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Negócios

Positivo aposta em internet das coisas e startups para reduzir dependência de PCs

Maior fabricante brasileira de computadores investe em casa inteligente, startups, aluguel de máquinas e venda de servidores para empresas para diversificar receita

 

Hélio Rotenberg, presidente da Positivo Tecnologia

Durante anos, a fabricante de computadores Positivo foi a estrela do mercado brasileiro de PCs. A companhia de Curitiba, comandada pelo executivo Hélio Rotenberg, liderou esse setor, enfrentando gigantes internacionais, como as americanas Dell e HP e a chinesa Lenovo.

Mas a desaceleração das vendas de computadores no mercado brasileiro e mundial fez a empresa repensar sua estratégia. “Em 2012 e 2013, o mercado brasileiro vendia de 15 milhões a 17 milhões de computadores. Agora, as vendas representam um terço disto”, afirma Rotenberg, presidente da Positivo Tecnologia. “Precisávamos olhar oportunidades.”

Como sobreviver em um período em que seu principal produto deixa de ser um objeto de desejo dos consumidores? “A companhia está tentando se reinventar”, diz uma fonte que conhece bem a estratégia da Positivo.

Reinventar é uma palavra que Rotenberg não gosta de usar, pois alega que os computadores sempre serão importantes no balanço da Positivo, que faturou quase R$ 2 bilhões no ano passado. Ele prefere o termo diversificar.

Não se trata de algo novo. Há tempos, a Positivo vinha quebrando a cabeça para reduzir a dependência dos computadores. O primeiro passo foi investir em celulares, estratégia iniciada no fim de 2012. No primeiro trimestre de 2019, essa área já representava 30% da receita.

E, desde o início do ano, a Positivo iniciou uma de suas mais ousadas estratégias de diversificação de receita para reduzir sua dependência dos PCs.

Uma das medidas foi criar uma área para alugar computadores para empresas, em vez de vendê-los. Hoje, 23% das vendas para empresas já acontecem nessa modalidade.

A Positivo já investiu em quatro startups: Agrosmart, @tech, Eleva e Hi Technologies

Outro passo importante foi a compra de 80% da Accept, uma empresa brasileira que fabrica servidores e equipamentos de armazenamento, que conta com uma fábrica em Ilhéus, na Bahia. O valor do negócio, anunciado no fim do ano passado, não foi revelado.

Com a aquisição da Accept, a Positivo passa a contar com uma linha mais ampla de produtos, a exemplo do que fazem seus principais concorrentes internacionais, como Dell e HP.

Inovação de fora

A diversificação da Positivo passa também por buscar inovação fora de suas fronteiras. A companhia curitibana, que já vinha adquirindo participações em startups, acelerou essa estratégia graças ao Fundo de Investimento em Participações (FIP), da Lei de Informática.

A legislação obriga as empresas que fabricam no Brasil a investir aproximadamente 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Agora, uma parte desses recursos pode ser aplicada para comprar fatias de empresas.

Desde então, a companhia já fez aportes em duas agtechs: a Agrosmart, que usa sensores para monitorar a lavoura, e a @tech, de soluções tecnológicas para agropecuária de precisão, localizada em Piracicaba (SP). Na primeira, ela ficou com uma fatia de 12%; na segunda, 20%.

Antes disso, a Positivo já havia comprado participações na Eleva, que fabrica drones para pulverização da lavoura, e na Hi Technologies, um startup de health tech, que conta com um equipamento que faz diversos exames laboratoriais.

Em Manaus, onde está localizada a principal fábrica da Positivo, o plano da empresa é criar uma incubadora para startups de educação.

“Temos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por ano para investir em startups”, afirma Rotenberg. “Gostamos de investir no que chamamos de tecnologias jabuticabas, em que o Brasil é diferente do resto do mundo.”

Casa inteligente

Na semana passada, a companhia fez sua estreia no gigantesco mercado de internet das coisas, estimado em R$ 1,5 bilhão no Brasil em 2019, segundo a consultoria IDC, e com projeção de chegar a R$ 3,7 bilhões em 2022.

A Positivo anunciou sua marca de produtos para a casa inteligente, na qual objetos são conectados à web, para uma plateia repleta de varejistas, como ViaVarejo, Lojas Americanas, Casas Pernambucanas, Magazine Luiza, entre outros.

A marca inclui sistemas de segurança, lâmpadas LEDs com Wi-Fi e sensores para abertura e fechamento de portas e janelas. Todos são organizados em kits, de fácil instalação, com preços competitivos para atingir a classe média.

Plug inteligente e lâmpada LED Wi-Fi da nova linha de internet das coisas da Positivo

O kit que inclui alarme inteligente e sensores sem fio sai por R$ 499. O chamado Casa Eficiente, que vem com lâmpadas LED com Wi-Fi e smart plugs, que podem ser acendidas ou desligadas remotamente, custa R$ 449. Todos os dispositivos são controlados por um aplicativo, direto do smartphone.

A ideia da Positivo é reproduzir com a internet das coisas a mesma estratégia bem-sucedida que marcou sua estreia no varejo de PCs, quando lançou uma máquina pronta para a internet em 2004. O modelo foi um sucesso e catapultou a Positivo para a liderança do mercado brasileiro, posição que ficou durante muitos anos.

A nova linha de internet das coisas usa uma tática semelhante. Os produtos serão vendidos no varejo em kits fáceis de serem instalados. “A Positivo é boa de varejo. Está no DNA deles”, diz uma fonte do setor.

Essas não são as únicas iniciativas da Positivo. Rotenberg confirma outros planos para buscar novas fontes de receitas, mas é lacônico. “Estamos estudando outros projetos”, afirma o executivo. Quais? Ele não revela.

Uma fonte consultada pelo NeoFeed dá uma pista. “Eles estão olhando muito o modelo da Multilaser”, afirma.

A Multilaser atua com uma gama de mais de 3 mil produtos eletroeletrônicos e de tecnologia. Boa parte deles é importada da China.

A Positivo, com certeza, jamais chegará perto dessa quantidade de produtos. Mas não reclamará quando o PC for apenas um item – importante, é claro – de seu balanço financeiro.

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