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Masayoshi Son, do Softbank, se compara a Jesus Cristo, depois de prejuízo de US$ 13 bi

Em conferência com investidores, quando pressionado sobre o resultado, o fundador do Softbank disse que Jesus Cristo também foi criticado e que sua reputação será restaurada assim que seus investimentos passarem a dar retorno

 

Empresário de 62 anos lidera fundo Vision Fund, de US$ 100 bilhões

Mesmo sem fazer milagres, Masayoshi Son acredita que tenha algumas coisas em comum com Jesus Cristo: ambos foram mal compreendidos e têm a popularidade atrelada à entrega de seus feitos. 

Em uma ligação com investidores, o fundador do Softbank fez essa analogia para defender sua estratégia, de acordo com três analistas que ouviram a teleconferência, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times.

Son teria dito aos analistas que lhe pressionavam pelos resultados abaixo do esperado que Jesus também foi muito criticado e que sua reputação seria restaurada assim que seus investimentos passarem a dar retorno.

Divulgado nesta segunda-feira, 18 de maio, o balanço trouxe um prejuízo de cerca de US$ 13 bilhões, o maior da história da empresa.

No passado, o executivo japonês de 62 anos já havia recorrido ao personagem Yoda, da saga “Guerra das Estrelas”, para falar aos seus clientes. “Ouça à Força”, teria dito aos investidores. Em outro momento, Son relembrou que os Beatles tampouco eram populares quando começaram.

O Softbank ainda não retornou aos pedidos de comentários feitos pelo NeoFeed e não emitiu nenhum comunicado sobre o futuro do Vision Fund, fundo de US$ 100 bilhões, que investiu em algumas das empresas mais impactadas pela crise do novo coronavírus. 

Entre as apostas do fundo estavam Uber, que anunciou há pouco a demissão de mais 3 mil funcionários; a rede hoteleira indiana OYO; e a problemática WeWork, que teve sua avaliação reduzida a US$ 2,9 bilhões – muito aquém da marca de US$ 47 bilhões que um dia ostentou. 

Embora reconheça que a performance do Vision Fund esteja longe do esperado, Son sinalizou que o Softbank vai continuar injetando capital próprio para fomentar o Vision Fund 2. “Se o resultado não é tão bom, obviamente, o dinheiro para esse novo fundo não pode ser solicitado de outras pessoas”, afirmou.

Na mesma conferência, o executivo ainda falou que o Softbank está diante dos maiores desafios da atualidade. A situação, contudo, fica ainda mais sensível com a saída de Jack Ma, fundador do Alibaba, do conselho do Softbank. O empresário chinês estava há 13 anos nesta função.

Mudanças à vista

Sem tornar pública uma razão para seu desligamento do Softbank, Ma sinaliza que pretende se concentrar apenas em atividades filantrópicas. Em setembro do ano passado, o empresário abdicou de seu posto de chairman do Alibaba, empresa que fundou em 1999. E a expectativa é de que ele desembarque do conselho da gigante chinesa na reunião anual de investidores, prevista para acontecer em junho.

Mesmo que a decisão de deixar o Softbank seja coerente com as novas aspirações de Ma, sua saída também chama atenção. A relação entre a companhia japonesa e o empresário vem de longa data: em 2000, um ano após sua estreia, o Alibaba recebeu US$ 20 milhões de aporte do Softbank. Em fevereiro deste ano, um relatório mostrou que o fundo detém 25,1% das ações do Alibaba, que está avaliado em US$ 576 bilhões.

Ainda não se sabe como o recuo de Ma vai repercutir nas operações do pressionado Softbank, que busca vender US$ 41 bilhões em ativos para equilibrar seu portfólio deficitário e recomprar parte de seus papéis.

O Softbank busca vender US$ 41 bilhões em ativos para equilibrar seu portfólio deficitário e recomprar parte de seus papéis

Para chegar a esse objetivo, o fundo japonês pretende colocar à venda US$ 20 bilhões em ações da T-Mobile. De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley já se movimentam para reunir interessados em participar do que seria uma das maiores transações financeiras da história.

Depois que a T-Mobile aceitou a fusão com a Sprint, que pertence ao portfólio da Softbank, o fundo japonês passou a ser dono de aproximadamente 25% da companhia telefônica.

Cerca de 44% das ações da T-Mobile estão nas mãos da alemã Deutsche Telekom, que mantém aberta a possibilidade de levar adiante essa negociação e se tornar acionista majoritário da terceira maior empresa de wireless dos Estados Unidos, dona de um valor de mercado de US$ 125 bilhões.

O principal desafio agora seria mesmo o valor da venda dos ativos, já que um lote desse porte é, normalmente, negociado a valores mais atraentes. Para efeito de comparação, quando a PNC Financial, banco de Pittsburgh, vendeu toda a sua participação na investidora BlackRock, o acordo foi fechado por  US $ 13 bilhões – cotando as ações 7,6% abaixo do valor do fechamento.

Prejuízo

O Softbank deve lutar por cada centavo de suas próximas negociações, uma vez que o fundo tem sido alvo constante de crítica de seus investidores. E o prejuízo anual de US$ 13 bilhões só reforçou essa desconfiança.

Um dos fatores que pesaram negativamente para o resultado foi a perda de US$ 18 bilhões registrada pelo Vision Fund. Criado em 2017, o fundo já injetou US$ 81 bilhões em 88 startups. E vinha de dois prejuízos trimestrais consecutivos.

Um dos fatores que pesaram negativamente para o prejuízo anual do Softbank foi a perda de US$ 18 bilhões registrada pelo Vision Fund

Apesar dos deslizes, Son avalia que o fundo japonês está numa posição mais confortável do que quando vivenciou o estouro da bolha de 2000, quando os grandes sites de ecommerce e outras promessas online colapsaram; e em melhor forma do que em 2008, quando a decadência da Lehman Brothers levou os Estados Unidos a uma profunda crise econômica.

“Comparado àqueles tempos, quando parecia que íamos cair de um penhasco e estávamos pendurados por dois dedos ou um braço; agora estamos apenas olhando o abismo”, disse Son.

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