Deezer desafina em sua estreia na bolsa de Paris e cai 29%

Serviço de streaming francês estreia na Bolsa através de Spac no momento em que investidores estão arredios com empresas de tecnologia e enfrentando concorrência de nomes maiores do setor

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Depois de não conseguir listar suas ações em 2015, o serviço de streaming de música francês Deezer recorreu a uma Special Purpose Acquisition Companies (Spac) para finalmente chegar à Bolsa. Mas o primeiro dia não foi nada fácil para a companhia que pretende competir com Spotify, Apple Music e Amazon Music, com as ações chegando a registrar queda de mais de 35%. 

Os papéis até se recuperaram, mas terminaram com forte retração, de 29,4%, a Є 6,00, em meio a um cenário de intensa competição no mercado de streaming de música e pouco apetite de investidores para companhias de tecnologia em geral. Os temores de recessão no Velho Continente ajudaram a azedar o humor. 

A chegada do Deezer ao mercado sete anos após a primeira tentativa ocorreu graças à fusão com a Spac I2PO. A companhia do “cheque em branco” pertence à família Pinault, controladora da Kering, holding das marcas de luxo Gucci e Balenciaga e também tem como sócio o banqueiro francês Matthieu Pigasse.

O veículo de investimento é comandado pela ex-executiva da WarnerMedia, Iris Knobloch. Na ocasião, o Deezer foi avaliado em Є 1,05 bilhão. Em comunicado, a empresa informou que levantou Є 143 milhões, a maior parte garantido pelos atuais acionistas.

O Deezer tentou emplacar um IPO nos moldes tradicionais em 2015, mas acabou abandonando os planos depois que a operadora de rádio digital Pandora registrou no período uma queda de usuários. Na ocasião, investidores demonstraram receio quanto às perspectivas do mercado de streaming musical. 

Ainda que tenha esperado um momento mais oportuno para abrir seu capital, o Deezer chegou ao mercado num momento de aversão dos investidores às chamadas “teses de crescimento”, companhias que ainda estão desenvolvendo seus modelos de negócios e apresentam rápida expansão e múltiplos mais elevados. 

No momento em que a alta dos juros está tornando o financiamento mais caro, os investidores estão mais cautelosos, preferindo ativos mais seguros e empresas com negócios mais consolidados. 

Este posicionamento está afetando a maioria das empresas de tecnologia. As ações do Spotify, por exemplo, registram queda acumulada de 56,5% no ano, com o valor de mercado somando US$ 19,6 bilhões. 

Fundado em 2007, o Deezer possui um total de 9,6 milhões de usuários. Ele é o sétimo maior serviço de streaming de música do mundo ao final de junho do ano passado considerando os usuários pagantes, segundo dados da consultoria Midia Research – em primeiro lugar ficou o Spotify, com quase 30% do total, com 157 milhões de usuários pagantes no período.

No prospecto da operação, o Deezer informa que seus dois maiores mercados são França e Brasil, em que afirma possuir 29% e 17% de participação de mercado, respectivamente. Desde de 2016, no Brasil, ela possui uma parceria com a TIM, oferecendo conta premium para clientes de determinados planos da operadora. A empresa também possui parceria semelhante com o serviço de streaming Globoplay. 

O serviço fechou 2021 com um prejuízo de Є 120,6 milhões, mais do que a perda de Є 88,3 milhões em 2020. Com uma receita de 400 milhões de euros no ano passado, alta de 5,5% em base anual, a empresa projeta obter um faturamento de 1 bilhão de euros até 2025 e se tornar rentável no mesmo ano.

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