PX Ativos Judiciais capta R$ 100 milhões em um FIDC com a Galapagos Capital

Com a cifra, a startup projeta comprar R$ 200 milhões em créditos judiciais oriundos de ações cíveis, trabalhistas e precatórios, em 2022. E antecipar os recebíveis desses processos a cerca de 10 mil credores

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Renata Nilsson, fundadora e CEO da PX Ativos Judiciais

A morosidade do sistema judiciário brasileiro virou uma oportunidade de negócio para empresas que antecipam o recebimento de créditos judiciais para os credores. Uma das startups de olho nesse segmento, a PX Ativos Judiciais está ganhando um novo fôlego para levar à frente sua proposta.

A companhia revelou ao NeoFeed a captação de R$ 100 milhões por meio de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), estruturado e com a participação da gestora de investimentos Galapagos Capital.

Fundada em dezembro de 2020 pela advogada Renata Nilsson, a PX trabalha com a aquisição de créditos judiciais oriundos de ações cíveis, trabalhistas e precatórios. A startup permite que os credores recebam o dinheiro antecipadamente com desconto, enquanto fica com o valor integral da ação.

“Antecipar um processo pode valer muito mais a pena do ponto de vista financeiro para quem está buscando crédito”, diz Renata, fundadora e CEO da PX Ativos Judiciais, em entrevista ao NeoFeed.

Esse é o terceiro FIDC da PX constituído em parceria com a Galapagos Capital. Os outros dois fundos, também no valor de R$ 100 milhões cada, foram estruturados no ano passado.

Do valor levantado até agora, cerca de R$ 70 milhões já foram alocados na aquisição de mais de 1 mil casos. Para esse ano, a meta é investir R$ 200 milhões na compra de créditos que possam antecipar os recebíveis de aproximadamente 10 mil credores. No longo prazo, a estimativa é comprar entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões em créditos por ano.

O modelo do negócio envolve o risco de que os créditos adquiridos não sejam recebidos, o que impossibilita o pagamento previsto aos cotistas do FIDC. Nesse caso, a PX e a Galapagos compensam os demais investidores que aplicaram dinheiro no fundo em questão. “Somos os últimos a receber. Primeiro remuneramos os investidores e o que sobrar é o nosso resultado”, diz Renata.

Em pouco mais de um ano de operação, a PX obteve sucesso em todas as ações adquiridas e que já foram resolvidas judicialmente. A estimativa, porém, é de uma perda de até 5% das ações, com a possibilidade de parte dos processos gerarem resultados inferiores ao que foi calculado anteriormente.

A PX atua no mesmo mercado de startups do setor jurídico que surgiram nos últimos anos e que também exploram a antecipação de recebíveis. Entre elas, estão nomes como Ventoo, Pro Solutti e Anttecipe.

Para escolher quais processos serão adquiridos, a PX tem um filtro em que coloca no radar apenas ações com valores acima de R$ 20 mil e teto máximo de R$ 10 milhões. Os casos são analisados por especialistas, que também calculam o valor que poderá ser pago na aquisição do crédito.

As cifras variam de acordo com fatores que levam em conta o risco relacionado ao devedor, o estágio do processo e o prazo estimado para resolução. Caso o valor da ação venha a se tornar maior do que o estimado inicialmente, a PX faz a compensação do montante ao credor.

“O trabalho de calcular o valor que será pago é meu. Se o processo valia R$ 100 mil inicialmente e, no fim, foi avaliado em R$ 200 mil, algo entre 80% e 90% de todo esse valor vai para o credor”, diz Renata.

Em média, cada ação leva cerca de 19 meses para ser finalizada após a aquisição do crédito pela PX. Do lado dos credores, o valor é recebido cerca de cinco dias úteis após assinatura para a cessão dos créditos. Os advogados dos credores também podem optar por antecipar os honorários descontados.

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