Em sinal de ressaca, metade dos grandes IPOs negocia abaixo do preço de listagem

É o que diz pesquisa da Dealogic com empresas que se tornaram públicas em Londres, Hong Kong, Índia e Nova York e captaram mais de US$ 1 bilhão. Resultado levanta dúvida sobre as avaliações de bancos que participaram dos IPOs

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Ações da Deliveroo caem 18% desde IPO em abril deste ano

O índice S&P 500, um dos principais dos Estados Unidos, sobe 24% em 2021 e as aberturas de capitais levantaram, até agora, US$ 330 bilhões ao redor do globo, segundo dados da EY.

Mas os grandes IPOs, aqueles que captaram mais de US$ 1 bilhão, não estão tendo um bom desempenho, de acordo com um levantamento da Dealogic

Metade das empresas que se tornaram públicas este ano em Londres, Hong Kong, Índia e Nova York está negociando abaixo de seu preço de listagem.

A lista incluiu alguns nomes conhecidos do mercado, como o aplicativo de entrega de alimentos Deliveroo no Reino Unido, a fabricante americana de alimentos alternativos Oatly e o gigante indiano de pagamentos Paytm.

Em comparação com outros anos, 2021 está com um patamar de empresas sendo negociadas abaixo do preço de listagem maior. Em 2019, 33% negociavam abaixo do preço de emissão um ano depois. Em 2020, apenas 27%.

Esse desempenho acima da média, de acordo com uma reportagem do jornal britânico Financial Times, colocou em dúvida a avaliação pelos bancos que participaram dos IPOs, como Goldman Sachs e Morgan Stanley.

O Goldman Sachs, por exemplo, liderou 13 negócios que arrecadaram mais de US$ 1 bilhão este ano, mas nove deles estão agora no vermelho, incluindo a plataforma de transporte chinesa Didi e a corretora online Robinhood. Seis das 14 negociações lideradas pelo banco rival Morgan Stanley estavam sendo negociadas abaixo de seu preço de IPO, incluindo a Paytm.

A fintech indiana, por exemplo, caiu 40% nos dois primeiros dias de negociação e sofreu a maior queda no primeiro dia de qualquer grande listagem neste ano, tornando-se uma das piores estreias na história do mercado de ações indiano. A Paytm, que levantou US$ 2,5 bilhões e foi avaliada em US$ 20 bilhões, agora vale US$ 15 bilhões.

A Oatly, por exemplo, desvaloriza-se 55% desde o IPO, em maio deste ano, quando levantou US$ 1,4 bilhão na Nasdaq. A Deliveroo, por sua vez, perde 18% do valor, desde a abertura de capital no começo de abril. No primeiro dia de negociação, os papéis caíram 26%, uma das piores aberturas de capital bolsa de Londres desde 2011.

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