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Depois de Santander, fintech de crédito a55 recebe novo aporte

A startup, que oferece empréstimos para startups de tecnologia e e-commerces, captou US$ 2 milhões com a E3 Negócios, através de seu fundo de investimentos ZFM. Em maio, a empresa já havia levantado US$ 5 milhões com o braço de venture capital do Santander

 

A a55 recebeu dois aportes que somam US$ 7 milhões

Um dos segmentos de maior peso na leva crescente de fintechs do mercado brasileiro, as startups de crédito ganharam relevância na pandemia e vem atraindo cada vez mais clientes e investidores. No mercado desde 2018, a a55 é uma das novatas que estão engrossando essas estatísticas.

A empresa está reforçando seu caixa com um aporte de US$ 2 milhões (R$ 11 milhões), da empresa de investimentos E3 Negócios, por meio de seu fundo ZFM. Essa é a segunda injeção de recursos recebida pela empresa em 2020.

Em maio, a fintech captou US$ 5 milhões com o Santander Innoventures, braço de venture capital do Santander, rebatizado recentemente de Mouro Capital. “A Mouro e a E3 estão nos ajudando a entender o que fazer para escalar a operação”, diz André Wetter, cofundador e CEO da a55, ao NeoFeed.

A a55 investe em um filão pouco explorado no País: os empréstimos com base no faturamento futuro e previsível das empresas. O foco são as companhias de receita recorrente, em particular, de tecnologia, que trabalham com modelos como assinaturas e software como serviço, além de e-commerce.

O ponto de partida para essa oferta é uma plataforma, pela qual as empresas dão acesso às suas contas bancárias, faturas e outros dados. Em troca, elas têm direito a serviços gratuitos, como conciliação bancária, e insights sobre suas operações, a partir de análises estruturadas pelos algoritmos da startup.

Esse big data, que fornece uma visão detalhada das empresas, é também o centro das análises feitas pela a55 para a concessão de crédito. “Nós olhamos como um investidor, tentando entender o modelo e projetando a receita”, explica Wetter. “E, na prática, fazemos um aporte para capital de giro.”

Os empréstimos variam de R$ 20 mil a R$ 5 milhões e os prazos vão de 12 a 24 meses, com uma taxa, em média, de 1,8% ao mês. Para financiar esses créditos, a a55 tem operações de securitização, como emissões de debêntures, e um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

André Wetter, cofundador e CEO da a55

Com esse modelo, a fintech já realizou mais de 350 operações e somou mais de R$ 100 milhões em crédito. Hoje, a carteira de clientes ativos inclui 100 empresas, entre elas companhias como Exact Sales, Omie e InsiderStore. “Muitas dessas empresas já fizeram 15, 16 linhas conosco”, diz Wetter.

Para Bruno Diniz, fundador da consultoria Spiralem, essa recorrência é um dos fatores que diferenciam o formato do modelo de venture debt. Para ele, a proposta oferece uma alternativa para as empresas que não tem ativos tangíveis para oferecer como garantia na tomada de crédito.

“É um formato interessante de financiamento para a nova economia” afirma Diniz. “Essas empresas geralmente têm dificuldade para acessar financiamentos nas vias tradicionais”, acrescenta, citando outras fintechs com ofertas semelhantes, como a americana Lighter Capital e a britânica Uncapped.

Planos

Com o novo aporte, a a55 vai acelerar as estratégias que já vinha implementando a partir do investimento captado em maio. Uma delas é a ampliação dos times de data science e de vendas e marketing. Em quatro meses, a startup saiu de 40 para 60 funcionários. A projeção é chegar a 100 em 2021.

O portfólio também tem novidades. A fintech lançou uma linha voltada a e-commerces, para financiar campanhas de marketing digital. Nesse caso, a base para a análise de crédito é o desempenho das estratégias das empresas em plataformas como Google, Facebook e Instagram.

A a55 já realizou mais de 350 operações e somou mais de R$ 100 milhões em crédito

Outro foco é escalar a operação da empresa no México. A a55 desembarcou no país em 2019 e agora planeja ampliar o time local. Até o momento, a fintech já realizou cinco operações naquele mercado, totalizando US$ 5 milhões em concessões de crédito.

A companhia não descarta entrar em outros países da América Latina no médio prazo. Antes, no entanto, a prioridade é alcançar duas metas, a princípio, até 2022. “Queremos superar R$ 1 bilhão de crédito no Brasil e US$ 100 milhões no México”, diz Wetter.

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