De olho em oportunidades, Blackstone prepara maior fundo de real estate da história

Gigante do private equity está estruturando fundo que pode chegar até US$ 30,3 bilhões

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Embora o mercado esteja experimentando altas doses de volatilidade, a Blackstone está enxergando uma série de oportunidades no setor imobiliário. E, para aproveitar os baixos valuations que vê por aí, está trabalhando para estruturar um dos maiores fundos de private equity já vistos. 

A companhia global, que registrou no segundo trimestre US$ 940,8 bilhões em ativos sob gestão, fechou um total de US$ 24,1 bilhões em compromissos de aportes nos últimos três meses para seu novo fundo para investimentos imobiliários, o Blackstone Real Estate Partners X.

As informações constam em documentos regulatórios enviados à SEC, a reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos. A Blackstone está aportando cerca de US$ 300 milhões de seu próprio capital e pode conseguir outros US$ 5,9 bilhões de investidores, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo jornal The Wall Street Journal, fazendo com que o fundo atinja US$ 30,3 bilhões quando for fechado. 

Se alcançar esse montante, o fundo será o maior veículo de private equity do mundo, superando a marca estabelecida pela própria Blackstone em 2019, quando criou o fundo Blackstone Capital Partners VIII, de US$ 26 bilhões. 

O fundo aumentará, e muito, o poder de fogo da Blackstone. Combinado com outros veículos dedicados a investimentos imobiliários na Ásia e na Europa, a empresa terá um total de US$ 50 bilhões nas mãos para adquirir participações em ativos imobiliários, no momento em que a piora dos mercados, com inflação e juros em alta, está forçando muitas empresas a venderem ativos para levantar recursos. E em um momento em que o private equity cresce como uma alternativa de capitalização. 

Alguns dos melhores investimentos imobiliários da Blackstone foram feitos quando a situação não era fácil no mercado e para companhias, como foi com o casino e hotel Cosmopolitan, em Las Vegas.

A companhia adquiriu o empreendimento com 3 mil quartos em 2014, que estava nas mãos do Deutsche Bank, por US$ 1,8 bilhão, e o vendeu em 2021 por um total de US$ 5,6 bilhões. A operadora de hotéis MGM Resorts International assumiu a operação e um trio de investidores, que inclui um fundo da própria Blackstone, se tornou dono do ativo em si. 

O tamanho do fundo e a velocidade com que foi constituído mostra o apetite de investidores institucionais em aportar recursos em veículos de investimentos de gestores estabelecidos e bom histórico de desempenho. 

Mesmo registrando um prejuízo de US$ 29,4 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro de US$ 1,3 bilhão apurado no mesmo período de 2021, a Blackstone apresenta resultados positivos em seus investimentos imobiliários.

Os fundos imobiliários Oportunistic, que investem em ativos mal geridos, mas considerados de boa qualidade, registraram um retorno bruto de 35% nos 12 meses até o segundo trimestre. Os fundos Core+, com investimentos em ativos imobiliários de qualidade e com administração visando ganhos de longo prazo, tiveram retorno bruto de 25,5% no período. A Blackstone possui US$ 320 bilhões em ativos sob gestão na área de investimentos imobiliários.

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