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Pandemia, resultado fraco e imbróglio na Justiça: os desafios do novo CEO da IMC

Dona das marcas Frango Assado, Pizza Hut e KFC no País, a IMC terá novo comando a partir desta semana. Ex-CEO global da Popeyes, Alexandre Santoro terá que lidar com as restrições impostas pela segunda onda da Covid-19 e com uma disputa judicial envolvendo a operação local do KFC

 

Em 2020, o IMC registrou um prejuízo líquido de R$ 473,6 milhões

Dona de redes de restaurantes como Frango Assado, Pizza Hut, KFC e Viena no mercado brasileiro, a International Meal Company (IMC) terá, a partir da próxima quinta-feira, 1º de abril, um novo presidente.

Nessa data, Alexandre Santoro assumirá o comando do grupo, em substituição a Newton Maia, que ocupava a posição desde janeiro de 2017. O executivo chega com boas credenciais. Entre elas, a atuação como CEO global da rede Popeyes e como presidente da ALL, além de passagens pela Danone e Ambev.

A dança das cadeiras tem como um de seus motivos a entrada de novos acionistas. Entre eles, a Faro Capital, de Lucas Rodas, genro de Carlos Alberto Sicupira, sócio da RBI, dona do Burger King. Nesse processo de transição, Santoro terá a companhia de Maia, até o fim de abril. E já no curto prazo, uma série de questões para lidar à frente da operação.

“Certamente, esse é o momento mais desafiador da história do setor”, disse Santoro, em sua primeira conferência com analistas pela IMC, nesta terça-feira, 30 de março, em uma referência ao agravamento da pandemia. “Mas temos que olhar para frente. Como toda crise, essa vai passar e temos que estar preparados.”

A apresentação, que marcou a divulgação do resultado da IMC em 2020, também contou com a participação de Maia, que falou sobre a passagem de bastão. “Quero dar as boas-vindas ao Alexandre”, ressaltou. “Apesar das turbulências, tenho certeza de que a companhia está em ótimas mãos.”

Alguns números ajudam a entender os desafios impostos pela segunda onda da Covid-19, especialmente no mercado brasileiro. Hoje, a IMC tem uma base de 495 restaurantes, sendo 69 unidades no Caribe e nos Estados Unidos, onde a empresa opera com bandeiras como MargaritaVille e LandShark.

No mercado brasileiro, em função do novo avanço do coronavírus, 53,8% dos 426 restaurantes estão operando apenas com delivery; 30% estão abertos, mas com restrições; e 16,2% estão com as portas fechadas.

“Marcas como Frango Assado e KFC vinham em boa recuperação entre janeiro e fevereiro. Outras, como Pizza Hut e MargaritaVille, também, mas em ritmo menor”, afirmou Maia. “Mas é claro que com as novas medidas de isolamento, os números de março são piores.”

Essa situação traz novamente à tona o cenário que trouxe sérios impactos na operação da companhia em 2020. Sob os efeitos da pandemia, a IMC reportou uma receita líquida de R$ 1,15 bilhão no ano passado, um recuo de 28% sobre 2019.

No ano, o grupo registrou um prejuízo líquido de R$ 473,6 milhões, ante uma perda de R$ 15,8 milhões em 2019. Na última linha do balanço, a empresa destacou o impacto de um impairment contábil de ágio (não-caixa) no valor de R$ 327 milhões.

A crise também trouxe reflexos na relação da empresa com a Kentucky Fried Chicken International, holding que controla o KFC, que entrou na justiça pedindo a revogação da exclusividade da atuação da IMC como master franqueado da rede no Brasil.

A holding alega que a IMC implantou diversas medidas de contenção dos impactos gerados pela Covid-19. Entre eles, a revisão de termos dos contratos firmados, com impacto em frentes como abertura de lojas.

No início do mês, a 2ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo indeferiu os pedidos da ação cautelar ajuizada pela holding americana. O processo, no entanto, segue em discussão em segredo de justiça.

“Nós seguimos como master franqueados do KFC no Brasil e a marca continua nos nossos planos”, ressaltou Santoro. “Essa questão está na justiça, mas vamos buscar encontrar uma solução.” Hoje, a IMC tem 97 restaurantes do KFC no País.

Enquanto o imbróglio não tem uma resolução e a Covid-19 restringe as operações, a IMC segue buscando meios de expandir a operação. Em fevereiro, a empresa fechou um acordo com a Raízen para prospectar novos restaurantes e postos de gasolina em rodovias das regiões Sul e Sudeste, para a marca Frango Assado. Ainda nessa bandeira, há quatro lojas em construção e outras quatro com cartas de intenção assinadas.

No caso do Pizza Hut, a IMC destacou que, atualmente, são 29 novas lojas cujas obras foram iniciadas ou os termos de contratos de aluguel já negociados. No KFC, 31 unidades estão em situação similar. Já no mercado americano, existem cinco lojas em construção, com previsão de abertura no biênio 2021-2022.

“Não tenho dúvidas de que vamos superar esse momento”, afirmou Santoro. “Nossa demanda não acabou. Está apenas reprimida pelas restrições de consumo. E temos uma plataforma espetacular, com grandes marcas e um potencial gigantesco de crescimento.”

O mercado de capitais, a julgar pela reação inicial, está comprando esse discurso. Os papéis da empresa estavam sendo negociados a R$ 3,70, por volta das 11h30, com alta de 6,9%. Levando-se em conta o preço do fechamento do pregão da segunda-feira, as ações da IMC acumulam uma queda de 17,8% em 2021. O grupo está avaliado em R$ 1,05 bilhão.

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