Sem tirar o pé de M&A, Méliuz faz parceria e abre nova via de expansão do portfólio

Com uma forte agenda de aquisições desde o seu IPO, a companhia testa um novo formato nessa frente por meio de uma parceria que prevê a potencial compra de uma fatia minoritária da fintech Liqi

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A Méliuz está avaliada em R$ 1,64 bilhão

Em janeiro deste ano, como parte da estratégia de adicionar um portfólio financeiro à plataforma de cashback e de cupons de desconto pela qual ficou conhecida, a Méliuz anunciou uma nova versão do seu aplicativo, reunindo conta digital, um novo cartão de crédito próprio e investimentos em bitcoin.

As aquisições têm sido uma das principais vias da companhia para levar esse plano à frente. Mas, nesta sexta-feira, 20 de maio, a empresa está inaugurando uma nova avenida nessa direção, ao anunciar uma parceria com a Liqi fintech, que atua com ativos digitais e blockchain.

Inicialmente, o acordo está restrito à aproximação entre as duas empresas. Mas, ao mesmo tempo, os termos preveem a potencial aquisição de uma fatia minoritária da startup pela Méliuz, condicionada ao alcance de alguns indicadores.

“Essa é mais uma forma de estarmos próximos de empresas e empreendedores que admiramos”, diz Israel Salmen, fundador e CEO da Méliuz, ao NeoFeed. “É, sem dúvida, uma abordagem que podemos usar mais vezes se encontrarmos operações que tenham fit com o que estamos fazendo.”

Segundo Salmen, a postura mais cautelosa em eventuais acordos vai ao encontro de mudanças observadas no mercado. “É um novo cenário, se comparado a um ano e meio ou dois anos atrás”, afirma o CEO da Méliuz.

Ele ressalta, porém, que a Méliuz não irá restringir seus esforços a esse formato. Na prática, a empresa seguirá olhando para eventuais aquisições e investimentos. “Continuamos analisando vários targets e, se avançarmos, vai ser porque encontramos algum caminho que fez sentido.”

No caso da Liqi, o percurso que pode evoluir para um potencial investimento passa justamente pelo reforço nas negociações com moedas digitais por meio do aplicativo da Méliuz.

“A Méliuz passa a ganhar em liquidez na transação com criptomoedas, já que passa a ter acesso à compra de bitcoins em uma nova exchange, além de ampliar o portfólio de serviços, gerando ainda mais oportunidades de engajamento e de cross sell com sua base de mais de 23 milhões de contas cadastradas”, afirmou a Méliuz, em comunicado sobre a parceria.

Fundada em 2021, a Liqi já atraiu R$ 30,5 milhões em dois aportes, com a participação da Kinea Ventures, corporate venture capital do Itaú Unibanco, e de investidores como a Oliveira Trust e Honey Island, esse último, veículo dos fundadores da Ebanx.

A fintech, que lançou sua corretora própria recentemente, usa a tecnologia de blockchain para transformar ativos e negócios em frações digitais, ou tokens, como eles são mais conhecidos no mercado.

Enquanto testa esse novo formato, a Méliuz acumula seis investimentos e aquisições desde que abriu capital, em novembro de 2020. O pacote incluiu as empresas Acesso Bank, Alter Pagamentos, Muambator, Melhor Plano, Promobit e Picodi.com.

Por volta das 11h, as ações da Méliuz estavam sendo negociadas na B3 com ligeira queda de 0,49%, para R$ 2,05. Em 2022, os papéis acumulam uma desvalorização de mais de 36%. A companhia está avaliada em R$ 1,64 bilhão.

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