Na Simpar, chegou a hora de ser mais seletiva nos investimentos

Investimentos da holding que controla Movida, JSL e Vamos crescem 74% em relação ao mesmo período de 2022. Plano agora é ser mais seletiva

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Fernando Simões, controlador e CEO da Simpar

(Correção: o título desta reportagem e parte do texto foram alterados para representar mais fidedignamente o seu conteúdo. O quarto parágrafo da matéria também foi corrigido por conta de uma comparação equivocada em relação ao guidance anual. Segue abaixo o texto corrigido)

Conhecida por seu apetite voraz, a Simpar não pensa nem gasta pequeno quando o assunto é expandir o grupo. Somente no segundo trimestre deste ano, a controladora de Movida, Vamos e JSL adquiriu duas empresas: a logtech Truckpad e a rede de concessionárias Green.

A holding também elevou o investimento líquido em 74% em relação ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 3,7 bilhões, para fortalecer o portfólio de veículos leves e caminhões. Muitos dos recursos foram utilizados pela Movida, que ampliou sua frota em 54% no período com veículos de valor maior.

Agora, depois de realizar todo esse gasto de capital, a Simpar vai ter um olhar ainda mais atento para a rentabilidade e sustentabilidade dos negócios, ainda que atenta a oportunidades que possam surgir pelo caminho e a investimentos que necessite fazer, olhando para a necessidade de cada empresa.

“Temos escolhido onde crescer e estamos olhando mais atentamente para retorno, margens”, diz o controlador e CEO da Simpar, Fernando Simões, ao NeoFeed. “Temos tamanho e escala que não dependemos tanto de termos crescimento.”

O guidance para este ano prevê um capex líquido de até R$ 12 bilhões. No primeiro semestre, a companhia investiu R$ 6,2 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre e R$ 3,7 bilhões no segundo trimestre. No acumulado dos últimos 12 meses, o investimento líquido atingiu R$ 12 bilhões, 137% maior que todo o investimento realizado no mesmo período de 2021.

Segundo Simões, todo o investimento foi utilizado para contratar o crescimento no futuro. “O balanço ainda não mostra o resultado de grande parte dos investimentos que fizemos”, afirma.

Na Movida, que absorveu boa parte dos recursos, eles foram utilizados para que a companhia de locação alcance o patamar necessário para competir no novo mercado que surge, com a união de Localiza e Unidas e a perspectiva da chegada de um novo concorrente, após a Ouro Verde adquirir os ativos vendidos pela Unidas.

No caso das aquisições, o CEO da Simpar afirmou que a companhia sempre estará de olho em oportunidades para fortalecer alguma linha de negócio. “Cada empresa tem a sua particularidade”, afirma Simões.

O crescimento inorgânico foi particularmente importante para a Automob, setor que cuida da parte de concessionárias da Simpar. As diversas aquisições feitas ao longo dos últimos 12 meses aumentaram a receita da divisão em seis vezes, para R$ 5,1 bilhões.

No caso dela, o CEO da Simpar afirma que a companhia segue de olho em oportunidades, diante da pulverização do mercado, mas que fará uma consolidação de forma “organizada” e vai trabalhar para melhorar a rentabilidade das atuais 72 lojas que comercializam 24 marcas de carros e motos.

“Estamos olhando para diferentes oportunidades, mas vemos que podemos melhorar um mesmo ponto de venda, aumentando de 20% a 25% as vendas deles”, diz Simões.

No segundo trimestre, a Simpar registrou uma receita líquida de R$ 5,4 bilhões, alta de 73,5% em relação ao mesmo período de 2021. O Ebitda ajustado cresceu 94,1%, para R$ 1,7 bilhão.

Já o lucro líquido recuou 45,6%, para R$ 213 milhões, com a companhia atribuindo o resultados a maiores despesas financeiras apuradas no período, com o aumento da dívida líquida resultante dos investimentos que não se converteram em caixa, e da alta das taxas de juros no país.

As ações da Simpar fecharam o dia com alta de 8,25%, para R$ 11,28. No ano, elas acumulam queda de 3,4%, levando o valor de mercado da empresa a R$ 9,3 bilhões.

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