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Na Zoom, o faturamento, o lucro e as polêmicas não param de crescer

A empresa de videoconferência é uma estrela em ascensão no Vale do Silício. Seu valor de mercado cresceu 219,4% em 2020, o lucro saltou mais de 1.000% e a receita aumentou 169%. Mas as polêmicas também estão em alta. A mais recente é o caso de censura de ativistas chineses que moram fora da China

 

Zoom: crescimento exponencial de receita, faturamento e polêmics

Poucas empresas se beneficiaram da pandemia do coronavírus como a Zoom. O número de usuários diários que usam o seu serviço de videoconferência saltou de 10 milhões para 300 milhões, assim como o seu valor de mercado, que aumentou 219,4%, alcançando US$ 61,9 bilhões em 2020.

Mas desde então a Zoom tem se envolvido em polêmicas na mesma proporção que vê a sua popularidade crescer e os seus cofres se encherem de dólares – o lucro no primeiro trimestre de 2020 da companhia fundada pelo chinês radicado nos EUA Eric Yuan disparou mais de 1.000% para US$ 27 milhões e o faturamento cresceu 169%, atingindo US$ 328,2 milhões.

O primeiro baque à imagem da Zoom aconteceu em março, quando foram descobertos problemas relacionados à privacidade e segurança de seu aplicativo. Em resumo, uma vulnerabilidade do aplicativo poderia permitir que criminosos digitais roubassem informações confidenciais e executassem arquivos no dispositivo da vítima.

Agora, a Zoom está envolta em uma polêmica que envolve censura e o governo da China. Ativistas políticos denunciaram que a Zoom interrompeu reuniões de videoconferência e suspendeu contas envolvidas em conversas sobre temas considerados sensíveis na China, afetando inclusive participantes localizados nos Estados Unidos.

Uma reportagem do The New York Times afirmou que a Zoom suspendeu a conta de Zhou Fengsuo, um ativista político chinês que hoje mora na Califórnia, nos Estados Unidos. A suspensão teria ocorrido alguns dias depois de ele participar em uma videoconferência lembrando o aniversário dos protestos da Praça da Paz Celestial de1989.

A censura online é uma marca do governo chinês. Dede 2009, redes sociais como Facebook e Twitter foram proibidas de operar no país. O buscador Google, a Wikipedia e o YouTube são outras gigantes digitais também banidos na China, que veta ainda o acesso público a cerca de 60 domínios, inclusive site de notícias internacionais, como BBC, NBC, The New York Times e outros. O surpreendente, no caso da Zoom, é de que a censura aconteceu com usuários que estão fora da China.

Em nota, a Zoom disse que foi procurada entre maio e o começo de junho para falar sobre reuniões virtuais sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial. “O governo nos informou que essa atividade é ilegal na China e exigiu que derrubássemos as reuniões e as contas de seus administradores. Não fornecemos nenhum conteúdo desses encontros virtuais ao governo “, informou a Zoom.

Para especialistas, era só uma questão de tempo para que o presidente chinês Xi Jinping “colocasse rédeas” sob a Zoom. “Acho realmente surpreendente que a companhia não tenha se preparado para essa situação” disse ao NeoFeed Sarah Cook, historiadora da Freedom House, uma organização sem fins lucrativos que trabalha em prol da liberdade democrática. “Se eles tivessem uma política já estabelecida em relação aos usuários chineses, poderiam ter passados ilesos por essa polêmica.”

A Zoom enfrenta, agora, forte pressão internacional pela decisão de acatar prontamente o pedido do governo chinês

A Zoom enfrenta, agora, forte pressão internacional pela decisão de acatar prontamente o pedido do governo chinês. “Para ser sincera, me surpreende o fato de pelo menos a companhia ter assumido publicamente que sua manobra foi mediante censura. Muitas empresas passam por isso e alegam outras razões”, afirma Cook.

A partir deste episódio, a Zoom se comprometeu a não cumprir determinações da gestão Xi Jinping que impactem qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade, que não estejam na China. Em contrapartida, a empresa também confirmou que está desenvolvendo formas de bloquear as contas de computadores em território chinês que estejam na mira do governo. “Isso garante que nós nos enquadremos na regulamentação local quando o governo estipular que cruzamos alguma de suas fronteiras”, disse a empresa.

Essa estratégia já é usada pelo LinkedIn, segundo Cook. Embora a rede social de profissionais, que pertence à Microsoft, tenha permissão para operar no país, os chineses em solo nacional não têm acesso a todos os perfis estrangeiros.

De acordo com a historiadora, a censura online praticada pelo governo chinês vem se intensificando desde que Xi Jinping chegou ao poder, em 2013. “Estudamos a liberdade de expressão na China desde 2009 e no ano passado o país teve seu pior desempenho em nosso ranking. Há quatro anos consecutivos apuramos que a China é o país que mais censura a internet no mundo”, diz Cook.

Três parlamentares americanos já se manifestaram quanto o ocorrido. Os deputados Greg Walden e Cathy McMorris Rodgers e o senador Josh Hawley, todos do Partido Republicano, escreveram a Yuan, que lidera a empresa. Enquanto os dois primeiros pedem que o executivo revele as práticas de dados da companhia, para entender se alguma informação foi compartilhada com Pequim, Hawley foi mais direto. Ele solicitou que Yuan escolha um lado: Estados Unidos ou China.

Até agora, essas polêmicas não impactaram o resultado da Zoom. Mas as dores do crescimento não têm sido fáceis de administrar.

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