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Da Apple ao Instagram: Mike Krieger e Steve Wozniak refletem sobre suas criações

Um dos fundos pioneiros do venture capital no Brasil, a Monashees completou 15 anos. E, em evento online acompanhado pelo NeoFeed, trouxe dois ícones do empreendedorismo para conversarem sobre seus legados. Acompanhe as principais reflexões

 

Mike Krieger, cofundador do Instagram (à esq), e Steve Wozniak, cofundador da Apple, conversaram em evento online da Monashees

Eles são dois ícones do empreendedorismo mundial. Em 1976, o americano Steve Wozniak cofundou, ao lado de Steve Jobs (1955-2011), a Apple, a primeira companhia americana a ultrapassar a marca de US$ 2 trilhões de valor em mercado.

O brasileiro Mike Krieger, por sua vez, cofundou a rede social de fotos Instagram ao lado de Kevin Systrom há 10 anos. E vendeu sua empresa, ao Facebook, por US$ 1 bilhão em 2012. O Instagram conta atualmente com 1 bilhão de usuários e estima-se que represente um terço do valor da empresa de Mark Zuckerberg, hoje avaliada em US$ 740 bilhões.

Krieger e Wozniak se “encontraram” para uma conversa que marcou os 15 anos da Monashees, um dos fundos pioneiros de venture capital no Brasil. O evento online em que ambos refletiram sobre suas criações foi acompanhado pelo NeoFeed.

Wozniak é o pai do primeiro computador pessoal, o Apple I, que permitiu a revolução da microinformática. Krieger usou uma das invenções da Apple, o iPhone, para potencializar o compartilhamento de imagens. “Sem o iPhone, não existiria o Instagram”, disse ele.

A Monashees já levantou nove fundos de venture capital – o mais recente deles de US$ 280 milhões, em 2019. E investiu em 109 de startups no Brasil e na América Latina. Entre elas, quatro unicórnios: 99, Rappi, Loft e Loggi.

No evento online, a gestora de venture capital fundada por Eric Acher e Fabio Igel anunciou que passará a doar 1% da taxa sua taxa de performance para organizações não-governamentais na América Latina.

A primeira iniciativa contemplada pela Monashees foi a LALA (Latin America Leadership Academy), que ajuda a desenvolver lideranças empresariais, sociais e comunitárias na região latino-americana.

A ideia é que os empreendedores do portfólio da Monashees indiquem as iniciativas que vão receber as doações. Elas não vão ficar restritas a entidades que promovam o empreendedorismo.

O NeoFeed selecionou algumas das principais reflexões de Wozniak e Krieger durante o bate-papo online, que aconteceu neste sábado, 3 de outubro. Os dois empreendedores deixaram suas criações. Wozniak saiu da Apple em 1985. E Krieger, em 2018. Acompanhe:

STEVE WOZNIAK, COFUNDADOR DA APPLE

Sobre o começo da Apple
“Não tínhamos amigos na indústria. Não éramos ouvidos pela imprensa. Mas acreditávamos naquilo profundamente. Outras pessoas diziam ‘é errado e não vai acontecer.’ Isso fazia parte do empreendedorismo da era. Eu tinha o objetivo de ter o computador na minha vida. O Apple I sai antes de o Steve Jobs chegar. E o Apple II seria o coração da mudança do mundo. As pessoas não queriam um computador como se fossem um mainframe. Não queriam cuidar de inventário, de estoques e de vendas. Os jogos é que iriam fazer sucesso. E o computador da Apple foi o primeiro que lançou os jogos.”

Sobre Steve Jobs
“Outras pessoas poderiam ter se unido a mim. Mas eu já trabalhava com Steve Jobs. Nós já transformávamos os produtos em dinheiro há cinco anos. Ele vinha para a cidade e dizia: ‘me dá isso aqui que eu sei onde vender.’ Ele era um amigo de verdade. E ele me entendia como um jovem e como um amigo. A gente discutia as letras das músicas, viajava junto e ia aos shows de rock. Eu o vejo como um amigo. Já estávamos bem unidos. Era uma parceria verdadeira. E a gente transformou isso aí em algo verdadeiro.”

“Eu queria construir um computador para mim. O meu mercado era uma única pessoa. Aí, o Steve Jobs entrou nessa ideia.”

Sobre fundar uma empresa sem Steve Jobs
“Se eu estivesse sozinho? Eu tinha um computador incrível. Os meus amigos engenheiros me diziam que era o melhor produto que eles já tinham visto. Mas se eu estivesse sozinho, acho que não teria fundado uma empresa. O que eu iria fazer? Publicidade no jornal? Eu não tinha dinheiro para fazer isso.”

MIKE KRIEGER, COFUNDADOR DO INSTAGRAM

Sobre a criação do Instagram
“Não inventamos o smartphone, nem a câmara do smartphone. Vimos tudo o que existia, focamos na usabilidade, no design e na utilização. Criamos uma coisa com identificação no mundo inteiro.”

“A parte que eu mais gostei da jornada do Instagram foram os primeiros anos. Foi a parte mais divertida. Ninguém acreditava na gente. Estávamos construindo algo novo, só nós dois (Krieger e Kevin Systrom), e a gente só ouvia não de investidores. Mas a gente estava empolgado com o que a gente ia construir.”

Sobre a complementariedade com Kevin Systrom, que cofundou o Instagram
“Às vezes, você tem um único fundador que gerencia todas as três disciplinas (negócios, marketing e engenharia). Mas, geralmente, há coisas complementares. Por exemplo, eu cuidava da parte de engenharia e um pouquinho de negócios. E o Kevin trouxe o marketing e um pouco do business. É como se fosse um gráfico de pizza. É também uma jornada emocional. Quando alguém está se sentindo bem e o outro mal, você também ajuda o seu amigo.”

Sobre criatividade
“Você tem de pensar nas pessoas quando constrói produtos. Você tem de ter a intenção de gerar criatividade, diversão e empoderar as pessoas de um jeito diferente. Esse é um dos valores chave no Instagram: disparar e desencadear a criatividade das pessoas. As pessoas me dizem que eu mudei a visão do mundo delas. É a coisa mais gratificante, muito mais do que a contagem de usuários. O bom é transformar a criatividade das pessoas.”

Sobre timing para criar uma startup
“Eu fiquei no Brasil até os 18 anos. Tinha uma startup que era a Fotolog. Ela tinha vários aspectos fundamentais do Instagram. Tinha fotos que você postava no seu perfil e você podia seguir as pessoas. O problema é que não parecia que estava acontecendo agora, naquele momento. Não era uma visão autêntica na vida das pessoas. Era algo que você fazia upload depois que as coisas tinham acontecido. Não era aquela sensação de agora que temos com o smartphone. Sem o iPhone, não existiria o Instagram. O produto que você vai criar seria totalmente diferente.”

Sobre seu sonho aos 18 anos
Eu escrevi aos 18 anos que queria ajudar as pessoas a aprender e a conectar as pessoas. Eu poderia ter seguido qualquer um dos caminhos. Mas o que me interessou no Instagram foi uma nova forma de conectar as pessoas. E isso era o aspecto chave.”

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