O que explica a alta de mais de 250% das ações da Positivo em menos de três meses

A companhia é uma das principais beneficiadas da demanda aquecida por notebooks e até por tablets, que representaram 60% da receita bruta no primeiro trimestre de 2021. Papéis estão cotados no maior patamar dos últimos 10 anos

0
62
Leia em 3 min

Computador Vaio, fabricado pela Positivo

Nos últimos anos, a Positivo fez de tudo para reduzir a dependência dos computadores, um mercado em queda e que caminhava para a estagnação no Brasil e no mundo.

Primeiro entrou na área de smartphones. Depois, começou a produzir equipamentos para a internet das coisas, como lâmpadas inteligentes. A empresa chegou até a ganhar uma concorrência para produzir urnas eletrônicas, entre outras iniciativas.

Agora, depois de toda essa diversificação, o que vem salvando o resultado da positivo é, acredite, o bom e velho computador. Isso mesmo – você não leu errado.

A pandemia fez as vendas de notebooks e até tablets dispararem no primeiro trimestre de 2021. E isso tem se refletido no valor das ações da companhia.

Desde 1º de março deste ano, elas avançam mais de 250%. Hoje, os papéis sobem quase 6%, sendo cotados a R$ 14,57 por volta das 15h30. É o maior patamar desde outubro de 2010, mais de 10 anos. O valor de mercado da Positivo é de R$ 2 bilhões.

“A pandemia fez o computador voltar a ser pessoal. A demanda está muito alta”, disse Hélio Rotenberg, presidente da Positivo, ao NeoFeed.

No primeiro trimestre de 2021, a empresa apresentou um lucro líquido de R$ 56 milhões, alta de 1.175% em comparação ao mesmo período do ano passado. A receita bruta avançou 85%, para R$ 809 milhões.

O que puxou o resultado foram as vendas de notebooks, que cresceram 104,2% para R$ 349 milhões. Até os tablets, uma categoria que caminhava para a extinção, tiveram um desempenho surpreendente e cresceram 1.026,8% – a receita somou R$ 139,3 milhões e superou a de desktops.

Com esse desempenho, as vendas de computadores (notebooks e desktops) e tablets representaram 60% da receita bruta da Positivo.

Em abril deste ano, a Positivo fez acordo com a HP para produzir os computadores Compaq. A empresa já fabrica a marca Vaio, da Vaio Corp., no Brasil, além de equipamentos com a sua marca própria.

Uma fonte que conhece os corredores da Positivo disse que, no ano passado, a empresa sofreu com a falta de componentes, como chipsets e telas. E isso limitou o crescimento da companhia em 2020.

Agora, a Positivo, de acordo com essa fonte, se preparou melhor e conseguiu se abastecer. Com isso, está dando conta das entregas melhor do que outros competidores.

Um exemplo é que o mercado de computadores atingiu a marca de 1,77 milhão de unidades vendidas no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 19,8%, segundo dados da consultoria IDC. Na Positivo, o avanço foi de 69,2%, mais de três vezes o crescimento do mercado.

Além disso, o desabastecimento do mercado elevou o preço dos produtos. “Um notebook início de linha que custava R$ 1.200 hoje sai por volta dos R$ 2 mil”, afirma essa fonte. E a demanda, segundo apurou o NeoFeed, segue em alta em abril e maio.

Leia também