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O lado produtor de televisão do rapper 50 Cent

Em evento virtual do festival SXSW, o artista de hip hop 50 Cent, que já vendeu mais de 30 milhões de discos, falou da carreira como produtor e de seu principal sucesso, “Power”, a série da Starzplay que ganhou quatro “spin-offs”

 

50 Cent na série Power, em que interpretou Kanan Stark

Curtis James Jackson III, que o mundo conhece apenas como 50 Cent, fez história na indústria do hip hop nos anos 2000. O seu primeiro álbum, “Get Rich Or Die Tryin”, lançado em fevereiro de 2003, vendeu mais de 13 milhões de cópias.

“Foi a maior estreia de um artista de hip hop”, lembrou o rapper, que nos últimos anos tem se destacado mais como produtor de TV. Sobretudo com a série “Power” e seus “spin-offs” (desdobramentos de um programa anterior), atrações da Starzplay, plataforma de streaming da Starz que está presente em mais 50 países, incluindo o Brasil.

“O meu sucesso na televisão espelha o sucesso que tive na música. ‘Power’, a primeira série (de ficção) que produzi, gerou o maior êxito da plataforma, o que me deu um nível sênior no segmento”, afirmou 50 Cent, de 45 anos.

“Power Book II: Ghost”, o primeiro “spin-off” da franquia “Power”, representou a estreia de uma das séries mais assistida da Starzplay. Ela atingiu 7,5 milhões de visualizações ao redor do mundo em sua semana de lançamento, em setembro do ano passado, o que impulsionou um crescimento de 42% no número de assinantes, segundo dados divulgados pela plataforma.

Ao todo, a saga do traficante de drogas que sonha abandonar a criminalidade e começar uma vida nova como proprietário de boate vai inspirar quatro “spin-offs”. Depois de “Power Book II: Ghost”, em exibição, “Power Book III: Raising Kanan” chega à Starzplay no segundo semestre. Já “Power Book IV: Influence” e “Power Book V: Force” estão ainda em pré-produção.

“A ideia é continuar crescendo. Sempre soube que ‘Power’ não iria acabar. Não precisa ter fim”, disse 50 Cent, durante evento online organizado pelo SXSW, o festival South by Southwest, que será encerrado neste domingo, 21 de março.

No painel virtual, que teve cobertura do NeoFeed, o rapper abordou o universo expandido de “Power”, que estreou em 2014, nos EUA. Na série original, encerrada em 2019, depois de seis temporadas, ele acumulou a função de produtor com a de ator, além de ter dirigido um dos episódios.

Seu personagem foi Kanan Stark, que inicialmente era amigo do traficante protagonista, James “Ghost” St. Patrick (vivido por Omari Hardwick). Mas Stark acabou se tornando um rival, conseguindo até colocar Tariq (Michael Rainey Jr.), o filho do chefe das drogas, contra o pai.

“Desde o começo, eu dizia que ‘Power’ teria sete temporadas. Isso porque eu comparava o nosso show com ‘Família Soprano’ (1999-2007)”, brincou o produtor, referindo-se à serie da HBO sobre Tony Soprano, o mafioso violento de New Jersey, que teve seis temporadas.

Inicialmente, 50 Cent recorreu ao seu prestígio como rapper, responsável pela venda global de mais 30 milhões de discos, para viabilizar “Power”. Nas suas últimas temporadas, a série foi vista por uma média de 10 milhões de espectadores por episódio.

A ideia do traficante que quer ser empresário legítimo partiu da roteirista Courtney A. Kemp. Mas o programa só saiu do papel depois que 50 Cent entrou no projeto, em parceria com o produtor Mark Canton (mais conhecido pelo filme “300”, de 2006).

Além de servir de chamariz, interpretando um dos personagens centrais da história, o rapper deu um grande empurrão na série com a toda a promoção que fez nas suas redes sociais. Só no Instagram sua conta traz mais de 26 milhões de seguidores.

“Nas duas primeiras temporadas, os executivos (da Starz) não teriam apoiado a série sem que eu estivesse no elenco. Na hora de fazer qualquer publicidade, eles sempre checavam comigo primeiro se eu estaria disponível”, contou.

Mas tudo mudou a partir da terceira temporada. “A partir daí, percebi que o programa era realmente uma sensação. Eles já não precisavam mais de mim, já que os outros atores davam totalmente conta do recado”, recordou o rapper, rindo.

Ter uma visão clara e específica do projeto que tem em mãos talvez seja o segredo do sucesso de 50 Cent como produtor de TV. Mas ambição e confiança também contam. “Antes de apresentar a ideia do ‘Power’ (à Starz), eu já acreditava que ela seria vendida. E eles compraram tudo o que quis vender. Claro que preciso ter uma conexão passional com a ideia. Do contrário, não dá certo”, disse.

“Power” e seus “spin-offs” são uma realização da produtora G-Unit Films and Television Inc, fundada por 50 Cent em 2003. Inicialmente, a empresa foi criada para realizar documentários e filmes estrelados pelo rapper, como o longa-metragem “Fique Rico ou Morra Tentando” (2005). Nessa produção, que foi sua estreia como ator, 50 Cent encarnou um jovem da periferia que deixa o tráfico de drogas para se tornar rapper.

O roteiro era sua própria trajetória. Órfão, 50 Cent cresceu nas ruas do Queens de Nova York, onde começou a vender drogas aos 12 anos. Na juventude, ele foi preso e, após deixar o tráfico, foi baleado, levando nove tiros na ocasião (o que deixou várias cicatrizes).

A carreira bem-sucedida no hip hop é explicada, em parte, pela sua vida difícil. Suas experiências no submundo das drogas deram profundidade às letras de suas músicas. E a imagem de violência também o acompanha no cinema ou na televisão, já que 50 Cent basicamente só se envolve em projetos que refletem algo do seu passado.

Além da franquia “Power”, o rapper produziu a série “For Life”, com exibição no canal Paramount. Lançado no ano passado, o programa segue os passos de um prisioneiro (Nicholas Pinnock) que se torna advogado para lutar contra a sua sentença de prisão perpétua.

50 Cent ainda está por trás da série ainda inédita “Black Mafia Family” (Starzplay), sobre dois irmãos de Detroit que fizeram fortuna com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A produção é rodada atualmente em Detroit, com os atores La La Anthony, Serayah e Snoop Dogg, entre outros.

A sua preferência pela temática mais “barra pesada” no audiovisual teria ligação com a própria cultura hip-hop, que “valoriza as pessoas que foram maltratadas pela vida”. E, de preferência, aquelas que conseguiram dar a volta por cima. Como o próprio 50 Cent.

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