J.P. Morgan vê perda de US$ 1 bilhão com exposição à Rússia

Em carta dirigida a acionistas, o CEO Jamie Dimon falou dos impactos da guerra na operação e destacou que o Federal Reserve (Fed) precisará aumentar as taxas de juros agressivamente para conter a maior inflação dos Estados Unidos em 40 anos

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Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan

Perto de completar 40 dias, a guerra entre Ucrânia e Rússia segue fazendo vítimas em território ucraniano e sem uma perspectiva de resolução. Nesse cenário, mesmo distante do front, já há quem consiga contabilizar suas próprias perdas em decorrência do conflito.

Esse é o caso do J.P. Morgan. Em carta direcionada a acionistas, divulgada nesta segunda-feira, 4 de abril, o CEO Jamie Dimon alertou que o banco americano projeta uma perda de aproximadamente US$ 1 bilhão com sua exposição à Rússia.

“Não estamos preocupados com nossa exposição direta à Rússia, embora ainda possamos perder cerca de US$ 1 bilhão ao longo do tempo”, escreveu o executivo. “Estamos monitorando ativamente o impacto das sanções em andamento e a resposta da Rússia, preocupados também com seus efeitos secundários e colaterais em tantas empresas e países.”

Em seu texto, Dimon destacou que o J.P. Morgan espera que a guerra desacelere acentuadamente o crescimento global, além de ressaltar as incertezas no entorno do conflito, que podem se agravar com o passar do tempo.

Em março, o J.P. Morgan anunciou que estava se retirando da Rússia, país no qual mantém menos de 200 funcionários. Ao mesmo tempo, o banco vem garantindo que detentores de títulos estrangeiros de dívida soberana russa recebam seus pagamentos. Na carta, Dimon falou sobre o desafio de cumprir as novas regras relacionadas ao país.

“Isso envolve sancionar indivíduos, incluindo a propriedade de ativos e empresas, reduzir exposições em vários produtos e serviços; analisar e interromper bilhões de dólares em pagamentos conforme a orientação dos governos; e muitas outras ações”, afirmou.

Entre os reflexos do conflito, Dimon observou o reforço do clima altamente polarizado nos Estados Unidos, que permanecem “divididos dentro de suas fronteiras”, com muitas pessoas argumentando que o país perdeu seu papel essencial de liderança fora de suas fronteiras.

Ele também observou que o Federal Reserve (Fed) precisará aumentar as taxas de juros agressivamente para conter a maior inflação dos Estados Unidos em 40 anos. E disse que a combinação da recuperação da pandemia, da inflação e da guerra terão um forte impacto na economia global no curto prazo e um efeito significativo na geopolítica do futuro.

“Cada um desses três fatores mencionados acima é único por si só. Eles apresentam circunstâncias completamente diferentes das que vivenciamos no passado – e sua confluência pode aumentar drasticamente os riscos futuros”, escreveu.

Ele destacou que uma liderança forte dos Estados Unidos é fundamental para resolver esses problemas. Mas ressaltou que o mundo não quer uma “América arrogante”, dizendo a todos o que fazer, e sim, um país trabalhando com aliados, colaborando e comprometendo-se.

Ao mesmo tempo, o executivo destacou que 2021 foi outro ano forte para o J.P. Morgan, que apurou um lucro líquido recorde de US$ 48,3 bilhões e uma receita líquida de US$ 125,3 bilhões, contra o lucro líquido de US$ 29,1 bilhões e a receita de US$ 122,9 bilhões registradas em 2020.

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