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Insiders

Ele ligou o f*da-se e ficou milionário

O americano Mark Manson vendeu seis milhões de cópias com o best-seller “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se”. Agora, ele lança novo livro que fala da esperança em um mundo caótico

 

O escritor americano Mark Manson

Dez fileiras com 12 lugares cada: 120 assentos a serem preenchidos por ordem de chegada, em plena segunda-feira em Los Angeles, na Barnes & Noble, de West Hollywood. Duas horas antes do começo do evento, marcado para às 19 horas, garanto a penúltima vaga para o que, a essa altura, me parece um encontro com um pop star, tamanha a empolgação dos fãs – que, de tão numerosos, extrapolam as cadeiras e se contentam em ocupar os espaços para além das faixas de segurança, assistindo de pé o cara que ensinou o mundo “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se”.

Mark Manson vendeu seis milhões de cópias desse livro, o segundo de sua carreira, mas o primeiro publicado por “vias tradicionais”, com o apoio de editora. O americano, casado com uma brasileira, tenta repetir o sucesso com o seu recém-lançado “Everything is F*cked – a Book About Hope”, (“F*deu Geral”, lançado pela Editora Intrínseca no Brasil).

De jeans, camiseta preta e barba por fazer, Manson leva aos palcos a mesma linguagem despretensiosa que usa em suas obras, arrancando risadas e aplausos da plateia de forma alternada, mostrando, ao vivo e em cores, que engajamento é uma construção mais simples, delicada e, acima de tudo, rentável também.

Dessa vez, Manson resolveu escrever um livro sobre a esperança, apesar de todas as evidências indicarem o contrário. Se avaliarmos por todas as métricas materiais possíveis, veremos que a vida está muito melhor do que antes: temos menos violência, menos guerras, vivemos mais, estamos mais saudáveis, mais educado”, diz ele. “E, ainda assim, os dados de depressão, ansiedade, suicídio e uso de drogas estão aumentando.”

Leia os principais trechos dessa entrevista exclusiva:

Novo livro de Mark Manson

Como foi o início do seu processo para escrever esse livro?
Eu não sabia o que fazer comigo depois de “A Sutil Arte…”. Na minha cabeça, eu era esse jovem escritor, lançando pela primeira vez um livro de forma tradicional e que teria que trabalhar por 20 ou 30 anos, escrevendo dezenas de livros, tentando escalar nesse mundo editorial. E, para ser sincero, esses sonhos me faziam acordar todas as manhãs e me deixavam motivado. Então “A arte sutil” f*deu com tudo. Deu tão certo e foi tão alto que chegou num ponto que eu pensei “oh, agora só se pode cair”.

Então, o sucesso não foi tão bom?
Me colocou num lugar estranho. Fiquei um pouco deprimido em 2017. Estava tudo ótimo e maravilhoso. Tinha tudo o que eu queria, mas sabia o que fazer com a minha vida. Eu estava acordando tarde e me arrastando para fora da cama, todo dia, comendo muita pizza e jogando muita Zelda. Na adolescência tinha esse comportamento mais melancólico e depressivo. Mas tudo bem. Nessa fase, a vida é uma merda e você não pode fazer quase nada. Mas aqui estava eu, no lugar oposto. Tinha tudo o que eu queria, podia fazer de tudo, mas me sentia da mesma forma.

E como saiu dessa letargia?
Comecei a me perguntar ‘qual o denominador comum aqui?’ ‘O que explica essas suas situações tão opostas, mas que desaguam no mesmo lugar?’ E a minha resposta para ambas as questões foi a ‘esperança’. Entendi que o problema é que eu não sabia onde depositar minha esperança. Aos 17 anos, ouvindo Marilyn Manson o dia todo, eu estava puto porque não sabia como melhorar minha vida e, depois do livro, pensei a mesma coisa: “merda, vendi 6 milhões de cópias e não sei como a vida pode melhorar”. Na minha cabeça, a dinâmica era mesma, embora os cenários fossem diferentes.

E por falar em cenários, qual era o contexto desse processo?
Nessa mesma época, aconteceu essa coisa “banal” chamada eleições de 2016, e aquilo me apavorou – não porque o Trump ganhou, mas porque o processo foi feio e baixo. Brinco, aliás, que 2016 foi quando a lua de mel com a internet acabou. Pense só, nos anos 90, era o namoro, a gente estava se conhecendo e adorando tudo que descobria ali. Já nos anos 2000, tivemos o casamento, porque as coisas ficaram mais sérias e achávamos que seria uma aliança eterna e inabalável. Aí em 2016 você sai mais cedo do trabalho, chega mais cedo em casa e pega seu parceiro fumando um cachimbo de crack (risadas). Então caiu a ficha e a lua de mel com a internet acabou.

