Negócios

Gerdau mantém “pé no chão”, mas amplia investimentos

A siderúrgica revisou seu plano de investimentos para 2021 de R$ 2,6 bilhões para R$ 3,5 bilhões. Entre outros projetos, a empresa está modernizando sua estrutura no Brasil e nos EUA para atender ao crescimento da demanda por carros híbridos e elétricos

 

No início de maio de 2020, diante do cenário nebuloso dos primeiros meses da Covid-19, a brasileira Gerdau decidiu reduzir seu plano inicial de investimentos previsto para o ano de R$ 2,6 bilhões para R$ 1,6 bilhão.

Passados nove meses desde então, as incertezas da pandemia ainda pairam sobre os planos e aportes de muitas empresas. E a siderúrgica está revendo, mais uma vez, o seu Capex. Mas agora, em sentido contrário.

Nesta quarta-feira, a empresa anunciou que o montante inicialmente previsto para 2021, de R$ 2,6 bilhões será reforçado com os recursos postergados no ano passado. Agora, para o ano, a projeção é injetar um total de R$ 3,5 bilhões na operação.

“Vamos seguir com o pé no chão e seremos muito rigorosos nessa alocação”, ressaltou Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, em conferência com analistas na tarde desta quarta-feira, 24 de fevereiro. “Em termos de geografia, o forte dos investimentos será no Brasil, mas com espaço também para os Estados Unidos.”

Dois projetos em andamento ajudam a ilustrar alguns dos critérios que irão nortear os investimentos da siderúrgica nos próximos anos. A primeira iniciativa envolve a modernização da usina de aços especiais em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Com um aporte previsto de US$ 120 milhões, a expectativa é de que o novo equipamento de lingotamento contínuo que está sendo implementado na unidade entre em operação no segundo semestre de 2022.

“Com essa atualização, estaremos mais preparados para atender à crescente demanda do mercado por aços mais limpos, leves e resistentes”, disse Werneck. “A modernização da usina está alinhada à perspectiva futura de aumento da matriz de veículos elétricos e híbridos no Brasil.”

Entre os indicadores que sustentam essa expectativa, ele citou projeções da consultoria IHS, que prevê uma participação de 9% dos veículos híbridos e de 3% dos elétricos na categoria de veículos leves no País até 2030.

A mesma tendência é um dos motores da modernização da usina de aços especiais em Monroe, no estado do Michigan (EUA), que inclui processos como a substituição do forno elétrico. Prevista para ser concluída em meados desse ano, o ciclo final do projeto tem um aporte estimado em US$ 70 milhões.

“No mercado americano, o movimento de redução de peso e tamanho das peças para veículos híbridos segue intensa”, afirma. “Essas mudanças impactam diretamente na demanda por aços menores e mais limpos e nossa operação já está fornecendo esses materiais para híbridos e elétricos no país.”

Uma das razões por trás da revisão para cima dos investimentos é a recuperação em todos os mercados e geografias nas quais a companhia atua, em especial, no Brasil. Segmento mais afetado na Covid-19, a divisão de aços especiais é justamente um exemplo desse cenário.

“Entramos no ano com uma carteira de pedidos fortes no segmento”, afirmou Werneck. “E com uma forte reposição dos estoques das montadoras, que encerraram 2020 com os níveis mais baixos da história, entrando em 2021 com capacidade para apenas 12 dias de vendas.”

No País, o executivo destacou ainda a retomada em setores como a construção civil, o varejo do setor, indústria em geral e no segmento de máquinas e equipamentos, puxada, nesse caso, especialmente pelo agronegócio.

“Também vemos boas oportunidades em infraestrutura, com a ampliação de investimentos públicos e privados, especialmente em logística e saneamento”, disse Werneck. Ele destacou que a empresa está atendendo projetos como o consórcio VLT, em Salvador, e terminais portuários na Bahia e no Rio de Janeiro.

Balanço

A companhia encerrou o quarto trimestre do ano passado com um lucro líquido de R$ 1,05 bilhão, um salto de 939% na comparação anual. Em 2020, o indicador mostrou evolução de 96%, para R$ 2,3 bilhões.

No último trimestre do ano, sob o efeito de fatores como a depreciação do real e o impacto positivo das receitas na América do Norte, a Gerdau reportou uma receita líquida de R$ 13,6 bilhões, alta de 43% sobre 2019. No balanço consolidado de 2020, a receita líquida foi de R$ 43,8 bilhões, o que representou um crescimento de 11%.

Em volumes, a produção de aço fechou 2020 com uma queda de 2%, para 12,1 milhões de toneladas. Já a venda de aço recuou 5% no período, para 11,4 milhões de toneladas.

Na B3, os papéis da empresa estavam sendo negociados a R$ 27,01, por volta das 16h, com alta de 4,94%. Avaliada em R$ 43,6 bilhões, a empresa acumula uma valorização de mais de 5% na cotação das suas ações em 2021.

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