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Rodolfo Santos agora é quem dita o ritmo da Bossa Nova

O executivo assume como CEO do fundo de venture capital que quer fazer mil investimentos em startups até 2020. Os fundadores Pierre Schurmann e João Kepler ficam no conselho e ainda estarão envolvidos com a decisão dos aportes nas empresas

 

Rodolfo Santos, novo CEO da Bossa Nova

Em 2017, logo depois de o banco mineiro BMG comprar uma participação na Bossa Nova Investimentos, Rodolfo Santos deixou o programa UpTech da instituição financeira e foi alocado para trabalhar no fundo de venture capital fundado por Pierre Schurmann e João Kepler, cuidando da área financeira.

Nas conversas com Schurmann, ele sempre ouvia que a Bossa Nova era uma mistura do SV Angels e do Sequoia, dois fundos do Vale do Silício que tinham características diferentes.

Engenheiro de formação, Santos acessou dois bancos de dados com o histórico de mais de 8 mil investimentos nos Estados Unidos. Colocou todas as informações em uma planilha e descobriu que o SV Angels e o Sequoia eram os que contavam com a maior quantidade de unicórnios em seus portfólios: 23 startups bilionárias cada um.

A diferença era o volume de investimentos de cada um deles. O SV Angels, na época, havia investido US$ 153 milhões. O Sequoia, mais de US$ 7 bilhões. “Aí entendi porque o Pierre falava tanto neles”, afirmou Santos, ao NeoFeed.

Santos agora é quem vai ditar o ritmo da Bossa Nova. Ele é o novo CEO da gestora que faz cheques para startups no estágio pré-seed que variam entre R$ 100 mil e R$ 300 mil e que tem o objetivo de atingir mil investimentos até 2020. Até agora, ela fez 580 investimentos em 438 startups. “Entendemos que a meta é audaciosa, mas temos algumas estratégias de compras de portfólio”, diz Santos.

Schurmann e Kepler não deixam a Bossa Nova. Ao contrário. Schurmann será o presidente do conselho. Kepler, por sua vez, além do conselho, manterá suas funções na parte de expansão e marketing. A dupla atuará, ao lado de Santos, em um comitê de investimento, que terá a palavra final em todos os aportes.

“Sempre tive uma veia empreendedora e comecei a olhar outras oportunidades”, afirma Schurmann, que está criando a Keiretsu, uma empresa de software cujo objetivo é comprar empresas de SaaS (da sigla em inglês software as a service). A meta é adquirir entre 40 a 70 empresas até 2025, com capital de R$ 100 milhões para investir.

Para João Kepler, que também atua como palestrante e está estrelando o programa Anjo Empreendedor, a mudança foi natural. “A Bossa Nova agora está mais profissional, requer mais gestão e mais cuidado com governança e compliance”, diz. “O Rodolfo tem toda condição de ajudar nisso.”

De acordo com Santos, a principal motivação para essa mudança é a governança. Quando o BMG investiu na Bossa Nova, o portfólio era de apenas 40 startups. Esse número cresceu 10 vezes em três anos. “Precisávamos consolidar tudo o que fizemos até hoje e contratamos a Price para confirmar que estamos fazendo tudo correto”, diz o novo CEO da Bossa Nova.

Ele afirma também que a tese de investimento permanecerá a mesma. A Bossa Nova só investe em startups B2B, que estejam faturando, tenham pelo menos um ano de vida e não atuem com hardware ou preste serviços a governos. “Montamos uma máquina de investimento”, afirma Santos.

“Montamos uma máquina de investimento”, afirma Rodolfo Santos

O processo inclui um primeiro filtro dos analistas do fundo. Depois, Santos, Schurmann e Kepler fazem uma análise da startup. Cada um deles fica com um grupo de empresas. Se ganharem o OK, as selecionadas vão à análise de um comitê com os três, onde é preciso que dois deles concordem com o investimento. Só for aprovado, um grupo de advogados começa o due dilligence para formalizar o aporte.

Sob o comando de Santos, a Bossa Nova deve fazer um movimento mais forte para se relacionar com empresas. No ano passado, o fundo participou do programa CNT Conecta, da Confederação Nacional dos Transportes. Ao fim do processo, investiu, de uma tacada só, em 42 startups em um mês.

A ideia é criar programas de seleção de startups, nos quais a Bossa Nova e a companhia possam coinvestir nas empresas selecionadas. “É um white label de corporate venture capital”, diz Santos.

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