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Insiders

A startup que transforma seu celular em um remédio

Pear Therapeutics é a primeira empresa do mundo a desenvolver um aplicativo aprovado pelo FDA que só pode ser usado sob prescrição médica para tratar vício de drogas e de alcoolismo

 

Telas do aplicativo reSET, desenvolvido pela Pear Therapeutics

Califórnia – O seu celular pode ser o seu próximo remédio. É essa, basicamente, a premissa da Pear Therapeutics, a primeira empresa de tecnologia a ter um tratamento online sob prescrição aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão equivalente à ANVISA, no Brasil.

A startup foi fundada em 2013 por Corey McCann, médico PhD em biologia molecular de sinapses pela Harvard, ex-gerente da consultoria Mckinsey e ex-investidor da MPM Capital, onde era sendo responsável pela avaliação de aportes relativos ao mercado de saúde.

Essa vasta e diversa gama de experiências profissionais e acadêmicas despertou em McCann a necessidade de se aprofundar no conceito de “software como remédio”, e criar um programa que, mediante prescrição, conseguisse coletar dados a fim de modificar o comportamento de um paciente.

Em entrevista recente, McCan disse que sua marca era um híbrido da rigorosidade da indústria farmacêutica com a agilidade das companhias de tecnologia.

Seu primeiro produto aprovado pelo FDA chama-se reSET-O, um aplicativo terapêutico que requer prescrição médica. A ferramenta foi desenvolvida para auxiliar aqueles que têm problemas com o abuso de opióides.

De acordo com a empresa, que não divulgou valores, esse primeiro produto consiste em uma terapia cognitiva com duração de 84 dias, indicado para aqueles que saíram de clínicas de reabilitação. Embora o uso do aplicativo não anule as sessões de terapia presenciais e nem os remédios apontados pelos médicos competente, o dispositivo é mais uma camada de segurança.

Ali os usuários têm quatro tarefas semanais de terapia interativa e são encorajados a compartilhar suas vontades e recaídas. Todas as informações são então compartilhadas com o médico do paciente, que recebe um gráfico dinâmico e direto.

Ao identificar aqueles usuários que estão passando por maus momentos, a equipe de saúde responsável pode entrar em contato e desenvolver uma estratégia a seguir. Parece uma solução simplista, mas os número comprovam sua eficácia: 82% dos pacientes que fizeram uso do reSET-O se mantiveram no tratamento, contra 68% dos que dispensaram o aplicativo.

A Pear Therapeutics é um híbrido da rigorosidade da indústria farmacêutica com a agilidade das companhias de tecnologia

O mais novo produto aprovado pelo FDA sob a tutela da Pear Therapeutics chama-se apenas reSET e funciona de forma muito semelhante ao “irmão mais velho”, porém esse tem a duração de 90 dias e é voltado para combater o vício em cocaína, heroína, nicotina e álcool. Este dispositivo também requer prescrição médica.

Apesar da natureza e do modus operandi diferenciados, ambos os “tratamentos” conquistaram a aprovação do FDA como qualquer outra droga: através de testes clínicos aleatórios.

Agora, a Pear Therapeutics está de olho na insônia, um mercado que vai movimentar mais de US$ 4 bilhões até 2021, segundo a consultoria Markets & Markets.

Enquanto aperfeiçoam a tecnologia e conduzem os testes, os diretores da empresa estão mesmo é perdendo o sono por conta de um impasse com os planos de saúde, que se recusam a pagar por uma receita que não seja um medicamento tradicional.

Problemas como esse, de brechas legais, são típicos de quem se propôs a causar alguma disrupção no mercado. Mas como novos desafios pedem novas soluções, a empresa lançou há pouco tempo a Pear Connect, o primeiro centro de atendimento a pacientes que buscam uma prescrição para terapias online.

Uma resolução tão simplistas só é possível graças a uma estrutura financeira confortável. E isso a Pear Therapeutics tem de sobra: em quatro rodadas de investimento acumulou US$ 134 milhões, dos quais US$ 64 milhões vieram da gigante farmacêutica suíça Novartis. Os fundos Temasek, 5AM Ventures, Arboretum Ventures, Jazz Venture Partners, Bridge Builders Collaborative e EDBI também apostaram na startup.

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