Negócios

Com R$ 2 bilhões no caixa, Somos Educação pretende ir às compras

Depois de seu IPO na Nasdaq, em agosto, a empresa B2B de educação básica da Cogna quer encorpar o portfólio com aquisições de sistemas tradicionais de ensino e edtechs. Em entrevista ao Conexão CEO, Mario Ghio, diretor-presidente da companhia conta essa estratégia e fala sobre as perspectivas da educação pós-pandemia

 

Em 12 de março, Mario Ghio, CEO da Somos Educação, reuniu os executivos da empresa, o braço B2B de educação básica da Cogna. A Covid-19 havia desembarcado no País semanas antes e era preciso se preparar para o fechamento das escolas no País, incluindo aí, aquelas atendidas pela companhia.

As três semanas previstas por ele para que a quarentena alcançasse os colégios tornaram-se dez dias. A Somos montou, então, uma operação de guerra. Um grupo de 400 pessoas trabalhou durante 93 dias ininterruptos para adaptar a Plurall, plataforma de aprendizagem da empresa para a nova realidade.

Com o desafio controlado, vieram os resultados. O uso da Plurall passou de 400 mil alunos, antes da pandemia, para os atuais 1,3 milhão de estudantes. Atualmente, mais de 70 mil aulas são ministradas diariamente pela plataforma, usada por 4,2 mil escolas privadas e 107 mil professores.

A plataforma passou também em outro teste. Em agosto, a Somos, por meio da Vasta, sua marca de interação com o mercado financeiro, abriu capital na Nasdaq, disposta a consolidar sua proposta de empresa de tecnologia que entrega educação. No IPO, a companhia captou US$ 406 milhões (R$ 2 bilhões), acima da faixa de preço indicativa, e foi avaliada em R$ 8,4 bilhões.

“Fizemos um roadshow 100% digital, com mais de 89 reuniões, ao longo de 11 dias. E vários investidores queriam olhar apenas o slide da Plurall”, diz Ghio, em entrevista ao programa Conexão CEO (vídeo completo acima). “E a pandemia nos ajudou a mostrar que cumprimos o que prometemos.”

Metade do valor captado foi aplicado no pagamento de dívidas. Os outros 50% restantes já têm destino certo: as aquisições para encorpar ainda mais o portfólio, sob a perspectiva da evolução da educação para um modelo híbrido, mesclando aulas presenciais e recursos digitais.

A cifra disponível para saciar o apetite por consolidação foi, no entanto, reforçada. “Na prática, temos R$ 2 bilhões para aquisições”, afirma Ghio, referindo-se a R$ 1 bilhão adicional de geração de caixa. “Se eu não conseguir fechar acordos será por incompetência minha, não por falta de dinheiro.”

Com o cofre cheio, a estratégia seguirá duas teses. Na primeira, a Somos vai buscar incorporar marcas tradicionais de sistema de ensino. Hoje, nesse segmento, a companhia já tem bandeiras como Anglo e Pitágoras. “Precisamos de marcas que representem filosofias pedagógicas diferentes, com preços diferentes, para atuar em todo o País”, explica o executivo.

Na segunda abordagem, o foco é adquirir edtechs, cujas ferramentas possam ser plugadas na Plurall. Na mira estão desde conceitos como inteligência artificial e correção automática de provas até a estruturação de possíveis novas ofertas, como um “Uber de aulas particulares” e uma solução de educação financeira para que os pais gerenciem os gastos dos filhos.

“Nossa ambição é grande e já estamos em estágios avançados em conversas interessantes”, observa Ghio. “A perspectiva é, até o fim do ano, poder começar a anunciar aquisições dessas duas naturezas.”

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