Negócios

Richard Branson também vai embarcar na onda das empresas de cheque em branco

O bilionário britânico fundador do Grupo Virgin é mais um a apostar no modelo de Special Purpose Acquisition Company (SPAC), que já movimentou mais de US$ 20 bilhões em 2020. Ele planeja captar US$ 460 milhões para criar uma SPAC, chamada VG Acquisition

 

O bilionário e fundor do Grupo Virgin, Richard Branson

No calendário das ofertas públicas de ações, as chamadas Special Purpose Acquisition Companies (SPACs) começam a atrair cada vez mais adeptos no mercado.

Uma SPAC capta recursos no mercado de capitais para fazer aquisições no prazo de até dois anos. Os investidores apostam sem saber qual a empresa a ser comprada até que o negócio se concretize – daí o termo “cheque em branco”.

Segundo o Goldman Sachs, mais de 50 ofertas de companhias desse porte foram realizadas até o momento em 2020. Com um salto de 145% no volume comparado a igual período de 2019, esses IPOs arrecadaram mais de US$ 20 bilhões.

No que depender do magnata Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, esse montante vai ser reforçado. Conforme documento registrado na Securities and Exchange Commission (SEC), o bilionário britânico planeja captar US$ 460 milhões para criar uma SPAC, chamada VG Acquisition.

Segundo o arquivo, a empresa, que tem Branson como fundador e está registrada nas Ilhas Cayman, pretende usar a cifra para comprar um ativo já em operação. A companhia acrescentou que irá procurar uma empresa que atue em um dos principais segmentos do grupo Virgin, como viagens, finanças, saúde, tecnologia, música, mídia, celular e renováveis.

Em abril, com os negócios do grupo impactados pela Covid-19, Branson, dono de uma fortuna estimada em US$ 4,3 bilhões, chegou a sugerir que poderia hipotecar uma ilha de sua propriedade, nas Ilhas Virgens Britânicas, para socorrer a companhia.

No início de agosto, no entanto, um dos braços do grupo, a Virgin Atlantic Airways, entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. O registro foi feito dentro do capítulo 15 da lei americana. Ele permite que companhias estrangeiras com ativos no país e não listadas nas bolsas locais peçam proteção dos credores enquanto alinham um plano de recuperação em seu país de origem.

Em crescimento

Com o novo movimento  registrado na quarta-feira, o empresário engrossa uma lista de bilionários e de empresas que já seguiram esse caminho. A relação inclui, por exemplo, o investidor e bilionário Bill Ackman, e a gestora Apollo Global Management que registrou na quarta-feira um pedido para captar US$ 750 milhões por meio da empresa de cheque em branco Apollo Strategic Growth.

Antes, na terça-feira, 15 de setembro, o frigorífico brasileiro Minerva assinou uma carta de intenções não vinculativa com uma SPAC, para a venda de uma fatia de 23,3% da Athena Foods, subsidiária da companhia.

Algumas empresas já pegaram essa estrada há mais tempo. É o caso de fabricantes de veículos elétricos como Fisker, Lordstown e Nikola, que usaram desse expediente para levantar recursos e abrir capital no mercado americano.

Para a Nikola, o terreno depois desse processo se mostrou acidentado. Em 8 de setembro, a GM comprou uma participação de 15% na fabricante. Dois dias depois, a Hindenburg Research publicou um dossiê indicando que a startup de caminhões elétricos poderia ser uma fraude.

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