Qualidade do crédito acende o sinal de alerta do Mercado Livre

Para Itaú BBA, perspectiva de piora na inadimplência com cartão de crédito é ponto de atenção no desempenho do braço financeiro do grupo, no 2º trimestre. O e-commerce, por sua vez, deve apresentar boa performance

0
0
Leia em 3 min

Com a deterioração das condições econômicas no Brasil, investidores e analistas buscarão nos resultados do segundo trimestre de 2022 indícios de questões que podem vir a ser problemáticas para as empresas listadas.

No caso do Mercado Livre, o tema que mais estará sob os holofotes será a qualidade do crédito do Mercado Pago, o braço financeiro do grupo, e mais especificamente, o impacto da provisão para créditos de liquidação duvidosa sobre o resultado da companhia como um todo, segundo o Itaú BBA.

Os analistas Thiago Macruz, Maria Clara Infantozz e Gabriela Moraes esperam que o Mercado Pago apresente um crescimento nos indíces de inadimplência com cartão de crédito no segundo trimestre, em meio à piora do cenário de crédito em geral no Brasil. 

A situação deve ofuscar a postura mais conservadora da companhia com relação à concessão de crédito em geral. O Itaú BBA analisou os dados de crédito do Mercado Livre a partir de números de FIDCs da companhia e ressaltou que o índice de NPL (créditos não produtivos), excluindo dados de cartão de crédito, mostram uma melhora de 0,8 p.p. entre maio e junho, para 27% da carteira. 

Os dados não incluem, porém, informações a respeito de cartão de crédito. Considerando que o endividamento da população nessa modalidade é elevado – dados da Confederação Nacional do Comércio mostram que entre os endividados no primeiro semestre, 86,6% possuem dívidas no cartão de crédito -, a expectativa é de que esse item pese sobre o desempenho do Mercado Livre no segundo trimestre.

“Na nossa prévia de resultados, antecipamos uma queda de 1,5 p.p. da margem operacional em relação ao mesmo período de 2021”, diz trecho do relatório. “A despesa maior com empréstimos ruins devem estar entre os principais fatores para a queda.”

No primeiro trimestre, o NPL total do Mercado Livre foi de 27,6%, um aumento de 3,3 p.p. em relação ao quarto trimestre, período em que os juros estavam em patamares baixos nos mercados em que a empresa atua.

Segundo o balanço do período divulgado pela companhia, o resultado se deu pela mistura entre um ritmo acelerado de originação e uma maior exposição a crédito ao consumidor. Ainda assim, destacou a empresa, o nível do NPL ficou no mesmo nível visto no segundo e no terceiro trimestre de 2021. 

Os analistas do Itaú BBA afirmam que o mercado, em geral, ajustou as expectativas para incorporar uma deterioração na qualidade de crédito daqueles varejistas que operam braços financeiros. 

No Mercado Livre, o bom momento da divisão de e-commerce deve ajudar a compensar parte dos problemas relacionados à qualidade do crédito. Os analistas projetam que a empresa registará o maior crescimento de GMV entre as companhias do ramo, de 27% em relação ao segundo trimestre do ano passado. 

Entretanto, o banco alerta que uma deterioração acima do esperado do NPL pode trazer volatilidade para as ações do Mercado Livre no curto prazo. O Itaú BBA recomenda a compra das ações da empresa, com preço-alvo de US$ 1.100,00. 

Por volta das 13h10, as ações do Mercado Livre recuavam 4,32% na Nasdaq, a US$ 729,82. No ano, os papéis acumulam queda de 46,2%, levando o valor de mercado da empresa a US$ 36,7 bilhões.

Leia também

Brand Stories