“Quanto melhor nossa vida fica, mais difícil se torna imaginar um futuro melhor”

Acha que isso é algo exclusivo aos EUA?
De forma alguma. Enquanto eu passava pela minha própria crise de esperança, o mundo parecia estar vivendo a mesma coisa. Não é uma crise de esquerda, uma crise de direita e muito menos uma crise americana. Por conta do livro, visitei países como Índia, Austrália, Inglaterra e até o Brasil. Percebi rapidamente que a coisa era generalizada. Ninguém estava confiando em ninguém. Todo mundo estava bravo o tempo todo e isso num momento em que as coisas estão melhores do que nunca.

Melhores do que nunca?
Sim. Uma das primeiras coisas que descobri pesquisando para o livro foi a teoria que batizei de ‘o paradoxo do progresso’. Se avaliarmos por todas as métricas materiais possíveis, veremos que a vida está muito melhor do que antes: temos menos violência, menos guerras, vivemos mais, estamos mais saudáveis, mais educados… e, ainda assim, os dados de depressão, ansiedade, suicídio e uso de drogas estão aumentando. E estão aumentando nos lugares mais seguros, ricos e confortáveis do mundo. Então é por isso que está tudo f*dido. Você pode viver num lugar sujo e perigoso, ou pode morar num lugar com ar condicionado na sala, pedindo comida pelo celular e escolhendo entre as milhares de opções do Netflix e ainda assim sentir que aquilo não significa nada. Quanto melhor nossa vida fica, mais difícil se torna imaginar um futuro melhor.

Acha que a tecnologia tem sua parcela de culpa?
A tecnologia fez com que trocássemos poucas relações de muita qualidade por centenas de conexões de merda. Trocamos conexão de qualidade em pequena escala, por conexões superficiais e mais numerosas. E isso não é uma percepção minha. Em 1988 perguntaram às pessoas ‘quantas pessoas você tem na vida que confiar um segredo de Estado?’ A resposta média era três. Fizeram essa mesma pesquisa sete anos atrás e a resposta mais comum foi zero. Em vez de se relacionar com a comunidade, visitando escolas, igrejas, hospitais e comércios locais, as pessoas estão sentadas num computador escrevendo tuítes maldosos. O pior é que fizemos essa barganha também com a informação. Costumávamos ter poucas fontes de informação, mas essas eram sérias e confiáveis. Agora obtemos péssimas informações com pessoas em quem não podemos confiar.

E qual o efeito colateral disso tudo?
Acho que todo mundo está desesperado, procurando alguma forma de esperança, algo que as faça sentir melhor nesse mundo caótico e confuso. E é justamente essa busca a parte do problema, na minha opinião.

“Trocamos conexão de qualidade em pequena escala, por conexões superficiais e mais numerosas”

Como assim, “parte do problema”?
Esperança é inevitável. Precisamos dela para nos manter psicologicamente estáveis. Mas não é porque temos esperança que precisamos agir de acordo com ela. Depois que eu concluí meu livro, me falaram de uma frase que eu achei ótima: “a esperança é o último obstáculo da mente humana”. E só o mindfulness – a arte de viver o presente – pode ser útil nesse cenário.

Mas você acha que o autoconhecimento pode ser uma maldição?
Eu não acho que é uma maldição, até porque é um bom problema. Falando por mim, eu prefiro estar consciente das minhas neuroses e inseguranças e sofrer um pouco mais com isso, do que não reconhecê-las e correr o risco de machucar a mim e outras pessoas.

Como você expressa isso no livro?
No processo criação de um livro, me pergunto o que o mundo precisa ouvir e ninguém está dizendo? Posso encontrar uma boa resposta para essa pergunta? Se a resposta for sim para ambas, me coloco a escrever e pesquisar muito. Minha escrita é muito popular. É como se eu fosse à terapia. Sou eu lidando com os meus problemas e com a esperança de maneira pública. Não existe problema pessoal: todo mundo tem e eu confio que mais gente sente isso.

Você lança mão de muita pesquisa ao longo do livro: você só procura estudos e análises que corroboram com a sua opinião?
Às vezes começa com uma ideia concreta. Então, vou ver o que as pesquisas dizem. Se elas derrubam a ideia, eu excluo tudo. Se não, prossigo. Às vezes, se fico curioso com um assunto, eu ou meu pesquisador assistente buscamos evidências.

“Costumávamos ter poucas fontes de informação, mas essas eram sérias e confiáveis. Agora obtemos péssimas informações com pessoas em quem não podemos confiar”

Por que os brasileiros devem ler esse livro?
Eu acho que os brasileiros põem muita energia em suas emoções e em como eles se sentem em relação ao futuro. Esse livro é um argumento que prova porque isso é perigoso.

E o que podemos esperar de Mark Manson daqui para frente?
Muita coisa. Estou fazendo um trabalho com o Will Smith, algo totalmente diferente do que já fiz na vida.

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