Para Hillary Clinton, as big techs “inundam nossas mentes” com fake news

A ex-senadora e secretária de Estado do governo de Barack Obama defende que as empresas de tecnologia precisam fazer mais no combate às fake news e aos discursos de ódio. E ressalta que isso é ainda mais urgente diante da escalada dos líderes autoritários e das ameaças à democracia em todo o mundo

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Hillary Clinton, candidata democrata na eleição americana de 2016, ex-senadora e ex-secretária de Estado de Barack Obama

Em uma época na qual temas como liberdade de expressão se confundem com a disseminação de fake news e de discursos de ódio, um segmento específico está sob os holofotes: as grandes empresas de tecnologia, cujo papel no combate a essas práticas tem sido cada vez mais questionado.

Esse foi justamente um dos assuntos abordados por Hillary Clinton nesta quinta-feira, 26 de agosto, na Expert XP, evento promovido pela XP Inc. Em sua participação, ela reconheceu que esse é um problema difícil de ser solucionado, mas ressaltou que as big techs deveriam fazer “muito mais”.

“Infelizmente, não temos visto o tipo de esforço que precisaria ser feito”, afirmou Hillary. “Elas não farão isso sozinhas. Vai ser necessário que os governos tentem começar a evitar que as empresas de tecnologia inundem nossos mercados e mentes com informações falsas.”

Candidata dos democratas na eleição americana de 2016, ex-senadora e ex-secretária de Estado de Barack Obama, Hillary observou que o primeiro passo deve ser dado por essas empresas, mas acrescentou que isso deve ser acompanhado por políticas e regulações dos governos.

“Isso vai exigir que essas companhias mudem seus modelos de negócios e seus algoritmos”, afirmou Hillary. “A democracia requer que as pessoas tenham acesso a fatos e informações críveis para tomarem suas decisões. E, hoje, com as redes sociais, é cada vez mais difícil.”

Em um contexto mais amplo, Hillary reiterou sua preocupação com a escalada do número de líderes autoritários no mundo e ressaltou que o planeta vive uma competição entre a autocracia e a democracia.

“Vejo muitos líderes, que foram eleitos democraticamente, e que não acreditam no estado de direito e estão tentando ter o máximo possível de poder”, disse Hillary. “Essa é uma ameaça muito séria à democracia. Temos que fazer o que pudermos para protegê-la, preservá-la e promovê-la.”

Ainda nesse âmbito, Hillary também questionou a postura de alguns desses líderes na pandemia, especialmente no que diz respeito aos discursos que se opõem à vacinação. E, nesse ponto, fez um recorte para o cenário observado nos Estados Unidos.

“É muito trágico que tenhamos pessoas no meu país que não querem tomar a vacina e que tenhamos líderes apoiando”, afirmou. “Enquanto isso, o resto do mundo está implorando por vacinas. Os Estados Unidos e a Europa precisam fazer muito mais para distribui-las aos países da África, da América Latina e da Ásia.”

Ao observar que a Covid-19 expôs as deficiências nas cadeias de suprimentos em segmentos como equipamentos de proteção individual e de componentes na indústria farmacêutica, Hillary também defendeu que é preciso buscar maior colaboração entre os países.

“Gostaria de ver mais cooperação econômica entre a América do Norte e a América do Sul”, afirmou. “Estamos concorrendo com a China e devemos aproveitar os talentos que temos no nosso hemisfério para trabalharmos muito mais juntos.”

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