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Heroína ou vilã? Documentário tenta desvendar a verdadeira Hillary Clinton

O NeoFeed acompanhou o lançamento de documentário sobre a vida e a trajetória de Hillary Clinton. E selecionou as principais declarações que Hillary fez no evento em Berlim

 

Hillary durante a campanha presidencial de 2016

Berlim – A ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, que poderia ter sido a primeira mulher a governar os Estados Unidos, aparentemente não tem fôlego para encarar mais uma disputa presidencial.

Mas isso não significa que ela se deu por vencida. Hillary, agora os 72 anos, prefere trabalhar nos bastidores, arrecadando fundos para as causas nas quais acredita e lutando por justiça social.

Uma das mulheres mais admiradas e, ao mesmo tempo, vilanizadas na história americana, a esposa do ex-presidente Bill Clinton ainda carrega cicatrizes da vida sob os holofotes. “Disseram as coisas mais malucas sobre mim: que eu matei, que eu roubei e só Deus sabe o que mais.”

Agora, ela passa a sua vida e a sua carreira a limpo em documentário de mais de quatro horas sobre sua vida disponível no serviço de streaming Hulu.

O NeoFeed acompanhou o lançamento do documento “Hillary”, com direção de Nanette Burstein, durante a 70ª edição do Festival de Cinema de Berlim.

E fez uma seleção das principais declarações que Hillary fez no evento e que estão presentes no documentário. Confira a seguir:

Santa ou demônio?
“Sou humana, com forças, fraquezas, pontos de vistas e sentimentos. Como surgi em um momento em que não havia mulheres de olho na posição política mais alta nos EUA, provoquei muitas reações, algumas muito pessoais. Muito disso foi apenas um esforço para me descaracterizar. Mas o que você vê é o que eu sou. Alguém me perguntou uma vez o que quero na minha lápide, e eu disse: Ela não é tão boa nem tão ruim quanto as pessoas dizem.”

Próximas eleições presidenciais
“Vou esperar para ver quem indicamos (do Partido Democrata) e vou apoiar o candidato. Não surpreenderá ninguém me ouvir dizendo que é imperativo aposentar o presidente em exercício (Donald Trump). Você não precisa gostar de ninguém da política. Nem concordar com ninguém. Mas nesse estágio precisamos entender que, em uma democracia, são as pessoas que devem escolher os seus líderes. E não a interferência estrangeira, a desinformação nas redes sociais, a propaganda ou qualquer material roubado, como tem acontecido. Nós podemos seguir a direção política que quisermos, mas deve ser a nossa escolha.”

Mulheres na corrida presidencial
“O fato de eu ter sido a única mulher que se candidatou ao cargo mais alto (para presidente, nas eleições de 2016), todos lançaram os seus pontos de vista, os seus preconceitos e as suas expectativas sobre uma pessoa só. Espero ver mais mulheres se candidatando, para que isso seja normalizado, e não ouvirmos mais aquele tipo de conversa: ‘Veja só, é uma candidata mulher à presidência. E ela consegue falar’. Desta vez, felizmente, houve mais mulheres, ainda que a mesma dualidade de critérios tenha continuado em jogo. Fizemos algum progresso, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Assim como os homens, as mulheres apresentam todos os formatos, tamanhos e estilos de cabelo e devem ser julgadas pelos seus méritos.”

“Espero ver mais mulheres se candidatando, para que isso seja normalizado, e não ouvirmos mais aquele tipo de conversa: ‘Veja só, é uma candidata mulher à presidência. E ela consegue falar’”

Perigoso legado de Trump
“A campanha dele e a maneira como ele governa certamente encoraja os líderes autoritários e a política de insultos. Você se eleva ao escolher alvos como imigrantes ou outras minorias, como pessoas de religião diferente ou homossexuais. Claramente há quem siga esse modelo, o que é uma séria ameaça à democracia. O nosso presidente tem muita admiração por líderes autoritários e se sente muito à vontade com os que são, em grande parte, mas não exclusivamente, de direita. Eles exercitam o poder de um jeito irresponsável, o que me preocupa muito.” 

Trump como adversário na campanha de 2016
“Ele entrou na campanha com tanta energia negativa e críticas tão amargas. Claramente ele se sentia confortável em atacar mulheres, saboreando o fato de diminuí-las. No segundo debate, ele me perseguia (pelo palco), me olhando de soslaio. Parecia um macho alfa. Como eu percebia aquilo, me perguntava o que deveria fazer. Se dissesse ‘Recue, seu louco, você não vai me intimidar’, eu pareceria brava? O que as pessoas achariam, já que ele só estava parado lá?”

Doação de Harvey Weinstein à campanha de Hillary
“O veredito do júri (ao condenar o produtor de cinema a 23 anos de prisão por abuso sexual e estupro) fala por si mesmo. Obviamente, o caso foi algo que as pessoas acompanharam por ser o momento de um acerto de contas. É verdade que Weinstein fez contribuições em todas as campanhas dos democratas, incluindo as de Barack Obama, John Kerry e Al Gore. Não sei se isso (o veredito) desencorajará alguém a fazer contribuições para campanhas políticas, mas deve acabar com o tipo de comportamento pelo qual ele foi condenado”.

Lembranças como primeira-dama
“Eu provoco opiniões fortes. Positivas e negativas. Há um conjunto de expectativas sobre uma primeira-dama, e eu violei todas elas desde o começo. Mesmo quando eu achava que estava estendendo a mão, sendo o mais clara que podia e revelando algo de mim mesma, sempre me sentia batendo contra uma parede de tijolos. Não sabia o que eles queriam de mim. Eu era constantemente atacada no rádio e na TV.”

“Eu provoco opiniões fortes. Positivas e negativas. Há um conjunto de expectativas sobre uma primeira-dama, e eu violei todas elas desde o começo.”

Escândalo sexual envolvendo Monica Lewinsky
“Fiquei tão machucada. Eu disse (a Bill): ‘Não acredito nisso. Não acredito que você mentiu. Se isso for público, você precisa contar a Chelsea (a filha do casal)’. Por um tempo, não quis nem falar com ele. Eu tinha o fardo extra de ter pertencido à equipe de impeachment em 1974 (durante o Watergate). Como eu havia feito pesquisas sobre o que é um crime grave e uma contravenção, sabia quais eram os padrões para impeachment e que aquilo não era. Ele não deveria ter feito o que fez e nem ter tentado esconder. Mas eu o defendi e fiquei do seu lado porque achava que o processo de impeachment estava errado. Mas aquela não era a resposta que eu necessariamente daria ao meu casamento. Eu ainda precisava decidir se queria permanecer nele, se havia o que salvar. Buscamos aconselhamento profissional e tivemos discussões dolorosas.”

 Lição mais valiosa
“Na minha vida pública e política, levo as críticas a sério, mas não as levo para o lado pessoal. Dá para aprender com os seus críticos, mas, como há muitas motivações associadas às críticas na política, isso não pode fazer você desistir, se sentir desencorajada ou se entregar. Aprendi isso na infância, o que serviu também para a minha vida pública.”

 O que ainda esperar de Hillary
“Ainda não estou no momento da minha vida em que olho para trás. Continuo olhando para frente. Como ainda há muita coisa a ser feita e abordada todos os dias, não penso no meu legado. Mas sim em como podemos conseguir assistência médica para todos os americanos, como podemos lidar com as mudanças climáticas e como podemos aposentar Donald Trump. É nisso que eu penso.”

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