Depois de onda de M&As, Locaweb muda nome corporativo e integra marcas

Para organizar a casa depois de 14 aquisições desde o IPO, a Locaweb faz uma mudança sutil e passa a adotar o nome Locaweb Company. E vai unir algumas das marcas compradas. Saiba quais são

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Nova marca corporativa da Locaweb

Desde o IPO na B3, em fevereiro de 2020, a Locaweb fez 14 aquisições em investimentos que superaram R$ 1,2 bilhão e fizeram a companhia estender seus tentáculos para muito além da hospedagem, a área na qual a companhia surgiu em 1997.

Passaram a fazer parte da Locaweb marcas como a Vindi, que atua na área de pagamentos recorrentes; a Bling, de sistema de gestão; a Squid, plataforma para conectar influenciadores e criadores de conteúdos a marcas; e a Melhor Envio, da área de logística.

Agora, a Locaweb está começando a organizar a casa depois da onda de M&As. “A marca corporativa se confundia com a de varejo e não entrega mais o que é hoje a Locaweb”, diz Fernando Cirne, CEO da Locaweb, ao NeoFeed.

A partir desta quinta-feira, 31 de março, a Locaweb passa a se chamar Locaweb Company, uma mudança sutil em seu nome corporativo para dar conta dessa transformação de uma empresa de hospedagem e e-mail, para uma companhia mais complexa e que atua com ERP, marketplace, comércio eletrônico, PDV, recorrência, geração de leads, crédito e logística.

Um exemplo disso é o resultado do quarto trimestre de 2021, que mostra que a área de commerce, que obteve uma receita líquida de R$ 141 milhões, representou 57% da receita da Locaweb no período. Há dois anos, era de apenas 21%.

Não se trata apenas de uma mudança do logotipo, que está mais sóbrio e usa cores frias. Em conjunto a isso, a companhia começa um processo para integrar algumas marcas de seu portfólio debaixo de um mesmo guarda-chuva.

A Yapay, que atua em pagamentos, passará a fazer parte da Vindi. A Social Miner, que foi a primeira aquisição pós-IPO, será incorporada pela All iN, empresa de marketing digital, comprada em 2013.

“Com o tempo, mais marcas vão ser juntadas”, afirma Cirne. “Os produtos seguem existindo e não desligamos nenhum funcionário. É um processo que deve demorar ainda um ano e meio.”

Das mais de 20 marcas da Locaweb Company, algumas delas vão se manter independentes e não terão, em sua comunicação visual, nenhuma informação que pertencem ao grupo fundado por Gilberto Mautner.

São elas KingHost, na área de hospedagem; Bling, de software de gestão; e Melhor Envio, de logística. O motivo é que essas empresas atuam de forma ampla. Inclusive, com concorrentes da Locaweb Company. “O caso típico é o KingHost, que compete até com a Locaweb na área de varejo”, diz Cirne.

Outras vão adotar o sobrenome corporativo, sendo identificadas como empresas da Locaweb Company. São os casos de Vindi, Tray, Delivery Direto, Squid, Octadesk, Bagy, Etus, Credisfera, Cplug, entre outras.

Para fazer essa mudança, a Locaweb Company contratou a consultoria Interbrand. O trabalho começou em junho de 2021. A dúvida era se fazia sentido manter a marca atual ou criar outra.

Fernando Cirne, CEO da Locaweb Company

“Conversamos com clientes, mercado, investidores, acionistas. Todo mundo. E chegamos a conclusão que deveríamos manter a marca Locaweb”, afirma Cirne.

De acordo com o CEO da Locaweb, não há nenhuma mudança na estrutura do capital ao adotar uma marca corporativa, no estilo de uma holding. “Nada muda para o acionista”, diz Cirne.

Freio nos M&As?

Depois da “campanha” de aquisições desde o IPO em 2020, a Locaweb Company não divulgou mais nenhuma transação desde outubro do ano passado – a última compra foi da Squid, por R$ 176,5 milhões.

Isso não quer dizer que a Locaweb Company tenha pisado no freio dos M&As. Segundo Cirne, a empresa mantém o apetite para novas transações, mas as condições de mercado não estão mais favoráveis para esses negócios.

“Não pagamos por múltiplos. Fazemos uma conta de fluxo de caixa descontado. Como o custo do capital está mais alto, o valuation fica mais baixo. E o mercado privado ainda não assimilou essa queda”, afirma Cirne. “Está sendo mais difícil conciliar essa expectativa. Por isso, essa desaceleração.”

A própria Locaweb tem sofrido as consequências desse momento, mas no mercado público, o que fez os valuations das empresas, em especial das de tecnologia, caírem bastante nas bolsas de valores.

Desde o pico de fevereiro de 2021, os papéis da Locaweb perderam mais de 70% de valor de mercado. Neste ano, desvalorizam-se mais de 20%. Mesmo assim, sobem mais de 130% desde o IPO. A empresa vale R$ 6 bilhões.

No quarto trimestre de 2021, a Locaweb divulgou uma receita líquida de R$ 245,9 milhões, uma alta de 75,4%, impulsionada pela área de commerce, que cresceu 178,4%. Mas o mercado mostrou preocupação com as margens da companhia.

Em relatório, a XP disse que “embora continuemos otimistas em relação às perspectivas da Locaweb no longo prazo, estamos preocupados com severas contrações de margem e desaceleração da receita daqui para frente”.

O Goldman Sachs foi na mesma linha ressaltando que a margem Ebitda do segmento commerce ficou negativa em 11,9% em razão da aquisição da Squid. Sem a transação, ela teria ficado em 34,4%.

Cirne prefere ver o copo cheio e diz que a Locaweb segue crescendo, mesmo em um momento difícil da economia, com inflação e juros em alta.

O BTG Pactual, em relatório que cita também preocupação com as margens, relata que a Locaweb ainda está mostrando uma boa expansão da receita por conta de sua vertical de commerce.

“Acreditamos que a Locaweb deverá continuar superando seus pares – a companhia mais do que dobrou a base de seus usuários desde o começo de 2020 e ainda tem muito crescimento bloqueado”, acredita o BTG Pactual.

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