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Em lua de mel com o mercado, Elon Musk pode levar outra empresa à Bolsa

Fundador da Tesla, cujas ações subiram 89% em 2020, pode abrir o capital da Starlink, unidade da SpaceX que constrói uma constelação de satélites de baixa órbita para oferecer internet de alta velocidade

 

Frame do vídeo de lançamento dos satélites da Starlink, que pode se separar da SpaceX e abrir o capital

Há quem diga que Elon Musk viva “no mundo da lua” por suas ideias malucas. Mas algumas delas acabam decolando, como o caso da fabricante de carros elétricos Tesla que, depois de altos e baixos, viu suas ações subirem 89% desde o início deste ano.

Essa lua de mel de Musk com o mercado pode ganhar um novo participante. A Startlink, uma unidade de negócios da empresa de lançamento de foguetes SpaceX, pode se separar e abrir o seu capital.

A ideia de uma abertura de capital da SpaceX foi alimentada pelo próprio diretor de operações da companhia, Gwynee Shotwell. “Até o momento somos uma companhia privada, mas a Starlink é o tipo de negócio que tem tudo para ser público”, disse Shotwell, durante um evento do JPMorgan Chase & Co, na semana passada, em Miami. 

O projeto da Starlink nasceu com o propósito de desenvolver uma constelação de satélites de baixa órbita para oferecer internet de alta velocidade a custos inferiores ao das redes ultrarrápidas atuais.

Como boa parte dos projetos de Musk, os riscos são altos. E não custa lembrar de apostas semelhantes que viraram estrelas cadentes, como o caso do Iridium, criado no fim dos anos 1980, pela Motorola.

O Iridium tinha o objetivo de criar uma constelação de satélites de baixa órbita para levar telefonia móvel aos lugares mais ermos da Terra. Quando ficou pronto, a tecnologia já estava ultrapassada. Resultado? Um prejuízo de mais de US$ 10 bilhões, quando veio à falência em 2012.

O projeto da Starlink está em um ritmo avançado. Até agora, 240 satélites estão em órbita. Em janeiro deste ano, 60 satélites foram lançados da base da NASA em Cabo Canaveral, na Flórida. Na segunda-feira, 17 de fevereiro, outros 60 satélites ganharam o espaço. A previsão é que, no segundo semestre, a Starlink comece a fornecer seu serviço de internet de banda larga do espaço.

A meta é colocar 1.440 satélites em órbita até 2020, embora a companhia já tenha permissão para lançar um total de 12 mil satélites e busque a autorização para projetar outros 30 mil satélites.

Shotwell disse que o serviço, quando estiver em operação, custará “muito menos do que você está pagando hoje por um velocidade cinco a dez vezes mais rápida do que a atual.”

O executivo da SpaceX afirmou também, no mesmo evento do JPMorgan Chase, que a concorrente Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, está “anos atrás” da SpaceX, cuja avaliação bate na casa dos US$ 33 bilhões – alguns investidores atribuem essa valor justamente ao projeto da Starlink. 

Elon Musk dança na inauguração de fábrica da Tesla, em Xangai

Um IPO pode ser bem-vindo para funcionários e investidores. Mas uma reportagem da Bloomberg, no entanto, mostrou que Musk está reticente com o plano de realizar a abertura de capital da Starlink. O empresário não gosta da ideia de ter que divulgar os detalhes financeiros da companhia e nem de toda pressão que vem com a companhia se tornando pública.

Mas, segundo uma reportagem da CNBC, Musk tem dito que “a Starlink pode gerar uma receita de US$ 30 bilhões por ano, ou cerca de 10 vezes maior do que a receita anual esperada para o negócio principal de foguetes”, referindo-se à SpaceX.

Outras startups como Planet Labs, Spire e Spaceflight Industries também estão na disputa do mesmo “espaço” – literal e metaforicamente falando. Mas enquanto todas miram as estrelas, nenhuma parece ter acertado, ainda, Wall Street. Musk hoje está bem com o mercado. Mas para comprar uma nova briga, basta um estalo.

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