Para o Goldman Sachs, Stone e PagSeguro vão dar a volta por cima

As duas empresas enfrentaram notícias negativas nos últimos meses e caem mais que o Ibovespa no acumulado do ano. O Goldman Sachs, porém, vê potencial para reversão

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A Stone e a PagSeguro, as duas empresas brasileiras de pagamentos listadas em Nova York, têm passado por momentos difíceis no mercado de ações ao longo dos últimos dois meses.

Enquanto a Stone foi penalizada pelos investidores após revelar que teve problemas para executar garantias de empréstimos e suspender a oferta de crédito, a PagSeguro também se desvalorizou depois de o Banco Central (BC) propor um limite para as taxas cobradas no cartão pós-pago, o que pode afetar a receita de um dos principais negócios da companhia.

No acumulado do ano, o papel da Stone negociado em Nasdaq registra queda de 61%, a US$ 31,90. A PagSeguro, por sua vez, tem recuo de 35%, a US$ 35,21, na Bolsa de Nova York – enquanto o Ibovespa cai 11% em 2021.

Um dos bancos americanos que acompanham de perto as ações das duas companhias, o Goldman Sachs reconhece que as empresas perderam valor após essas notícias nada animadoras, mas permanece confiante na capacidade de ambas voltarem a se valorizar.

Em relatório distribuído a clientes nesta quarta-feira, 3 de novembro, os analistas do Goldman Sachs estimam que as duas empresas terminaram o terceiro trimestre com ganho de participação de mercado e aumento do lucro, em relação ao trimestre anterior. Os balanços ainda serão divulgados.

No caso da Stone, o avanço deverá ser de 9,9% para 11,1% na fatia do mercado, em volume de pagamentos transacionados, com a empresa se mantendo em quarto lugar, atrás de Cielo (26,5%), Rede (23,5%) e Getnet (16%). Para PagSeguro, o avanço seria de 9,3% para 10,1%, na quinta posição.

“Esperamos uma aceleração, no trimestre, do crescimento do volume (de pagamentos), conforme a economia se recupera e os casos da Covid-19 diminuem”, escrevem os analistas Tito Labarta, Tiago Binsfeld, Beatriz Abreu e Nicholas Walker.

A PagSeguro, eles estimam, deve ter expansão de 18% na comparação entre o terceiro e o segundo trimestre, depois de uma alta de 13% no segundo, em relação ao primeiro. A Stone deve acelerar o ritmo de 18% para 21%.

Os analistas acreditam também que a expansão será mais “saudável”, à medida que efeitos não recorrentes da pandemia, como o auxílio emergencial, vão ficando para trás. Para a Stone, por exemplo, o terceiro trimestre, em comparação a igual período do ano passado, teria expansão de 53% se não fossem os efeitos positivos do auxílio no ano passado. Com o auxílio na conta, o aumento deverá ser de 5%.

Com isso, o Goldman Sachs acredita que as duas empresas devem registrar expansão do lucro no terceiro trimestre. A Stone, diz o banco americano, deve ter lucro líquido recorrente de R$ 173 milhões, com alta de 31% em relação ao segundo trimestre, mas com queda de 41% ante igual período do ano passado.

A PagSeguro deverá ter ganhos de R$ 413 milhões no período de julho a setembro, aumento de 20% em relação aos três meses imediatamente anteriores e de 25% em comparação a igual intervalo de 2020.

O Goldman Sachs, porém, admite que o cenário está mais desafiador para ambas. Tanto é que revisou para baixo, nas últimas semanas, as estimativas de preço-alvo para as duas empresas.

Para PagSeguro, a projeção caiu de US$ 84 para US$ 73. No caso de Stone, recuou de US$ 64 para US$ 58. Além dos problemas que cercam cada uma, o Goldman Sachs citou o aumento dos juros no Brasil como um dos principais fatores para a revisão.

A Selic, que caiu para 2% ao ano no início da pandemia, já está em 7,75% em 2021 e deve continuar subindo, segundo projeções de economistas do mercado. “Isso deve ter um impacto nas despesas financeiras”, afirma o Goldman Sachs, em referência às duas empresas.

Em relação à Stone, o banco americano ressaltou que a nova estimativa também incorpora a forte queda enfrentada nos últimos meses pelo Banco Inter, no qual a Stone tem uma participação acionária, após investir R$ 2,5 bilhões em oferta feita em junho. Desde o pico atingido em julho, as units do Inter caem 50%.

Ainda assim, as estimativas de preço-alvo do Goldman Sachs estão bem acima da cotação atual dos dois negócios, o que faz com que o banco mantenha a sua recomendação de compra dos papéis. Por volta das 11h30, o papel da Stone era negociado a US$ 31,90, em queda de 0,5%, enquanto PagSeguro era cotada a US$ 35,21, em alta de 0,21%.

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