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Um tuíte de paz: Jack Dorsey deixa polêmicas para falar do início do Twitter

Envolto em polêmicas por conta da censura de tuítes e também por reter pagamentos na fintech Square, o empresário relembrou os primeiros passos da rede de microblog, citando que o sucesso não é um mero acaso, mas a conjunção do contexto certo, foco e de alcance global

 

Jack Dorsey, fundador do Twitter e da Square

Não foram 280 caracteres, mas 15 minutos de “sossego”: durante esse tempo, Jack Dorsey, fundador e CEO do Twitter e da fintech de pagamento Square foi apenas perguntado sobre o passado, deixando de lado o presente “conturbado” que vive em ambos os negócios.

Na rede de microblog, o executivo é cobrado por sua decisão de tirar do ar alguns tuítes do presidente americano Donald Trump, alegando que se tratava de conteúdo falso.

A “censura” ao presidente americano foi o começo de uma guerra que ainda está longe de acabar e que motivou Trump a assinar uma Ordem Executiva limitando o poder das redes sociais em território americano.

Já na companhia de pagamento, Dorsey tem de administrar queixas de comerciantes que acusam a empresa de reter 30% de seus pagamentos, justamente em um momento de grande necessidade.

O caso, revelado pelo jornal americano The New York Times, tem levado alguns clientes a demitir funcionários, a atrasar o pagamento do aluguel e a tomar decisões rígidas para contornar a súbita queda no caixa.

Quanto às últimas acusações, a Square diz que é prática da empresa “segurar” essa parcela de 30% de transações consideradas suspeitas. Os usuários, contudo, dizem que a plataforma não sinalizou nenhuma movimentação duvidosa.

Enquanto as situações não se resolvem por completo, durante o festival de tecnologia Collision, Dorsey conseguiu por alguns minutos desviar dos assuntos, relembrando apenas os estágios iniciais do Twitter.

Na conversa, ele conta que 2006 foi o primeiro ano de operação da rede de microblog, mas que, de certa forma, ela já existia na cabeça do executivo há anos. “O conceito do Twitter existe na minha cabeça desde que tinha 15 anos de idade”, disse Dorsey, hoje com 43 anos.

Programador autodidata, o americano só começou a tirar do papel sua ideia de microblog por volta dos anos 2000, quando conseguiu, por meio de seu aparelho Blackberry, mandar uma mensagem para uma plataforma que “ampliava” o recado para todos os seus amigos.

“Entendi rapidamente que meus amigos não estavam interessados no que eu tinha a dizer e que ninguém mais usava Blackberry, o que basicamente inviabilizava o negócio”, relembra, entre risadas.

Com a entrada dos programadores parceiros Biz Stone e Evan Williams, a plataforma encontrou um caminho viável ao permitir que qualquer pessoa com um celular postasse na rede social via mensagens SMS – um mecanismo que já era popular e acessível.

“Isso me mostrou que, para uma startup dar certo, contexto é tudo. Você pode ter um produto incrível, mas se o cenário não for favorável, vai ser difícil vingar”, falou Dorsey.

Sobre o nome escolhido para a plataforma, os fundadores foram literais: twitter, em inglês, significa arrulha – aquele som curto e repetitivo dos pássaros.

Falando sobre o crescimento e popularização da rede de microblogs, Dorsey disse que um dos desafios foi manter o foco. “Em algum momento, todo empresário se vê diante de milhares de caminhos possíveis e você tem que escolher um para trilhar”.

O seu, no caso, foi levar adiante a missão de conectar o mundo, em uma plataforma integralmente gratuita, que se mantém virtualmente a mesma, aceitando apenas mensagens curtas promovendo a interação.

Essa brevidade dos posts, aliás, não é exatamente intencional. Como o sistema começou com o uploads via SMS, a startup teve de se adequar às regras das operadoras, que aceitavam mensagens de, no máximo, 160 caracteres.

Dada a vontade de deixar espaço para a inclusão do arroba dos usuários, o Twitter se viu “obrigada” a diminuir para 140 o número de letras, números e espaços somados – hoje, é possível fazer posts com no máximo 280 caracteres. 

Se por um lado esse mecanismo de usar SMS pareceu uma desvantagem por conta da “extensão” dos textos, por outro foi o grande trunfo da companhia. “Qualquer celular barato pode enviar e receber mensagens SMS, o que permite que todos participem do Twitter”, explicou.

Questionado sobre como mede o seu sucesso, Dorsey respondeu que sua régua é seu alcance – e nada tem a ver com o número de usuários e de mensagens, que, diga-se de passagem, são bem representativos, mas distantes de redes como Facebook: 330 milhões de usuários mensais enviando 500 milhões de tweets por dia.

Para o executivo, porém, alcance é saber que pessoas menos favorecidas podem também participar de um debate no Twitter mesmo com um aparelho de tecnologia obsoleta, e que ali pessoas de todas as idades trocam impressões. “Sucesso, para mim, é ampliar sinal e fizemos isso ao permitir que um SMS, um sinal ‘fraco’, fosse amplificado em escala global”.

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