No país dos sem planos de saúde, Alice capta US$ 127 milhões e mira empresas

Rodada foi liderada pelo Softbank Latin America. Com os recursos, a healthtech Alice vai acelerar a entrada em planos de saúde para empresas em 2022. O fundador André Florence conta os planos

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A Alice tem mais de 6 mil clientes

Dezoito meses após ser lançada no mercado e dez meses após o último aporte, a healthtech Alice está levantando mais US$ 127 milhões (R$ 730 milhões ao câmbio de hoje) em rodada série C liderada pelo Softbank Latin America.

Os recursos são mais do que o dobro que a Alice captou até agora. Nas rodadas anteriores, a healthtech levantou US$ 47 milhões, dinheiro que ajudou a montar sua rede de atendimento e a conquistar mais de 6 mil clientes para seu plano de saúde individual.

“Tínhamos o plano de fazer uma nova rodada no primeiro semestre de 2022. Mas o mercado se antecipou”, afirma ao NeoFeed André Florence, CEO e um dos fundadores da Alice ao lado de Guilherme Azevedo e Matheus Moraes. “Foi uma rodada competitiva e ficamos oversubscribed.”

A captação traz novos investidores à base de acionistas da Alice, como Allen & Company LLC, G Squared, Globo Ventures e StepStone. Kaszek e ThornTree Capital Partners – que já estavam em rodadas anteriores – acompanharam a captação. Mantêm-se como acionistas Canary, Endeavor Catalyst e MAYA Capital.

Florence diz que a Alice ainda tem dinheiro no caixa da rodada anterior e que os novos recursos servirão para acelerar os planos da startup ao longo de 2022. “Não muda nada. Vamos fazer o que planejamos, mas com mais capacidade”, afirma Florence.

Os planos são entrar no mercado de saúde corporativa, abrir novas Casas Alice (clínicas proprietárias onde os clientes realizam consultas e exames) e aumentar a rede de parceiros. Hoje, a Alice está vinculada a 10 hospitais, como Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa e Einstein, e mais de 200 laboratórios, entre eles marcas dos grupos Dasa e Fleury.

O foco será crescer em São Paulo e na região metropolitana, em cidades como o ABC Paulista, Osasco e Barueri. “É o principal mercado de saúde do Brasil e precisamos ganhar profundidade e market share em São Paulo”, diz Florence. “É o mercado que precisamos ganhar o jogo.”

Em planos de saúdes corporativos, a meta da Alice é atender médias e pequenas empresas, com 10 até 100 funcionários, um mercado potencial de 5 milhões de pessoas só na cidade de São Paulo. Um primeiro passo nessa direção foi dado, em novembro desde ano, com a compra da Cuidas, uma healthtech focada em atenção de saúde primária de funcionários de empresas.

Os fundadores da Alice (da esq. à dir): Guilherme Azevedo, André Florence e Matheus Moraes

A Alice quer inovar no mercado de saúde com o modelo chamado de “value-based healthcare”, em que os parceiros são remunerados pelos resultados, diferentemente da cobrança por procedimentos ou por vidas atendidas.

O “value-based healthcare” considera a qualidade do serviço e o resultado de melhora de saúde obtido como critérios para a remuneração dos especialistas e das instituições parceiras.

A healthtech conta também com uma equipe de atendimento primário, formado por médico, enfermeiro, preparador físico e nutricionista, que tem a missão de acompanhar cada cliente e todas as fase da vida.

Ao lado da telemedicina, a atenção primária é uma das grandes tendências do setor de saúde e uma das áreas que têm recebido atenção dos investidores. Todos estão de olho em um mercado gigantesco. Apenas 23% da população brasileira tem um plano de saúde, um mercado que movimenta US$ 40 bilhões por ano.

De acordo com uma pesquisa do Distrito, as empresas desse segmento receberam US$ 718,1 milhões de investimentos de venture capital desde 2011. Mas, nos últimos dois anos, essa cifra cresceu consideravelmente: foram US$ 415,5 milhões.

Os grandes grupos e as empresas iniciantes estão investindo pesado nessa área na esperança de ganhar um lugar ao sol. É o caso do grupo Fleury, que criou o Saúde iD, que oferece consultas remotas, agendamento de consultas de especialidades, compra de exames com descontos e até aquisição de cirurgias.

O grupo Sabin, por sua vez acaba de comprar a Amparo Saúde, que atua em atendimento primário, para encorpar sua plataforma digital Rita. “Com a Amparo, vamos conhecer melhor as necessidades dos pacientes e também ampliar a entrega de valor para nossos clientes, como as operadoras de saúde”, disse Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin, em entrevista ao NeoFeed, no começo de dezembro.

A Sami, que atua com planos de saúde para pequenas empresas, recebeu, em dezembro deste ano, R$ 110 milhões, em uma rodada liderada por DN Capital, Monashees, Redpoint e Valor Capital.

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