Netflix, Disney+, Amazon e Apple: uma batalha que vai além das telas em 2021

Os serviços de streaming de vídeo ganharam tração com salas de cinemas fechadas e pessoas em casa. Crescer a base de assinantes será fundamental em 2021. Mas para ganhar a preferência do consumidor é preciso aumentar a influência para além das telas

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Mercado de streaming deve valer US$ 150 bilhões até 2026

O crescimento das plataformas de streaming de vídeo é uma das narrativas mais bem-sucedidas de 2020, ano em que os serviços online ganharam relevância por conta da crise sanitária e econômica do novo coronavírus.

Com o isolamento social, as filas de cinema migraram para a internet e encontraram ali um terreno fértil. Só nos Estados Unidos, os espectadores podem optar entre mais de 300 serviços de streaming de vídeo, segundo a contagem do site de tecnologia e cultura Indiewire. Cada família americana assina, em média, entre três e quatro dessas plataformas.

Mas a disputa pela preferência do consumidor, que reúne um grupo bem menor de empresas, deve ficar mais acirrada em 2021. A batalha global, de uma forma geral, vai se concentrar em quatro serviços: Netflix, Disney+, Amazon ou Apple. Nos EUA, Hulu, da Disney, e Peacock, da CNBC, também são opões regionais.

Mas a briga para conquistar mais assinantes deve ir para além das telas. “Quando um espectador é impactado por um título, ele tende a pesquisar mais sobre os atores, os diretores e sobre o show em questão, além de postar suas impressões nas redes sociais”, diz Alejandro Rojas, diretor de análise da Parrot Analytics.

Usando essa análise, a Parrot Analytics descobriu que a “série do momento”, na última semana de novembro, foi a The Mandalorian, da Disney+. O programa estrelado pelo Baby Yoda teve 99,7 vezes mais demanda que a média de outros conteúdos de streaming.

O maior sucesso de todos os tempos, porém, segundo a agência de análise de audiência, é a série Stranger Things, da Netflix, que ficou mais de 14 semanas no “topo da parada” da Parrot Analytics. “Vivemos na era da economia da atenção, quanto mais um show conseguir prender sua atenção, mais valioso ele é”, diz Rojas. “E a Netflix sabe capitalizar isso muito bem, vide outros grandes sucessos do ano, como Tiger King e O Gambito da Rainha“.

Essa última série foi acessada por 62 milhões de contas apenas no primeiro mês de estreia, em outubro deste ano. Toda a repercussão ao redor da trama não se limitou ao streaming. A história da garota prodígio em xadrez fez com que a venda do jogo de tabuleiro saltasse 87% apenas nos Estados Unidos. Os livros de xadrez, um dos itens mais cobiçados pela protagonista, viram sua procura disparar 603%, segundo a consultoria NPD Group.´

É claro que isso tudo se reverte, no fim do dia, em mais assinantes para os serviços de streaming. A Netflix, por exemplo, somou 28 milhões de novos usuários pagantes nos nove primeiros meses de 2020, chegando a uma base de 195,1 milhões. É mais do que o ano passado inteiro, quando conquistou 27,8 milhões de assinantes.

Trata-se de um bom resultado para uma empresa consolidada como a Netflix – tanto que a ação da empresa se valorizou 58% em 2020. Mas nada se compara ao Disney+, o serviço da companhia do Mickey Mouse lançado em novembro de 2019, que já soma 73,7 milhões de assinantes.

É um resultado muito acima da expectativa do que projetavam os executivos da Disney. O plano da empresa era conquistar entre 60 milhões e 90 milhões de assinantes até 2024. Mas a pandemia acelerou essa projeção, que pode ser batida ainda em 2020.

O desempenho da Disney+ tem sido a tábua de salvação do grupo Disney, que sofre com o fechamento de seus parques de diversões, de seus hotéis e de seus estúdios de cinema por conta da pandemia.  Além da plataforma “novata”, a Disney conta ainda os streamings Hulu e ESPN+.

Juntos, esses três serviços trouxeram US$ 16,9 bilhões aos cofres da empresa, um aumento de 81% em relação ao ano passado. Essa foi a segunda maior fonte de receita da Disney, perdendo apenas para os serviços de mídia, onde então os canais ESPN, ABC, Lifetime, History, A&E e FX, que faturaram US$ 28,3 bilhões, uma alta de 14% em comparação a 2019.

Correndo por fora, mas longe de estar fora da disputa está a Apple. A companhia liderada por Tim Cook colocou no ar o seu serviço de vídeo em novembro do ano passado, com apenas nove programas originais em sua biblioteca. Hoje, mais de 40 títulos originais estão à disposição dos 40 milhões de assinantes da Apple TV+.

O número de usuários é uma estimativa, já que a companhia não divulga o volume exato de assinantes da plataforma em seus relatórios financeiros, colocando-a sob o guarda-chuva de “serviços, que abarcam ainda as vendas da AppleCare, do iCloud, de publicidade e de outros serviços.

O segmento ao qual pertence a Apple TV+, porém, fechou o ano em alta de 16%, gerando US$ 53,7 bilhões de receita. As operações de “serviço” da Apple compõem hoje sua segunda maior fonte de renda, perdendo apenas para as vendas do iPhone. A receita total da empresa em 2020 foi de US$ 274,5 bilhões, com lucro de US$ 57,4 bilhões.

A Amazon não pode também ser considerada uma carta fora do baralho nessa disputa. A companhia de Jeff Bezos disponibiliza a todos os seus assinantes Prime o serviço de streaming Prime Video, o que faz com que a plataforma esteja ao alcance de 150 milhões de usuários. Desses, cerca de 26 milhões fazem uso do recurso.

Já a CNBC quer apostar nas “joias da casa” para alavancar o seu próprio serviço de streaming, o Peacock, que foi ao ar em julho deste ano. Embora os dados de desempenho da plataforma ainda sejam preliminares, a indicação é que 26 milhões de americanos entraram para a plataforma onde a série The Office e 30 Rock são exibidas, junto ao programa humorístico SNL.

De acordo com a agência de pesquisa Valuates Reports, o mercado streaming de vídeos foi avaliado em US$ 38,56 bilhões em 2018 e deve chegar a valer US$ 150 bilhões até 2026. “Acho que bateremos essa marca antes disso, em parte graças ao novo coronavírus”, diz Rojas, da Parrot Analytics. “Mesmo depois do fim dessa pandemia, o foco no streaming vai continuar.”

Prova disso é que a Warner já cancelou, durante todo o período de 2021, a janela exclusiva de seus lançamentos no cinema. No ano que vem, os títulos do estúdio serão exibidos simultaneamente nas salas de cinema e na HBO Max, plataforma que foi ao ar em maio e, em dezembro, já conta com mais de 12 milhões de usuários. “Foi uma decisão bastante ousada, mas faz sentido, tanto do ponto de vista econômico, quanto estratégico”, afirma Rojas.

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