultados, com indicadores relativos ao mês de junho. O banco deu maior destaque, porém, justamente aos avanços obtidos com a estratégia de precificação da rede.

“Os números do Carrefour no segundo trimestre superaram nossas estimativas. A divisão de atacarejo foi o destaque, mostrando um forte impulso de vendas e uma demanda positiva da elasticidade de preços”, escreveram os analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes.

O trio também observou que a divisão de varejo apresentou melhora nos indicadores, com uma alta anual de 10,5% nas vendas em mesmas lojas acima e a “rentabilidade voltando a patamares históricos”.

O mercado de capitais também parece ter “comprado” os indicadores da rede. Por volta das 12h50, as ações do Carrefour estavam sendo negociadas com alta de 5,25% na B3. No ano, os papéis da companhia, avaliada em R$ 37,1 bilhões, acumulam uma valorização de 15,6%.

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