Depois dos carros de passeio, Movida parte para furgões elétricos

A empresa de locação acaba de comprar 130 veículos elétricos para atender as entregas de última milha. É o início de uma expansão de olho no e-commerce e em motoristas autônomos

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Renato Franklin, CEO da Movida: meta de 40 mil elétricos e híbridos até 2030

No ano passado, a locadora de carros Movida emitiu um Sustainability Linked Bond que totalizou US$ 800 milhões. A meta é clara: reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 30% até 2030. Entre algumas das medidas para atingir esse patamar, a companhia se comprometeu a fazer com que 20% do total de sua frota seja de veículos elétricos ou híbridos até lá.

Não é, definitivamente, algo simples. Hoje, a companhia conta com 186,9 mil veículos, dos quais 630 são elétricos. O objetivo é chegar em cerca de 40 mil elétricos ou híbridos. E um novo passo foi dado para aumentar esse número, agora de olho em um mercado promissor: o de transporte de distâncias mais curtas, principalmente voltado para o e-commerce.

A Movida acaba de comprar 130 furgões elétricos para a sua frota. São modelos como Renault Kangoo, Citroen ë-Jumpy e Peugeot e-Expert. A companhia não revela o investimento, mas estima-se que tenha desembolsado R$ 30 milhões neste negócio. “Estamos lançando o cargo elétrico”, diz Renato Franklin, CEO da Movida, ao NeoFeed. Esses 130 veículos são os primeiros. Em breve, outros serão encomendados.

Além de focar nas metas ESG, a companhia vai atender a uma demanda de grandes varejistas e de motoristas autônomos que alugam esse tipo de furgão. As varejistas precisam buscar opções menos poluentes e mais baratas diante da explosão dos preços dos combustíveis. E motoristas que alugam o carro para trabalhar fazendo entrega contam a economia na ponta do lápis.

“A procura por veículos elétricos aumentou muito depois do aumento no preço dos combustíveis”, diz Franklin. Esse fator é decisivo na escolha. Apesar de a infraestrutura de abastecimento de veículos elétricos estar longe de ser ideal, em grandes cidades como São Paulo, um veículo com autonomia de 300 km consegue fazer os trajetos para entregas de curtas distâncias tranquilamente sem o temor de ficar parado na rua por falta de carregamento.

No mundo todo essa começa a ser a realidade das principais empresas de entrega e de comércio eletrônico. Nos Estados Unidos, por exemplo, a BrightDrop, marca de veículos comerciais elétricos da GM, fechou um contrato para a venda de 25 mil unidades de seus furgões EV410 e EV600. Deste total, 20 mil para a FedEx e 5 mil para a varejista Walmart.

O Citroën ë-Jumpy é um dos modelos comprados pela companhia

A Amazon é outra que tem apostado suas fichas nesse modelo de entrega para atingir suas metas de ESG e para reduzir os custos. A companhia encomendou 100 mil veículos elétricos da Rivian Automotive, montadora americana que tem a própria Amazon como uma de suas principais acionistas. No Reino Unido, a Arrival vendeu 10 mil furgões elétricos para a UPS, com entregas até 2024.

No Brasil, a Unidas, que está se fundindo a Localiza, criando a maior empresa do setor, anunciou em fevereiro deste ano que vai investir R$ 370 milhões na compra de 2 mil veículos elétricos até o fim de 2022. Deste total, 1,6 mil serão utilitários focados em entregas de última milha.

A Movida, avaliada em R$ 5,8 bilhões na B3, deve alcançar um total de 5 mil veículos elétricos – tanto para carros de passeio como furgões – nos próximos três anos. E a companhia tem acelerado no crescimento da frota como um todo. Comparado com 2020, a empresa fechou 2021 com 68,5 mil carros a mais.

No ano passado, a empresa anotou uma receita de R$ 5,6 bilhões, 31% a mais do que em 2020. O lucro líquido atingiu R$ 819 milhões, um crescimento de 250% em comparação com os 234 milhões registrados no ano anterior.

Isso se deve, em grande parte, ao aumento e renovação da frota e a venda de carros seminovos. Produtos como assinatura anual e a própria Movida Cargo, criada no fim de 2020, voltada para o e-commerce, contribuíram para isso.

Assista ao Conexão CEO com Renato Franklin, CEO da Movida:

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