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Piratas de varandas: EUA vive “epidemia” de furto de encomendas e pacotes

Só na cidade de Los Angeles, queixas de roubo de bens pessoais avançaram 3,9% entre junho e julho deste ano. Polícia local afirma que o número pode ser ainda maior, porque a maioria das vítimas não dá queixa

 

Imagens da câmera de segurança de Karen Cole

Enquanto Hollywood retoma aos poucos sua agenda de gravações, outras câmeras – as de segurança – não tiveram folga: capturam, dia e noite, a escalada da ação dos famosos “piratas de varanda”, como são chamados os ladrões de encomendas e pacotes deixados nas portas das casas nos EUA.

O americano Ace Cohen, de 32 anos, foi um dos infelizes “espectadores”. Pelo vídeo, Cohen viu a tragicomédia de sua compra da Amazon sendo furtada do lobby do prédio onde mora, na zona oeste de Los Angeles.

“Dois indivíduos usaram a chave dos entregadores da UPS para acessar a área comum do prédio em plena luz do dia. Tranquilamente, eles carregaram todos os pacotes à vista, mas o que mais me chocou é que um deles, acredite, trazia um chiuaua na coleira”, contou ao NeoFeed.

Com exceção da companhia do cachorro, relatos como o de Cohen são cada vez mais frequentes na Califórnia e nos demais estados do país. O crime é hoje tão “comum” que uma pesquisa da agência de pesquisa C+R Research apurou que um a cada três americanos já teve uma encomenda roubada ou furtada. 

Segundo o Instituto Politécnico Rensselaer, até o fim do ano passado, 1,7 milhão de pacotes eram furtados diariamente nos EUA, mas esse número pode ser ainda maior.

Apenas na cidade de Los Angeles, as denúncias de roubos ou subtração de artigo pessoal saltou 3,9% entre junho e julho deste ano, indo de 1.525 para 1.584 casos. Essa estatística é do Departamento de Polícia da Cidade de Los Angeles, o LAPD, na sigla em inglês.

Embora não se possa afirmar que todos os boletins de ocorrência feitos nesta época sejam relativos a ação de “piratas de varanda”, os oficiais acreditam que os números deste crime sejam drasticamente subestimados, uma vez que poucas vítimas se “dão ao trabalho” de denunciar.

De fato, a agência Hippo investigou que, em maio, as pesquisas no Google pelo termo “pacote roubado” ou variações são as maiores desde 2004, quando os dados do Google Trends se tornaram públicos. O período de Natal, época em que o número de deliveries salta desproporcionalmente, não entra para essa conta. 

Mas as buscas online raramente se convertem em denúncias oficiais por diferentes motivos. Um deles é a ágil e fácil política de reembolso das empresas remetentes.

A Amazon, por exemplo, costuma devolver o dinheiro do cliente em casos de furto, mesmo que não haja nenhuma prova. Claro que o histórico da pessoa, nesse caso, é levado em consideração. UPS e Fedex também têm cláusulas de “seguro” para proteger os destinatários, mas são um pouco mais rigorosas.

A C+R Research calcula que US$ 25 milhões são gastos todos os dias com produtos roubados e suas consequências. O que também desencoraja as denúncias é o valor da compra: quando um item “barato”, de algumas dezenas de dólares, é subtraído, muita gente prefere absorver o prejuízo do que enfrentar a burocracia da denúncia. 

Foi essa a razão pela qual Karen Cole, de 56 anos, preferiu não acionar a polícia. Mesmo com o registro do furto, que aconteceu na madrugada do dia 21 de agosto, Cole não levou a cabo o boletim de ocorrência. “A polícia não faz nada, então seria uma perda de tempo. É mais fácil aceitar que eu ‘perdi’ US$ 32 mesmo”, lamenta ao NeoFeed.

O desabafo de Cole tem a ver com uma regra vigente na Califórnia, que praticamente proíbe a prisão de pessoas que furtam bens com valor igual ou menor a US$ 950. Na Califórnia, o roubo de pacotes é considerado um crime “leve” e a pena pode ser de seis meses de prisão ou o pagamento de uma multa de até US$ 1 mil. 

Na tentativa de coibir a repetição dessas atividades, o Texas endureceu a sentença para este crime. Desde o começo do ano, os “piratas de varanda” que forem pegos no estado terão de responder por um crime grave e pagar entre US$ 4 mil e US$ 10 mil e ainda cumprir até 10 anos de prisão. 

Paralelo às mudanças nas regras, as companhias remetentes também tentam apresentar soluções criativas. A Amazon, por exemplo, apresentou, em 2017, o serviço Amazon Key, um dispositivo inteligente que abriria, através de um app, a porta da casa do cliente para que seu entregador colocasse os pacotes dentro da residência.

A medida foi alvo de piada na internet, com usuários dizendo que seria uma invasão de privacidade, mas segue disponível. Também não há informações sobre quantos mensalistas do Amazon Prime aderiram a ele.

Enquanto isso, as unidades dos correios e da UPS oferecem a “locação” de armários protegidos por código ou cadeado para aqueles que preferem zelar pela segurança de suas encomendas.

Os usuários interessados pagam uma pequena mensalidade para que suas entregas sejam endereçadas à unidade em questão; como um serviço de caixa postal mesmo.

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