Fintech a55 capta US$ 35 milhões para consolidar operação no México

Com a rodada, liderada pelo fundo americano Accial, a fintech brasileira de crédito para empresas de tecnologia planeja fechar 2021 com uma carteira de  até 1 bilhão de pesos (R$ 267 milhões) no mercado mexicano

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Em 2019, a brasileira a55 desembarcou, ainda de forma tímida, no México. No ano passado, a fintech de crédito deu início às suas primeiras concessões de empréstimos no país, após captar dois aportes no valor de US$ 7 milhões. E agora, vai dar mais tração a essa operação.

A empresa anuncia nesta terça-feira, 4 de maio, uma captação de US$ 35 milhões, liderada pela Accial Capital, fundo americano especializado em carteiras de empréstimo para startups da América Latina e do sudeste asiático. A E3 Negócios e a Mouro Capital, braço de venture capital do Santander, que já investiam na a55, também participam do aporte.

“Essa rodada tem um enfoque estratégico em escalar as operações no México”, diz Hugo Mathecowitsch, cofundador e CEO da a55, ao NeoFeed. “O país é o segundo maior em empreendedorismo na região e suas startups estão precisando de financiamento, mas têm pouquíssimas opções disponíveis.”

Todo o valor levantado na rodada será usado em operações de crédito no México, por meio de ferramentas como o “fideicomiso”, um mecanismo que se assemelha aos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), no Brasil.

No mercado mexicano, o principal serviço é a linha de crédito com foco nas empresas de tecnologia que trabalham com receitas recorrentes. Essas companhias compartilham seus dados financeiros com a fintech. A partir da análise desses dados por algoritmos de inteligência artificial, a a55 projeta a receita dessas operações e concede o empréstimo.

Essa oferta também está disponível no Brasil. A diferença entre os dois mercados é o tipo de informação que as empresas interessadas precisam compartilhar. Aqui, os dados e movimentações bancárias fornecem a base necessária para a análise.

No México, por conta da legislação local, os dados fiscais são mais relevantes para o modelo de negócios da a55. “Cada operação gera impostos, o que nos fornece uma fonte de dados mais rica que as operações bancárias”, explica Mathecowitsch.

As parcelas são pré-fixadas, com uma média de juros de 25% ao ano. A startup trabalha com opções de financiamento em um período de 12 a 24 meses, e as operações vão de 100 mil pesos (cerca de R$ 27 mil) até 5 milhões de pesos (R$ 1,35 milhão).

Até agora, a empresa financiou 20 empresas e somou 200 milhões de pesos em concessões de crédito no México. A meta é fechar o ano com uma carteira entre 500 milhões e 1 bilhão de pesos (R$ 267 milhões) no país.

Hoje, o time da a55 tem quase 100 pessoas, distribuídas entre o Brasil e o México. A empresa praticamente dobrou de tamanho entre o fim de 2020 e o início deste ano, com maior peso nas áreas de programação, UX e marketing. Cerca de um terço do total de funcionários atua na operação mexicana.

O modelo de negócios da fintech prevê a cobrança de uma taxa de formalização de crédito. A segunda alavanca para o faturamento são os próprios juros. No total, a a55 já captou R$ 200 milhões por meio de veículos financeiros como debêntures e FIDCs.

No Brasil, o portfólio inclui ainda um produto com foco em marketing digital. Nesse caso, a base para a análise de crédito, além dos dados financeiros, é o desempenho das estratégias das empresas em plataformas como Google, Facebook e Instagram.

Há mais empresas explorando a oferta de crédito para companhia com esses perfil no País. Na semana passada, o BTG Pactual anunciou uma linha que contempla startups que já receberam investimentos de fundos de venture capital e que também geram receita recorrente mensal.

Outro exemplo é a Galapagos Capital, gestora fundada pelo ex-sócio do BTG e do C6 Bank, Carlos Fonseca. Com atuação em segmentos como wealth e asset management, a empresa ampliou seu escopo em 2020 com a oferta de crédito a startup, no modelo de venture debt.

Para Ricardo Fonseca, professor de finanças do Insper, esse mercado, no entanto, ainda tem muito espaço para crescer. “No fim do dia, toda pessoa jurídica precisa de capital de giro”, afirma.

Hugo Mathecowitsch, cofundador e CEO da a55

Fundada em 2018, por Mathecowitsch e André Wetter, a a55 já tem, no entanto, um plano em curso para ampliar esse portfólio, com o uso da inteligência na gestão dos recursos. “Queremos ajudar os empreendedores a fazer o melhor uso do dinheiro”, diz Mathecowitsch.

Hoje, o cliente que acessa a plataforma da a55 já tem insights sobre suas operações financeiras. Mas o objetivo é ir além, identificando gargalos, reduzindo perdas, orientando na monetização dos clientes e na estruturação do fluxo de caixa, em um formato de consultoria digital integrada.

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