Condomínio completo: Lello investe em aceleração e nos aportes em startups

Para ir além do seu modelo tradicional, a gestora de condomínios promove uma nova edição do seu programa de aceleração e vai investir ao menos R$ 20 milhões em empresas de tecnologia em 2022

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A Lello faturou R$ 150 milhões em 2021 e prevê um crescimento de 20% nesse ano

Antes mais engessado, o mercado imobiliário passou por uma transformação nos últimos com a chegada de novas tecnologias e o avanço de startups, como os unicórnios Loft e QuintoAndar, que trouxeram uma nova dinâmica para o setor. O recado era claro: quem não se modernizasse, iria ficar para trás.

Fundada em 1954 e responsável pela gestão de mais de 3 mil condomínios no País, a Lello captou essa mensagem. Em 2015, o grupo começou a investir na atualização do seu modelo e da sua operação.

Essas iniciativas evoluíram para a criação de uma aceleradora de startups e para aportes em empresas de tecnologia. E agora, como parte dessa estratégia, a companhia está renovando sua aposta nessas duas frentes.

“Nossa ideia é transformar a Lello em um ecossistema de soluções para os condôminos”, diz Antônio Couto, diretor-presidente da Lello, ao NeoFeed. “E o programa de aceleração serve para que encontremos saídas para problemas que incomodam essas pessoas no dia a dia.”

Nessa direção, em abril, a empresa finalizou a escolha de 12 startups que farão parte da segunda edição de seu programa de aceleração. Com duração de até seis meses, ele inclui mentorias com especialistas em áreas como finanças, marketing, gestão, entre outras.

Entre as escolhidas estão empresas como a Visitown, plataforma de visitas voltadas ao mercado imobiliário; a Actum, que usa internet das coisas para monitorar o consumo de água; e a Assistência Maria, que dá suporte para prevenir e combater situações de violência doméstica.

A ideia é escalar a operação das startups para incorporar os serviços na operação do grupo. Na primeira edição do programa, 10 empresas seguiram esse caminho.

Entre elas, estava a Pipee, que desenvolve uma solução biodegradável feita a partir de extratos naturais e que é utilizada no vaso sanitário para reduzir o número de descargas. O líquido elimina os resíduos e o odor da urina sem a necessidade de descarga a cada utilização.

“O nosso produto era vendido apenas para empresas e vimos que havia um grande mercado nas residências”, diz Ezequiel Vedana, fundador e CEO da Pipee. Após o programa, a startup passou a comercializar o produto para o consumidor final, por meio de um e-commerce.

A Lello também se tornou uma das clientes da empresa, o que facilitou o acesso dos moradores dos condomínios administrados pelo grupo ao produto. Atualmente, cerca de 200 mil pessoas usam a solução diariamente e a meta é quintuplicar este número até o fim de 2026.

Do lado da Lello, a aposta está na sustentabilidade e no bolso dos condôminos. O produto da Pipee promete economizar até 10 litros de água com descargas a partir de apenas 1 ml da solução despejada no vaso sanitário.

O menor consumo de água também ajuda a reduzir os gastos. Em abril deste ano, as tarifas de água e esgoto em São Paulo aumentaram 7,6%, segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo.

All inclusive

Ao incorporar novas soluções à sua operação, a Lello entende que tem mais condições de manter seu crescimento frente à competição cada vez mais acirrada do setor. A empresa faturou R$ 150 milhões em 2021 e prevê ampliar essa receita bruta em 20% nesse ano.

Esse crescimento vai impactar diretamente nos investimentos em inovação. Segundo Couto, a empresa investe entre 5% e 7% do seu faturamento no LelloLab, laboratório de inovação criado em 2018 para abraçar projetos de tecnologia, como a aceleradora.

A aceleradora, aliás, é apenas parte de um plano mais amplo da Lello. Para 2022, a empresa reservou entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões para realizar novos investimentos em startups. “Temos três negócios que já estão sendo analisados e outras operações no radar”, diz Couto.

Antônio Couto, diretor-presidente da Lello

Ele afirma ainda que existe a possibilidade de o grupo fazer novos aportes em startups que já foram aceleradas anteriormente. O filtro usado pela companhia para decidir quais serão as novas investidas passa pela conexão com o negócio.

“Estamos atentos para aquilo que faça sentido para a operação e para o que imaginamos para o futuro da Lello”, observa o executivo. Ele ressalta, porém, que ainda não há uma tese de saída definida. “Não olhamos para isso.”

Desde 2017, a Lello já investiu em sete startups em diferentes estágios de operação e com cheques cujo valor varia. No maior deles, a Lello desembolsou entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões na compra de 20% de participação de uma startup que não teve seu nome revelado.

Entre as investidas está a Refera, proptech catarinense em que a Lello participou de uma rodada seed de R$ 8,7 milhões, no ano passado, ao lado de outras empresas do mercado imobiliário, como Brognoli, Ibagy, Apsa e SJ, além da desenvolvedora de softwares Softplan.

Presente em 53 cidades de 13 estados brasileiros, a Refera é dona de um marketplace de serviços de manutenção e reforma. Diferentemente de empresas como a GetNinjas, o seu modelo é voltado a imobiliárias e condomínios e os profissionais são escolhidos pela própria startup.

A Refera permite que a Lello ofereça uma solução para os moradores dos prédios que administra. O serviço pode ser contratado por meio da imobiliária parceira da Lello e, futuramente, a partir de um aplicativo do grupo disponível para os condôminos.e

Em todas essas iniciativas da Lello há um objetivo no longo prazo. “O nosso relacionamento com o morador era chato, porque tínhamos virado uma entidade impositora e que só enviava boletos, advertências e multas”, diz Couto. “Ninguém poderia amar uma marca dessas.”

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