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Existe espaço para mais um banco digital? O Banco Bari acredita que sim

Especializada em crédito imobiliário, a empresa do Grupo Barigui entra oficialmente na arena dos bancos digitais com o lançamento de sua conta digital. O cofundador e o CEO Rodrigo Pinheiro conta com exclusividade ao NeoFeed como o banco quer se diferenciar diante da saturação de ofertas no segmento

 

Rodrigo Pinheiro, cofundador e CEO do Banco Bari

Com origem na financeira do Grupo Barigui, rede de concessionárias de Curitiba (PR) e com forte atuação na região Sul, o Banco Bari começou a ser construído na década de 1990. Mas ganhou nome e forma em 2019. Sob essa bandeira, a operação passou a reunir um portfólio em crédito imobiliário e, especialmente, em home equity, área que só começou a atrair mais competidores no País nos últimos anos.

Dois anos depois desse batismo, a operação está ampliando sua área de atuação. Agora, em uma nova arena no mercado brasileiro. Mas que para muitos já está próxima da saturação. O Banco Bari está se tornando um banco digital, com todas as letras. E o que marca essa nova fase é o lançamento oficial de sua conta digital.

“Não queremos ser o banco das massas, nem ter 30 milhões de contas”, diz Rodrigo Pinheiro, cofundador e CEO do Banco Bari, ao NeoFeed, quando questionado sobre qual espaço o banco quer ocupar diante da concorrência acirrada. “Nosso plano é focar em clientes que tenham como objetivo poupar dinheiro e gerir melhor suas vidas financeiras.”

A materialização desse discurso envolve, principalmente, a possibilidade de criar contas atreladas à principal, com poucos cliques no app do banco, em dois segmentos. A primeira modalidade é a conta Controle, na qual o cliente tem recursos para separar o orçamento reservado especificamente para cada despesa. Entre elas, a mesada dos filhos, com a emissão de um cartão de débito adicional e a possibilidade de acompanhar esses gastos.

Na segunda opção, batizada de conta Objetivo, o correntista pode criar objetivos de médio e longo prazo, como a compra de um automóvel ou uma viagem. O cliente tem a flexibilidade de escolher um valor mensal, R$ 1, por exemplo, para esse fim. Essa cifra é remunerada em 100% do CDI.

A conta digital traz ainda cartões de crédito e de débito, transferências via Pix, saques, extratos e demais operações incluídas em ofertas desse porte. “Hoje, temos a conta só para pessoa física”, conta Pinheiro. “Mas já planemos uma versão para pessoa jurídica no início de 2022.”

Mais focada em clientes acima de 30 anos, a oferta também dá acesso ao portfólio na área de investimentos, com produtos de renda fixa, como Certificados de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

“Nesse primeiro momento, teremos apenas produtos originados por nós. Mas, pouco a pouco, vamos adicionar ofertas de terceiros”, diz Pinheiro. Aqui, de novo, o foco não é quantidade. “Vamos priorizar uma ótica taylor made.” A mesma abordagem será aplicada no restante do portfólio, em áreas como seguros e outras modalidades de empréstimo, além do crédito imobiliário.

Crédito imobiliário

A conta digital do Banco Bari começou a ser testada em meados de 2020. Primeiro, com uma base pequena de clientes e, posteriormente, com a extensão a funcionários do grupo. E está sendo lançada com pouco mais de 30 mil correntistas.

O aplicativo da conta digital do Banco Bari

“Nossa projeção é fechar 2021 com 300 mil clientes”, diz Pinheiro. “Mas, o mais importante, é que a conta e o banco vão nos ajudar a internalizar uma parcela maior do funding da nossa oferta de crédito imobiliário e abre espaço para vendas cruzadas no portfólio.”

Hoje, o financiamento das operações de crédito imobiliário está dividido entre recursos próprios e securitizações, com fundos imobiliários. O banco encerrou 2020 com um lucro líquido de R$ 33,6 milhões, alta de 54,13% sobre 2019.

Já a carteira de crédito somou R$ 804,6 milhões, um salto de 14,92% sobre 2019. Levando-se em conta somente as operações de crédito imobiliário, o avanço foi de 23,7%. Essas modalidades, que incluem linhas de financiamento e os empréstimos com garantia de imóvel, representaram quase 70% do total.

Em home equity, o cliente do banco tem acesso a linhas com até 60% do valor do imóvel dado como garantia. O cliente pode acessar esse valor no prazo de até cinco anos. As taxas praticadas na oferta de crédito imobiliário são de 0,65%, mais IPCA, em 72 meses. E de 0,8%, mais IPCA, para 240 meses.

No caso do home equity, um dos principais expoentes no mercado brasileiro é a Creditas, fintech que se tornou unicórnio em dezembro passado, com um aporte de US$ 275 milhões, liderado pelo LGT Lighstone e com a participação do Softbank e da Kaszek.

Com o caixa reforçado, no início de janeiro, a Creditas comprou a Bcredi, que também atua no mesmo segmento e que tinha entre seus acionistas o próprio Grupo Barigui.

O Banco Bari encerrou 2020 com uma carteira de crédito de R$ 804,6 milhões, um salto de 14,92%

“Certamente, não tem espaço para todo mundo”, diz Fabricio Winter, sócio da consultoria Boanerges & Cia, sobre a onda crescente de bancos digitais. Ele entende que histórico do Banco Bari em crédito com imóvel como garantia pode ser um caminho para a diferenciação.

Winter observa, entretanto, que, apesar do grande potencial, há uma barreira cultural a ser superada para que o home equity ganhe escala no País. “O brasileiro ainda tem muito receio de realizar o sonho da casa própria e, depois, perder esse imóvel”, afirma.

Quanto ao foco em clientes dispostos a gerenciar melhor seus recursos, Winter entende que a proposta é assertiva. Mas também faz uma ressalva. “No geral, tanto no Brasil como em outros mercados, as contas que nasceram com essa promessa falharam e ofereceram uma experiência muito ruim.”

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