Unipar tem melhor ano da sua história e prepara nova fase de expansão

Depois de registrar recordes em 2021, a fabricante brasileira de cloro, soda e PVC vai ampliar seu mapa de produção de olho, principalmente, no crescimento da demanda do setor de saneamento

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A Unipar anunciou um aporte de R$ 100 milhões para ampliar a capacidade da sua fábrica em Santo André (SP)

A Unipar é a maior fabricante de cloro-soda na América do Sul e a segunda maior de PVC na região. Mas, além desse portfólio, desde o terceiro trimestre de 2020, a empresa brasileira vem se especializando em outra área: a produção de recordes nos indicadores da operação a cada divulgação de resultados.

Em 2021, não foi diferente. No período, entre outros dados, a companhia superou pela primeira vez a marca de R$ 2 bilhões em lucro líquido, com um salto de 441,3% sobre 2020. Já a receita líquida cresceu 62,6%, para R$ 6,28 bilhões, e o Ebitda, 234,3%, para R$ 3,16 bilhões.

Em outra frente na qual a Unipar vem se destacando, o ranking das empresas que mais pagam dividendos, a empresa distribuiu R$ 1,4 bilhão aos acionistas em 2021.

“Esse foi o melhor ano da nossa história”, diz Mauricio Russomanno, CEO da Unipar, ao NeoFeed. Ele destaca a combinação de dois fatores por trás dessa marca. O primeiro deles foram os frutos colhidos a partir da lição de casa feita pela empresa nos últimos anos para ganhar eficiência operacional.

O segundo motor envolve a elevação dos preços internacionais do PVC e da soda. Aliada à demanda gerada por segmentos como construção civil e, em especial, a área de saneamento, principalmente a partir da aprovação do Marco Legal do setor, em junho de 2020.

É justamente nessa última ponta do saneamento que a empresa enxerga mais potencial e oportunidades para seguir entregando recordes e superando marcas em seus próximos balanços trimestrais e anuais.

“Desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento, tivemos muitas licitações e leilões. E isso já começa a impactar positivamente a nossa operação”, afirma Russomanno. “E esse é apenas um passo inicial de um movimento que será muito maior no médio prazo.”

Algumas projeções de mercado dão um pouco da medida do mercado à frente da Unipar. A estimativa é de que, para universalizar o tratamento de água e esgoto, será preciso construir uma rede de mais de 500 mil quilômetros de tubulações até 2033.

Em outro dado, a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) e a KPMG projetam que a ampliação das redes de esgoto irá demandar um investimento de R$ 750 bilhões. Desse total, cerca de R$ 100 bilhões irão para as mãos de fabricantes de tubulações.

De olho nessa perspectiva de aumento da demanda e com R$ 1,6 bilhão em caixa, a Unipar já está se movimentando para ampliar seu mapa de produção, composto atualmente por unidades em Cubatão (SP), Santo André (SP) e Bahía Blanca, na Argentina.

A empresa, que já tinha anunciado planos de investir em até três fábricas na região Nordeste, seja a partir de projetos green field, construídos do zero, ou via aquisições, avançou mais algumas casas nessa estratégia.

“Nós assinamos cartas de intenções com os governos estaduais da Bahia e de Pernambuco”, observa Russomanno. “Estamos olhando terrenos, conversando com o mercado e em negociações com fornecedores de insumos.”

Mauricio Russomanno, CEO da Unipar

Ao mesmo tempo, em novembro de 2021, a companhia anunciou um investimento de R$ 100 milhões para ampliar em 15% a capacidade de produção em sua fábrica de Santo André, na região do ABC paulista.

Com previsão de início de operação em meados de 2023, o projeto inclui a instalação de um quinto eletrolisador para produzir cloro e soda cáustica, além da construção de um forno de ácido clorídrico com capacidade de 91 mil toneladas/ano, material voltado principalmente ao uso no saneamento.

“Esse já é um projeto para atender à demanda desse mercado”, explica Russomanno. “E estamos estudando outras expansões de capacidade para acompanhar e apoiar os participantes dos próximos leilões do setor, à medida que essas licitações forem acontecendo.”

Também em novembro, a Unipar anunciou uma joint venture com a AES Brasil para a construção e a operação do Complexo Eólico Cajuína, no Rio Grande do Norte. Esse é o segundo acordo com a AES Brasil em energia eólica, além de uma joint venture com a Atlas Renewable Energy em energia solar.

Esses projetos começam a entrar em operação a partir do segundo semestre desse ano e terão uma capacidade instalada de 485 MW, dos quais, 149 MW serão destinados ao consumo da Unipar. Com essas iniciativas, a empresa planeja gerar cerca de 80% da energia consumida em suas fábricas no País.

“Seguimos estudando esse tema de energia e não vamos parar nessas iniciativas”, afirma Russomanno. Além da pegada de carbono, esses projetos reduzem os gastos com energia, um dos principais custos da operação, e também a dependência de outras fontes.

Ao mesmo tempo, eles podem se mostrar ainda mais benéficos no caso da extensão e dos eventuais desdobramentos de um dos únicos pontos de atenção no horizonte da empresa: a guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

“Temos contratos de longo prazo e não estamos vulneráveis à questão de energia. E, sem dúvida, teríamos uma proteção caso esse tema perdure por mais tempo”, diz o executivo, que ainda vê poucos efeitos do conflito, nas condições atuais, para a operação no curto prazo

“Tem um pouco do aumento do gás e do barril de petróleo, mas é um impacto indireto”, observa. “Mas ainda não sabemos, de fato, as consequências e a duração da guerra. E se elas trarão algum desequilíbrio na demanda e na oferta fora do Brasil.”

Enquanto monitora o desenrolar dos acontecimentos, a Unipar, avaliada em R$ 9,6 bilhões, viu suas ações fecharem o pregão desta quarta-feira com alta de 3,28%, cotadas a R$ 104,76. No ano, os papéis acumulam uma valorização de 1,47%.

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