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Para Ray Dalio, os EUA nunca tiveram um rival tão forte como a China

O comandante do Bridgewater Associates, um dos maiores fundos globais de hedge, com US$ 140 bilhões sob gestão, afirmou que nem a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) teve um poderio econômico tão grande quanto o país asiático. E nunca a China esteve tão próxima dos EUA no campo tecnológico

 

À frente do Bridgewater Associates, um dos maiores fundos globais de hedge, com US$ 140 bilhões sob gestão, o americano Ray Dalio ganhou status de lenda em Wall Street a partir de suas análises minuciosas sobre o mercado. Boa parte delas, baseada na observação dos ciclos se repetem no curso da história e que influenciam os cenários econômico e político e, por consequência, os investimentos.

Com o mundo sob os impactos da Covid-19, Dalio vem reforçando essa sua habilidade. E diante de padrões que ressurgem agora, sob nova roupagem, um dos fatores que ele destaca é o embate crescente entre as duas maiores potências mundiais, que está sendo realçado com a pandemia.

“Hoje, o poder dos Estados Unidos, de diversas maneiras, está em declínio” disse Dalio, em painel nesta noite na Expert XP, evento promovido pela XP Inc. “E a China, por sua vez, está em ascensão como potência.”

Em sua participação, o investidor ressaltou que a última vez em que um país desafiou a maior potência mundial foi nos anos 1930 e após a Segunda Guerra Mundial. Mas, mesmo nesse contexto, disse ele, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), que se opôs aos Estados Unidos durante a Guerra Fria, nunca teve o poderio econômico demonstrado hoje pela China.

Dalio destacou um dos pontos de atenção no cenário da disputa atual. “Os Estados Unidos são privilegiados por conseguirem imprimir uma moeda usada no mundo todo”, disse. “Mas, ao mesmo tempo, estão abusando desse privilégio”, observou, em uma referência às políticas econômicas adotadas pelo governo americano nessa crise, o que poderia depreciar e impactar o valor da moeda americana.

Ele também ressaltou que enxerga riscos para o domínio americano mesmo em campos nos quais o país ainda se diferencia em relação a outras economias. É o caso do setor de tecnologia, que tem ganhado ainda mais impulso durante a pandemia.

“Hoje, o setor de tecnologia é um grande vetor e responde, em grande parte, pela competitividade dos Estados Unidos”, afirmou. “Mas, mesmo nesse segmento, a China está quase se comparando ao país, e a singularidade americana está se reduzindo.”

Dalio ressaltou ainda possíveis implicações do fortalecimento desse embate para o panorama econômico e político. “Isso pode significar maior autossuficiência, com o corte de abastecimento e de produtos valiosos, como por exemplo, tecnologias, além de capital.”

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