ARTIGO: Se temos um dia de luta que seja de ações e mudanças efetivas

Qualquer mulher que exerça uma posição de liderança já nos representa – mesmo que involuntariamente. E tem a capacidade de influenciar novas gerações porque histórias vencem preconceitos com mais eficiência do que a lógica

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Mais um dia 08 de março chega e, com ele, uma enxurrada de conteúdos sobre a importância das mulheres no mercado de trabalho, estudos sobre nossa posição na sociedade e iniciativas relâmpago (e, muitas vezes, que não duram mais que a semana) para promover ambientes de trabalho mais inclusivos.

A sensação é de marcas e personalidades se apropriando da data para autopromoção. Não que as iniciativas e posicionamentos não sejam genuínos – acredito que são, de verdade. O problema é que a celebração se tornou apenas mais um dia de pauta, e não dia de mudança.

Se temos um dia dedicado à luta das mulheres pelo seu espaço, que esse dia seja de ações e de mudanças efetivas. Já sabemos que as mulheres estão conquistando, nos últimos anos, espaço de liderança.

Sabemos que temos ainda um grande caminho pela frente: que as mulheres ganham menos que os homens, que foram as mais prejudicadas pelo home office, que os negócios que fundamos têm menos chance de receber investimentos.

O que parece que ainda não sabemos é como sair dessa retórica para uma mudança mais efetiva e estrutural. Da identificação do problema para as possíveis soluções.
Serão necessárias ações em diferentes esferas e para os diferentes stakeholders da sociedade.

Precisamos educar, combater preconceitos (e vieses inconscientes), criar espaços, compartilhar os deveres domésticos e, principalmente, acreditar – ou melhor, saber, que é possível.

E sem a pretensão de apontar as soluções ideais para termos mais mulheres em cargos de liderança, posso responder apenas pela minha experiência pessoal: acredito que é a capacidade de se enxergar na posição o que nos aproxima dela.

E isso é impulsionado por exemplos: histórias vencem preconceitos com mais eficiência do que a lógica é capaz de fazê-los. Nada mais forte do que evocarmos a Luiza Helena Trajano, a Cristiane Junqueira ou a Nina Silva.

E temos milhões de outros exemplos. Qualquer mulher que exerça uma posição de liderança já nos representa – mesmo que involuntariamente. E tem a capacidade de influenciar novas gerações. Mas, para além disso, é incrível quando uma líder mulher usa de sua influência para falar sobre questões importantes, emprega seu tempo para dar mentorias e apoiar outras mulheres.

E, assim, meus votos para que nos próximos “08 de março”, ou o Dia Internacional das Mulheres, é que possamos compartilhar mais dos exemplos, de forma a impulsionar uma nova geração a se enxergar em posições que nossas avós não tiveram chance nem de sonhar.

Camila Nasser é cofundadora e CEO do Kria, plataforma de investimentos em startups

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